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A coragem e a covardia para lidar com a privatização de estatais

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O trabalho dos governantes destemidos poucas vezes é compreendido imediatamente pela sociedade, cujos anseios gravitam em torno de urgências. Assim, medidas de austeridade raramente rendem aprovação ou simpatia popular. O mesmo serve para a classe política em geral, que se orienta pelo imediatismo e, no mais das vezes, apenas com foco no calendário eleitoral.

Eis o contexto que atinge a gestão de José Ivo Sartori.  É inegável que tenha priorizado o futuro, propondo uma agenda de reformas estruturais que só surtirão efeito nos governos que a sucederem. É difícil para o cidadão médio entender qual a real importância de se ver aprovada uma Lei de Responsabilidade Fiscal Estadual, bem como um Recálculo do Duodécimo. O que ele quer, e não sem razão, é policial na esquina de casa e estradas sem buracos onde possa trafegar com tranquilidade.

Acontece que, no Rio Grande do Sul, o que mais importa no momento é adequar o governo à nova realidade, de modo a contornar uma situação de caos financeiro que impede investimentos no que a população considera prioritário. A situação é simples: não há recursos disponíveis. E isso se dá porque há uma estrutura administrativa inchada e ineficiente que foi alimentada paulatinamente por muitos governantes ao longo de nossa história.

Dadas as declarações que tem feito, parece bastante claro que Sartori compreende seu papel, e que cabe a ele enfrentar os problemas que outros acabaram deixando de lado. É o caso dos órgãos estatais ineficientes, tratados por muito tempo como “imprescindíveis” e “estratégicos”. É o caso das Fundações Governamentais, e de empresas como a Companhia Estadual de Silos e Armazéns (Cesa), a Companhia Rio Grandense de Artes Gráficas (Corag), a Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEE), a Companhia Rio Grandense de Mineração (CRM) e a Sulgás.

Ainda em 2016, sob vaias de setores sindicalizados e movimentos sociais que orbitam os partidos de oposição, conseguiu-se aprovar a extinção de boa parte destes verdadeiros penduricalhos. Para 2017, o que se esperava era um modificação da Constituição Estadual, que prevê a realização de plebiscito em caso de privatização. Para tanto, o Governo encaminhou um Projeto de Emenda Constitucional que revogava a obrigatoriedade de consulta.

Em virtude da pressão política sobre a base governista no Legislativo e dos efeitos que isso teria na próxima campanha, muitos Deputados de partidos aliados não se mostraram dispostos a aprová-la, colocando sob dúvidas sua viabilidade. De modo que foi necessário retirá-la de votação e convocar o Plebiscito disposto na legislação atual.

Fica evidenciado que a coragem de Sartori em enfrentar a questão é proporcional à covardia de muitos parlamentares que preferem lavar as mãos do que exercer sua função institucional de votar. Agora o Estado terá de arcar a despesa de viabilizar a votação, destinando dinheiro que poderia ser melhor empregado na segurança, na educação, na saúde e na infraestrutura. O preço da pusilanimidade será debitado no bolso vazio dos gaúchos.

 

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Eleições 2022

Eduardo Leite, pré-candidato, aparece em postagens oficiais do Governo RS nas redes sociais

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Adepto do discurso “longe das benesses do poder”, o ex-governador continua se beneficiando da máquina pública

Pré-candidato ao governo do estado desde o dia 13 de junho, Eduardo Leite já fez muita ginástica retórica para bradar que não usa as benesses do poder e que se afastou do governo para poder concorrer sem vantagens aparentes. Mesmo assim, o ex-governador parece que saiu do Piratini, mas o Piratini não saiu dele.

Eduardo Leite 2022

Leite aparece em postagem do Governo RS referente a obra pública…

 

leite na cadeia

…mas ele mesmo já tinha adiantado a divulgação na própria página, horas antes – Leite na cadeia. 

 

Eduardo Leite

Para finalizar, a visita virou card de pré-campanha, com frase de efeito.

 

Leite apareceu nesta terça em uma postagem oficial do Governo RS, sobre a ordem de início das obras na Cadeia Pública de Porto Alegre, antigo Presídio Central. As fotos foram publicadas no Facebook às 17h15, bem depois do destaque dado pelo próprio Leite na mesma rede, só que às 14h13. No dia anterior, apesar de não aparecer em postagens do governo, lá estava o pré-candidato na inauguração do Núcleo de Gestão Estratégica do Sistema Prisional (Nugesp). E vamos poupar o leitor dos aproveitamentos anteriores ao dia 13 de junho, para não deixar o artigo longo demais.

Vamos relembrar as palavras do próprio Eduardo (já comentadas aqui), sobre a forma de disputar esta eleição e sua peculiar definição de reeleição, tantas vezes renegada: “Foi também a renúncia que me deixou mais confortável para disputar um novo mandato. Fora do cargo, fora do poder e sem contaminar a máquina pública. Podemos ser um candidato a governador e não um governador candidato. O Brasil deu exemplos de que a reeleição no cargo muitas vezes não é um bom caminho, e tá aí o mensalão em uma oportunidade, o orçamento secreto em outra, que estão aí para provar. Mas o Rio Grande, mais uma vez, à exemplo de que é legítimo, é possível, benéfico, separar o governo e a eleição. O governador e o candidato. Sem usar instrumentos do poder para conquistar votos ou para conquistar alianças e apoios“. Agarrado na na máquina pública e de foto em foto, o ex-governador vai se beneficiando do prestígio emprestado pela entourage tucana que hoje comanda o Piratini. Tal qual outros políticos de outros governos e outros tons de esquerda e direita mas que, por incrível que pareça, não negavam a navegação nesta área cinza de nossas leis eleitorais.

 

 

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Política

Candeia: “O ministro Barroso é vaidoso e mentiroso”

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Em recente palestra que estava fazendo em Oxford, na Inglaterra, o ministro afirmou que graças a ele não houve um retrocesso no Brasil para que as eleições acontecessem com voto impresso e contagem manual.

Veja a seguir o trecho com a fala do parlamentar:

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Passo Fundo

Passo Fundo precisa agora de um Conselho Municipal de Habitação Popular?

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Proposta dos vereadores Luizinho Valendorf (PSDB) e Wilson Lill (PSB) quer reativar o Conselho Municipal de Habitação Popular. Na prática, sabemos o que vem pela frente…

 

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