Passo Fundo

Mesmo com usina própria, a Prefeitura já comprou meio milhão de reais em asfalto de empresa da região, só em 2019

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Com a usina estatal sucateada, Prefeito precisou comprar asfalto de empresa da cidade de Vila Maria para tapar os buracos da Administração

Dizia o economista liberal Milton Friedman: “Se colocarem o governo federal para administrar o deserto do Saara, em cinco anos faltará areia”. O município de Passo Fundo tentou administrar uma usina de asfalto, mas o elefante branco virou sucata e o Prefeito recorreu a uma empresa de Vila Maria para comprar o produto.

Só neste ano, a empresa Thales Transporte e Construções LTDA garantiu 3 empenhos que somados chegam a R$ 490.492,00. O fornecimento e transporte de Concreto Betuminoso Usinado à Quente – CBUQ, comprado em um dos contratos por R$ 425,14 a tonelada (foram 1000 compradas em junho), será pago com recursos próprios (dotação 2019/670) e a destinação é descrita como “Outras Obras e Instalações”. Pela contratada, assinou o representante legal Douglas Matt.

 

Empenhos para a compra de asfalto em 2019.

 

A soma dos contratos da Prefeitura com a empresa Thales é superior aos empenhos declarados no site da Transparência. São dois contratos (sendo o primeiro com aditivo) que resultam em R$ 661.360,00 em asfalto. Optamos por divulgar os empenhos, mas o gasto poderá ser ainda maior.

Vereador Rufa

O Vereador Rufa (PP) levou o caso para a tribuna no dia 17 de junho. Apesar de não mostrar dados corretos (somou os contratos sem o aditivo do primeiro e exibiu um valor de R$ 614.140,00 em compras), fez uma bela exposição sobre a situação da usina de asfalto estatal.

Segundo ele, após verificação no local, foi constatado que a caldeira da usina foi retirada para manutenção em fevereiro e ainda não voltou. Apontou ainda que já foram orçados procedimentos para manutenção da usina da ordem de R$ 78 mil e que, em 2008, foi comprada uma caldeira por outros R$ 105 mil.

Acima: nova usina de asfalto da Prefeitura de Passo Fundo, celebrada no site oficial por sua produtividade e avanço para a Administração (agosto de 2013). Reprodução da notícia publicada neste link. A caldeira da instalação explodiu em fevereiro de 2014, durante um incêndio causado por curto circuito.

 

Caldeira da usina. Foto: site da PMPF.

Já passou da hora de um vereador solicitar informações detalhadas sobre toda a produção de asfalto desta usina, desde o primeiro dia em atividade, bem como a totalidade das compras de matéria-prima, custos operacionais e o destino desta produção. Desta forma, os pagadores de impostos desta cidade ficarão sabendo se o Estado teve sucesso nesta empreitada ou derrapou na condução desta verdadeira Chernobyl do buraco.

O palpite, nós já o temos…

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