O método publicitário dos artistas transgressores

O episódio envolvendo um dançarino cuja performance foi confundida com um surto psicótico é revelador, não só do tipo de lixo artístico que se tem produzido por aí, como também pelo método publicitário do qual se valem seus protagonistas. Suas interpretações só ganham repercussão em virtude das reações que despertam.

Os agentes públicos que abordaram o dançarino foram colaboradores involuntários da apresentação, que tinha como objetivo “abordar a violência” e colocar o “corpo em evidência para trazer à tona as diversas formas de brutalidade do cotidiano, sejam elas físicas ou psicológicas”. É por isso que, em momento algum, o sujeito informou às autoridades o que realmente estava fazendo. Tivesse dito que integrava a Companhia Municipal de Dança e que tudo era apenas um número da programação do 8º Caxias em Movimento, perderia seus possíveis quinze minutos de fama na mídia nacional e nas redes sociais.

Para o cidadão comum, que está longe das pseudo-transgressões, quando um sujeito sai pela rua agindo de forma estranha, é bom chamar socorro. O vendedor de cachorro quente que vê um transeunte só de cuecas gritando coisas sem sentido não pode ser acusado de reacionário por não adivinhar que se trata de uma interpretação.

Situações como essa de Caxias do Sul servem para que artistas descolados vendam a cantilena de que são revolucionários, de que são incompreendidos e de que suas mensagens são oprimidas por um sistema que é reflexo de uma sociedade arcaica. É assim que a bizarrice ganha contornos de lição de moral.

Afinal de contas, quem lembraria do bailarino que saiu sem camisa pelo centro de Caxias do Sul, levando arame farpado enrolado no pescoço, se não fossem os agentes do SAMU a levá-lo à força para atendimento psiquiátrico? Do contrário, tão logo sua apresentação findasse, todos voltariam para suas atividades cotidianas e ele seria esquecido, como são esquecidos os bêbados trôpegos que chamam a atenção por um ou dois minutos enquanto cantam arrastando as pernas pelos cruzamentos das cidades.

Confira a “interpretação”:

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