Moro se mostra afinadíssimo com Bolsonaro

Sérgio Moro, que será Ministro da Justiça e Segurança Pública no governo de Jair Bolsonaro, fez sua apresentação oficial na tarde desta última terça-feira (06). Participou de uma coletiva de imprensa em Curitiba, onde acerta os detalhes de seu afastamento da magistratura. Suas primeiras declarações mostraram que o juiz está alinhadíssimo com o presidente eleito.

A postura de Moro era de serenidade. Abriu a entrevista respondendo os ataques políticos que sofreu nos últimos dias. Sobre Lula, afirmou que “foi condenado e preso porque ele cometeu um crime, e não por causa das eleições” e que não poderia pautar sua vida “num álibi falso de perseguição política”. Sobre a relação do convite que recebeu para participar do Ministério e a sentença que expediu contra o ex-presidente justificou: “alguns eventualmente interpretaram a minha ida como uma espécie de recompensa, algo absolutamente equivocado porque a minha decisão foi tomada em 2017 sem qualquer perspectiva que o então deputado federal fosse eleito presidente da República”.

Ainda que não tenha antecipado nomes para sua equipe, o futuro ministro elencou algumas das iniciativas que tentará implementar no comando da pasta. Entre elas quer aprovar parte das “dez medidas contra a corrupção”, conjunto de propostas que já foram discutidas no Congresso Nacional. Também defendeu o uso de tecnologia para elucidar crimes e a criação forças-tarefas da Polícia Federal para o combate ao crime organizado, seguindo o modelo usado pela Lava Jato no combate à corrupção: “Pretendo utilizar forças-tarefas não só contra esquema de corrupção, mas contra o crime organizado. Nova York, na década de 1980, combateu cinco famílias poderosas por meio da criação de forças-tarefas. O FBI, em conjunto em conjunto com as Promotorias locais ou federais, logrou desmantelar organizações.”

Foi nas temáticas polêmicas, entretanto, que Moro surpreendeu. Não tergiversou ou mostrou dubiedade de posicionamentos. Sobre o porte de armas, afirmou que Bolsonaro se elegeu prometendo flexibilizar a posse de armas e que seria “inconsistente agir de forma contrária”. Questionado sobre redução da idade penal, defendeu “tratamento diferenciado” para maiores de 16 anos que tenham cometido crimes graves.

Os jornalistas que participaram, pareciam menos interessados nas propostas e na atuação de Moro do que em pescar alguma declaração dele que o jogasse contra o novo mandatário. Fizeram uma busca incessante por posicionamentos discordantes entre ambos. Tiveram seu intento frustrado.

Confira a íntegra da coletiva:

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