Maduro não inspira ninguém, é só um lacaio do Foro de São Paulo

Ainda sobre o editorial do jornal “O Globo” tratando da ditadura bolivariana, cabe apontar que, ao contrário do que afirma a publicação, Nicolás Maduro não “inspira projeto autoritário no Brasil”. Fosse assim, ele teria uma relação de comando na hierarquia política com a esquerda brasileira e o PT em particular. Quem conhece a história recente da América Latina sabe que se dá exatamente o contrário.

O ditador da Venezuela sempre foi lacaio do Foro de São Paulo, como era também Hugo Chávez, seu mitificado antecessor. Foi nas reuniões do Foro, idealizado em 1990 por Lula e Fidel Castro, que se traçaram as ações que seriam adotadas para que partidos e organizações políticas de esquerda tomassem o poder nos mais diversos países do continente. Também saíram de lá outros líderes como Rafael Correa, Evo Morales, José Mujica, Fernando Lugo e o casal Nestor e Cristina Kirchner. Cada qual em seu contexto nacional, todos seguiram a mesma agenda de relativização da liberdade de expressão, centralização das atribuições do Executivo, enfraquecimento do Legislativo e revogação da propriedade privada por meio de “movimentos sociais” e sindicatos.

Na Venezuela, um país carcomido por elites corruptas e pobreza endêmica, encontrou-se solo fértil para o florescimento de uma versão mais rápida da revolução bolivariana. O Brasil, tendo em consideração sua dimensão político-econômica, não era o ambiente propício para uma ação ideológica mais desabrida. Ao seu governo caberia atuar como “moderado” da região, ludibriando as atenções internacionais enquanto apadrinhava os regimes autoritários que iam se multiplicando no seu entorno.

As investigações da Operação Lava Jato também serviram para entender a natureza do processo de financiamento que serviu de suporte para a manutenção dos governos de esquerda na Venezuela, na Bolívia, em Cuba, na Nicarágua e em outros países da África..

Nicolás Maduro não inspira ninguém – tanto ele quanto o PT -,  e por isso Gleisi Hoffmann faz um discurso tão enfático em defesa do regime bolivariano, inspirados por uma estratégia continental de hegemonização do poder.

Nem quando acerta com dezoito anos de atraso o jornal “O Globo” deixa de estar errado…

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