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Não foi só o antipetismo que colocou Bolsonaro na Presidência, mas o conservadorismo também

Foi o professor Percival Puggina quem melhor definiu a relação do PSDB para com o conservadorismo da população. O tucanato seria o “infiel depositário” dos votos da direita. Assim foi por muito tempo. Sem representação política organizada, esse segmento social era sempre obrigado a escolher alguém que fosse menos esquerdista. A não ser Fernando Henrique Cardoso, que se elegeu em virtude do Plano Real, todos aqueles que disputaram com o PT nas eleições seguintes acabaram beneficiados por esse contexto, ainda que nunca tenham se comprometido com bandeiras dessa linhagem ideológica.

Há uma quantidade considerável de estudos mostrando que os brasileiros são amplamente contra o aborto, amplamente contra a legalização das drogas, amplamente a favor da posse de armas, amplamente favor de endurecer o combate ao crime, além de se alinharem a outros posicionamentos tidos como conservadores. Nada disso, entretanto, era organizado. Essa postura nunca foi política, apenas moral, visto a crença religiosa de nossa população. Foi só agora, em 2018, que houve uma articulação entre a opinião popular e as propostas de um candidato.

Nas últimas décadas, a esquerda se entronizou na mídia, nos ambientes acadêmicos, no mundo artístico, nos órgãos de representação social e na máquina pública. Ali constituiu inúmeros feudos, de modo a tentar criar uma realidade alternativa que suplantasse a das ruas. Nesse aspecto foi bem sucedida, ainda que, fora do campo dos programas sociais e de renda, nunca tivesse obtido sucesso em moldar o pensamento dos pobres que dizia representar.

Ao dizer que a bandidagem deveria ser eliminada com uso de força policial, que o direito de legítima defesa era sagrado, que família deveria ser preservada e que a relativização da vida deveria ser combatida, Bolsonaro estabeleceu a linha de diálogo direta que nenhuma alternativa ao PT havia usado até então. Foi assim que parte expressiva do povo aderiu à sua campanha, mas agora também motivada por um sentimento de aceitação.

Jair Bolsonaro não foi embalado apenas pelo antipetismo, que se constitui em um movimento político objetivo, mas também pelos valores conservadores que permeiam o Brasil. Reduzir isso a uma mera rejeição a Lula e a seu partido é ignorar o que se passa no país. 

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