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Números mostram que o Rio Grande do Sul não tem escolha

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A crise fiscal do Rio Grande do Sul não chegou onde chegou sem boas razões. E a avaliação técnica da coisa anda de mãos dadas com as escolhas políticas e culturais que nosso povo fez.

É bem fácil notar que poucas vezes em nossa história houve um interesse claro de lidar com a problemática econômica do avanço da burocracia. Deixamos que ela fosse se acumulando ao longo do tempo.

No texto anterior que escrevi sobre o drama fiscal do funcionalismo, mostrei a quantidade de servidores públicos ativos e inativos que compunham a folha de pagamentos do Estado. Hoje eles são talvez as maiores vítimas da falência fiscal e do próprio excesso de burocracia que os gerou. Além da falta de serviços básicos com saúde, educação e segurança, que todos os gaúchos enfrentam, eles têm o agravante de terem seus salários parcelados pelo fato de que o Executivo não tem dinheiro algum em seus cofres.

No Sul Connection, portal em que sou editor, escrevi que Sartori demorou tempo demais para apresentar o pacote de cortes.

Antes de propor o fechamento de Fundações, fusões de Secretarias e privatização de Estatais, entre outras medidas, ele já havia elevado a tributação do ICMS, repactuado a dívida com a união por 20 anos, obtendo um desconto de R$ 2 bilhões em 2016, criado uma Lei de Responsabilidade Fiscal Estadual, e aumentado o limite de saques aos depósitos judiciais para 95%.

Tudo isso foi obtido não sem enorme prejuízo político e social, afinal, Sartori precisou recorrer até mesmo ao aumento de impostos, que impactou negativamente na população gaúcha. E a sensação que ficou é de que, apesar de algumas medidas, nada havia sido feito em relação ao próprio governo.

As medidas que estão postas são necessárias não para curar em definitivo o Rio Grande do Sul, mas para continuar um longo e árduo tratamento que não verá efeitos a não ser no longo prazo. Diante dos déficits bilionários acumulados todos os anos, a economia que se pretende com esses cortes pode parecer tímida, mas serve sobretudo para abrir a discussão do papel do governo na sociedade e atacar a cultura dirigista que sempre esteve no âmago da tradição gaúcha.

De modo que o Rio Grande do Sul não tem alternativa. Se o Estado não conseguir ver este pacote de cortes para órgãos coadjuvantes aprovados, qual a esperança de resolver os problemas previdenciários que constituem a maior parte do rombo? A dimensão do que está sendo discutido, e é essa a razão desta análise, vai para muito além do debate se um zoológico deve ser público ou não.

Na Rádio Gaúcha, Sartori foi muito sincero ao admitir que não há plano B caso a Assembleia rejeite a proposta. Disse ele: “A nossa proposta foge das características meramente políticas, partidárias, de bancada ou ideológicas. É uma necessidade. Temos que olhar para frente (…) Não existe plano B”. Ele completou: “Nós precisamos aprovar todo o pacote se quisermos avançar. Estou plantando uma semente, porque eu não quero que outro governante passe pelo constrangimento que eu estou passando”.

Para além de eventuais constrangimentos de governantes, está é se lidando com a hipótese de um futuro eleito não ter margem nem mesmo para pagar parcelas de salários. E não se trata aqui de ameaçar com o apocalipse. Os números mostram que tudo o que está ruim pode piorar. Com os cortes, o governo prevê uma economia de R$ 6,7 bilhões em quatro anos. A previsão orçamentária em caso de rejeição das medidas é de um déficit de R$ 8,8 bilhões até o fim de 2018.

Demagogia ideológica e oportunismo de lado, esses são os fatos que a realidade fria da matemática impõe. E ante eles, não há alternativa para o Rio Grande do Sul.

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Eleições 2022

Eduardo Leite, pré-candidato, aparece em postagens oficiais do Governo RS nas redes sociais

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Adepto do discurso “longe das benesses do poder”, o ex-governador continua se beneficiando da máquina pública

Pré-candidato ao governo do estado desde o dia 13 de junho, Eduardo Leite já fez muita ginástica retórica para bradar que não usa as benesses do poder e que se afastou do governo para poder concorrer sem vantagens aparentes. Mesmo assim, o ex-governador parece que saiu do Piratini, mas o Piratini não saiu dele.

Eduardo Leite 2022

Leite aparece em postagem do Governo RS referente a obra pública…

 

leite na cadeia

…mas ele mesmo já tinha adiantado a divulgação na própria página, horas antes – Leite na cadeia. 

 

Eduardo Leite

Para finalizar, a visita virou card de pré-campanha, com frase de efeito.

 

Leite apareceu nesta terça em uma postagem oficial do Governo RS, sobre a ordem de início das obras na Cadeia Pública de Porto Alegre, antigo Presídio Central. As fotos foram publicadas no Facebook às 17h15, bem depois do destaque dado pelo próprio Leite na mesma rede, só que às 14h13. No dia anterior, apesar de não aparecer em postagens do governo, lá estava o pré-candidato na inauguração do Núcleo de Gestão Estratégica do Sistema Prisional (Nugesp). E vamos poupar o leitor dos aproveitamentos anteriores ao dia 13 de junho, para não deixar o artigo longo demais.

Vamos relembrar as palavras do próprio Eduardo (já comentadas aqui), sobre a forma de disputar esta eleição e sua peculiar definição de reeleição, tantas vezes renegada: “Foi também a renúncia que me deixou mais confortável para disputar um novo mandato. Fora do cargo, fora do poder e sem contaminar a máquina pública. Podemos ser um candidato a governador e não um governador candidato. O Brasil deu exemplos de que a reeleição no cargo muitas vezes não é um bom caminho, e tá aí o mensalão em uma oportunidade, o orçamento secreto em outra, que estão aí para provar. Mas o Rio Grande, mais uma vez, à exemplo de que é legítimo, é possível, benéfico, separar o governo e a eleição. O governador e o candidato. Sem usar instrumentos do poder para conquistar votos ou para conquistar alianças e apoios“. Agarrado na na máquina pública e de foto em foto, o ex-governador vai se beneficiando do prestígio emprestado pela entourage tucana que hoje comanda o Piratini. Tal qual outros políticos de outros governos e outros tons de esquerda e direita mas que, por incrível que pareça, não negavam a navegação nesta área cinza de nossas leis eleitorais.

 

 

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Política

Candeia: “O ministro Barroso é vaidoso e mentiroso”

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Em recente palestra que estava fazendo em Oxford, na Inglaterra, o ministro afirmou que graças a ele não houve um retrocesso no Brasil para que as eleições acontecessem com voto impresso e contagem manual.

Veja a seguir o trecho com a fala do parlamentar:

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Passo Fundo

Passo Fundo precisa agora de um Conselho Municipal de Habitação Popular?

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Proposta dos vereadores Luizinho Valendorf (PSDB) e Wilson Lill (PSB) quer reativar o Conselho Municipal de Habitação Popular. Na prática, sabemos o que vem pela frente…

 

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