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Lula não foi corrompido, corrompeu

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A condenação de Lula a 9 anos e 6 meses de cadeia pelo Juiz Sérgio Moro despertou reações variadas. Na esquerda, as manifestações foram do colérico ao patético. Para se ter uma ideia, Leonardo Boff, cuja maior contribuição para a Igreja Católica foi ter sido excomungado, publicou no Twitter uma mensagem invocando uma maldição bíblica contra o magistrado.  Por sua vez, o Deputado Jean Wyllys fez um vídeo fazendo a dosimetria da pena aplicada na sentença a partir de um suposto preconceito que Moro teria em relação ao fato do ex-presidente possuir apenas 9 dedos nas mãos.

O jornalismo, por sua vez, mal conseguiu disfarçar o tom misericordioso que deu para a cobertura do episódio. Apesar das reclamações do PT e de seus satélites de esquerda, o fato é que a mídia sempre tratou o Ex-Presidente com notável candura, contribuindo decisivamente para a sua mitificação.

A capa do jornal Extra é ilustrativa: Lula aparece cabisbaixo, como se vítima de uma injustiça. Logo acima, o enunciado informa que “Quinze anos após chegar à Presidência pelo voto direto dos mais pobres, Lula é condenado por se corromper pelo dinheiro dos ricos”, ao que se segue a manchete em letras garrafais: “Dá Pena”.

Como se pode notar, a matéria não absolve Lula, mas reproduz um juízo subjetivo que subverte a realidade em favor de uma narrativa de esquerda. A capa dá a entender que Lula teria sido uma espécie de “vítima dos poderosos” e não um agente da corrupção. O que as investigações da Lava Jato demonstram, por meio de testemunhos e provas, é que se dava exatamente o contrário. No esquema criminoso maquinado pelo PT, os agentes políticos é que ocupavam o papel de corruptores, submetendo o empresariado ao achacamento institucionalizado.

Vale ressaltar que o chamado “Processo Mãe” da Lava Jato trata exatamente desses aspectos gerais do Petrolão, no qual Lula responde por formação de quadrilha. O famoso PowerPoint de Deltan Dallagnol, apresentado precipitadamente na exposição da denúncia do Triplex, foi feliz em descrever a centralidade e o papel de Lula na estrutura que saqueou os cofres públicos.

Em um artigo intitulado “Querem depor Lula do comando do Petrolão”, escrevi: ”Os depoimentos dos empreiteiros, como Léo Pinheiro, da OAS, mostram uma relação de subserviência dos empresários em relação ao ex-presidente. Um dos trechos mais bombásticos da fala de Pinheiro se deu quando revelou que Lula havia ordenado a destruição de potenciais provas de corrupção. Havia uma hierarquia, portanto. E em seu topo não estava um empresário ganancioso ou um político fisiológico.”

Lula não foi corrompido, optou corromper para levar adiante um projeto de hegemonia política. Sua escolha moral obedeceu um critério de cunho ideológico. É por isso que não é possível ter pena ou qualquer outro sentimento que empreste uma dignidade perdida ao Ex-Presidente. Quem conhece sua história de vida, descrita com detalhes em livros como “O que sei de Lula”, sabe que não se trata de um operário deslumbrado com as facilidades do jogo político, mas de um ardiloso articulador que se valeu de todos os meios do jogo político para chegar ao poder.

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