O Curioso Caso de Onyx Lorenzoni

 

Quando o Ministro Luiz Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, autorizou a Procuradoria-Geral da República a investigar Ministros, Governadores, Senadores e Deputados Federais que estavam na chamada “Lista do Janot”, houve surpresa com alguns dos nomes que surgiram. Um deles era o de Onyx Lorenzoni, parlamentar do Democratas (DEM) do Rio Grande do Sul. 
 
Desde que foi eleito pela primeira vez, Onyx se pautou por uma atuação que poderia ser considerada próxima “das ruas”, para utilizar a expressão que se solidificou com os protestos que passaram a ocorrer no país a partir de 2013.  Durante o Mensalão, participou da Comissão Parlamentar Mista (CPMI) dos Correios, sendo duro inquisidor dos depoentes. Agora, no escândalo do Petrolão, também agiu de forma efetiva, requisitando a prorrogação da CPI da Petrobras. 
 
Além disso, foi o relator das chamadas “10 medidas contra a corrupção” na Câmara dos Deputados. Durante as discussões do projeto, defendeu arduamente as prerrogativas do Ministério Público e incluiu na proposta a tipificação do crime de caixa 2. O trabalho, visto por muitos de seus pares como prejudicial aos integrantes da classe política, valeu inclusive sonoras vaias em seus pronunciamentos na tribuna da Casa durante as sessões de votação. 
 
Daí a estranheza da denúncia feita pelo ex-diretor da Odebrecht, Alexandrino de Salles Ramos de Alencar, que o acusou de ter recebido R$ 175 mil por caixa 2 na campanha eleitoral de 2006. Em suas alegações, Alexandrino afirmou que Onyx, cujo apelido no Departamento de Operações Estruturadas da empresa (responsável pelas propinas distribuídas) era “Inimigo”, “era uma pessoa importante, era um jovem impulsivo, lutador”, e que era necessário “mantê-lo próximo”. 
 
Em sua defesa, Onyx fez mais do que apenas refutar a acusação de Caixa 2. Foi ao Supremo Tribunal Federal com a abertura espontânea do sigilo fiscal e telefônico dele e da sua equipe. Entregou também a prestação de contas de sua campanha de 2006 e fez um requerimento que pode não ter efeitos jurídicos, mas que cria uma discussão sobre as prerrogativas dos mandatos: abriu mão do seu foro especial. 
 
Do ponto de vista lógico, a participação do referido Deputado no esquema de financiamento ilegal é curioso. Afinal, por que a Odebrecht sustentaria as pretensões de um “Inimigo” que, desde sempre, esteve na contramão de seus interesses? E por que Onyx faria tamanho esforço em criminalizar de fato o Caixa 2 se ele mesmo estaria envolvido nesse tipo de ilícito? 
 
Essas perguntas, e outras tantas que podem ser formuladas com base no depoimento do acusador e nas respostas do Deputado, dão conta da complexidade da trama urdida pelas empreiteiras em sociedade com os políticos e com o governo.   
 
Onyx tem história e credibilidade o suficiente para que os eleitores fiquem com um pé atrás em relação a sua suposta participação no esquema.  Ainda assim, mesmo que a presunção de inocência seja um imperativo da ordem jurídica, do ponto de vista político caberá a ele, e somente a ele, não apenas provar que as acusações não tem base, mas responder os porquês que surgem na esteira de sua misteriosa citação nas delações.

 

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