Nós consentimos com a ditadura do algorítimo promovida pelo Facebook

Muito se fala por aí sobre o impacto que terá o programa contra fake news desenvolvido pelo Facebook em parceria com agências de checagem de fatos. A conduta da rede social fundada por Mark Zuckerberg desperta uma série de desconfianças. Abundam contra ela acusações de perseguição a determinadas correntes ideológicas, bem como critérios subjetivos para a retirada de conteúdo do ar. Os questionamentos são válidos, uma vez que o tema central aqui é possibilidade de censura.

E se há preocupação, é também devido ao fato de se reconhecer a importância que o Facebook ganhou na sociedade. Pesquisas variadas demonstram que parte considerável dos internautas brasileiros dedicam grande do tempo em que estão conectados olhando o Facebook. E aí é necessário fazer mea-culpa. Nós ajudamos a alimentar o monstro que agora se pretende guardião da verdade.

Hoje se acessa a internet por meio do Facebook, que se tornou um grande filtro informativo. O que não está na timeline “não existe”. E o que aparece nela precisa atender uma série de exigências e regras acondicionadas em uma inteligência artificial.

A falsa sensação de agilidade que temos, por acessarmos conteúdos e formatos diretos a partir do mesmo mecanismo, mascara aquilo que é na verdade a ditadura do algoritmo. Ditadura consentida, diga-se de passagem. No Facebook, afinal, temos o chat para falar com amigos, temos stories para mostrar o que fazemos, temos possibilidade de gravar vídeo, tirar fotos, escrever sobre qualquer assunto, investigar a vida alheia e até expressar como nos sentimos. Da mesma forma, também não é mais preciso escrever o nome de um site para ver o que nele foi postado. Basta curtir sua página e milagrosamente tudo surgirá na bendita timeline.  Está tudo ali, à distância de um joinha.

A cada atualização do Facebook, somos cegados pelo deslumbramento com as novas ferramentas que eram incorporadas ao site. Sem notar, concentramos todas as nossas atividades em um mesmo lugar. E isso permitiu que os donos do lugar não apenas lucrassem, o que seria natural e tolerável, mas também moldassem a realidade de quem por ali estivesse.

A internet sempre foi comparada a um mar. É por isso que se popularizou o conceito de navegação para se referir ao uso dos meios digitais. O Facebook drenou toda a água para si, transformando o antigo mar em uma infinita série de poças profundas, onde nossa liberdade, uma gota de cada vez, vai sendo afogada. 

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