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A receita da educação brasileira: dar o bolo pronto!

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Tempos atrás circulou pelas redes sociais uma prova aplicada na 4ª Série do Primário na década de 1970. Sim, houve um tempo em que a situação da educação brasileira era bem diferente da atual: professores com muito conteúdo e alunos com disposição para o aprendizado. Abaixo, apenas a primeira questão da prova[1]:

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Os livros, quanto mais antigos, menos imagens dispõe, sem contar que eram pouco esquematizados. Claro que não é possível comparar os avanços gráficos na produção de materiais didáticos das últimas décadas, mas não parece um apontamento a ser ignorado: para calcular a área de um cubo, era então necessário que o aluno imaginasse um cubo, e para tanto é necessário um mínimo de esforço mental. Que trabalho de imaginação é preciso quando se tem a imagem pronta?

Ainda, a imagem tem um papel determinante para as impressões que os estudantes guardam sobre a matéria. Quando o tema é energia nuclear, por exemplo, o que vem na memória dos estudantes (e das pessoas formadas a partir dessa concepção) senão Chernobyl? Embora tenha acontecido há muitos anos, e raríssimos são os acidentes com energia nuclear no mundo, poucos são aqueles que defendem o seu uso como fonte de energia alternativa. Os livros circularam com fotos do desastre de Chernobyl, e a ideia agiu como um vírus sem cura sobre o imaginário popular. Mesmo para aqueles que desconhecem os benefícios da energia nuclear, só a lembrança daquelas imagens contidas nos manuais escolares causa verdadeira repulsa à ideia.

c2

(Imagem: Gerry)[2]

É preciso apelar às razões do texto: Guerra do Vietnã. Até mesmo os professores de História desconhecem as nuances do evento, mas uma coisa é certa:  a imagem do fotógrafo Nick Ut, da Associated Press, que ganhou muitos prêmios internacionais, foi difundida nos manuais escolares, sem contar a reprodução em proporções logarítmicas nos veículos de informação. Basta a palavra “Vietnã” aparecer, que a imagem correspondente não é outra senão esta:

c3

As áreas do conhecimento estão politizadas. Direito: qual jurista pode se atrever a criticar as políticas de direitos humanos? Economia: praticamente reduzida à questão da desigualdade social. Medicina: o que afinal é um feto? Sociologia: violência é culpa da sociedade. Isso apenas para citar exemplos – e de forma muito reduzida.

O aluno que vai prestar a prova do Enem (ou de qualquer vestibular pelo Brasil) é obrigado a se posicionar sobre o tema proposto: concorda ou discorda(?), é certo ou errado (?), é a favor ou contra (?). De pouco vale os argumentos, desde que se posicione. Como pode um estudante debater a questão da legalização das drogas se nem mesmo os especialistas chegaram a um consenso? Há apontamentos razoáveis em todos os lados. Como apontou um professor acerca da prova do Exame Nacional: “Enem exige do aluno um posicionamento politicamente correto. Homofobia, xenofobia e racismo são temas intoleráveis para o Enem”[3].

Abaixo, é possível observar o conteúdo de três das questões da prova de “Ciências Humanas e suas Tecnologias” do ENEM aplicado em 2015.[4] As demais, com poucas variações, compõem-se do mesmo caráter de diretrizes curriculares já estabelecidas pelo MEC e nos manuais escolares em geral:

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A proliferação da luz elétrica certamente mudou o comportamento da sociedade. No entanto, a questão não foi direcionada para as melhorias das condições de vida, mas para o aumento da jornada de trabalho, exalando marxismo. Resposta: letra E.

c5

Nesta questão, a interpretação deverá favorecer o ponto de vista dos colonizados (os índios). Para a banca, não poderia haver outra resposta senão a “incompreensão dos valores socioculturais indígenas pelos portugueses” (letra D).

c7

O socialismo nunca pode faltar numa prova do ENEM, como observa-se acima. Mesmo que a economia socialista já tenha sido refutada ainda na década de 1930, o exame insiste na necessidade moral da “extinção gradual das classes sociais” (letra E).

O Guia de Redação da Editora Abril de 2017 ensina as etapas para escrever um bom texto: 1) Leia a proposta com atenção; 2) Construa a tese; 3) Organize suas ideias; 4) Selecione os argumentos; 5) Estruture o texto; 6) Revise sua redação. Está certíssimo, porque é assim que se resolve um problema com tempo cronometrado. Mesmo assim, que condições os estudantes têm de defender suas “teses” sobre assuntos que pouco tempo foi investido estudando? Para se chegar a alguma conclusão, um pesquisador sério muitas vezes precisa de uma vida inteira de pesquisas, muitos e muitos anos verificando sua estrutura de dados.

Os temas atualmente cobrados são inúmeros, de alta complexidade, sem consenso entre os estudiosos, muitos ainda em debate no Supremo Tribunal Federal. Por que os estudantes são obrigados a se posicionar sem ao menos tê-los estudado adequadamente? No entanto, e de forma criminosa, temas polêmicos estão sendo introduzidos nos currículos escolares, com argumentos prontos, inseridos no imaginário como programas de computador. O aluno não precisa nem pensar: basta que os argumentos “politicamente corretos” sejam reproduzidos, já aliciados com imagens.

Não é possível negar a politização do saber, basta analisar as estruturas curriculares em todas as esferas do ensino brasileiro. As escolas e as universidades estão formando máquinas de reproduzir argumentos embalados, sem espaço para reflexão, nem mesmo para estudo aprofundando. Como pode um estudante fazer a receita se já estão dando o bolo pronto?

[1] Esta e as demais questões poderão ser encontradas neste link: http://sergiorbtorres.blogspot.com.br/2016/02/voce-consegue-fazer-uma-prova-da-quarta.html. Acesso em 23/03/2017.

[2] http://revistagalileu.globo.com/Sociedade/noticia/2015/04/desastre-nuclear-na-usina-de-chernobyl-completa-29-anos.html. Consulta em 11/03/2017.

[3] Enem 2014 #21: Dicas em 1 minuto para uma prova politicamente correta. Disponível em: http://g1.globo.com/educacao/enem/2014/noticia/2014/10/enem-2014-21-dicas-em-1-minuto-para-uma-prova-politicamente-correta.html. Acesso em 23/03/2017.

[4] Exame Nacional do Ensino Médio. Prova de Ciências Humanas e suas Tecnologias. 1º dia. Caderno 1 Azul. Disponível em:

http://download.inep.gov.br/educacao_basica/enem/provas/2015/CAD_ENEM%202015_DIA%201_01_AZUL.pdf. Acesso em 24/03/2017.

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Nicolau agora ataca Procuradoria Geral do Município: “É um atraso”

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Críticas à PMG de Passo Fundo acaba em discussão na Câmara. Petismo ataca novamente

Na Sessão Plenária do dia 18 de maio de 2022, Regina dos Santos (PDT) discutir recente projeto de autoria do Poder Executivo Municipal sobre a alteração do plano de carreira dos professores municipais.

Aproveitando a deixa, o petista Nicolau Neri Grando (PT) tira o foco do tema para tecer críticas à Procuradoria Geral do Município. De acordo com o parlamentar, os processos que passam pelas mãos da Procuradoria acabam atrasando o andamento: É um atraso em todos os processos que passam pela PGM”.

Wilson Lill (PSB), em seguida, manifestou o equívoco na fala de Gomes, pois apontou que em todos os processos a Procuradoria avalia o melhor caminho e busca encontrar soluções. Para ele, não é um debate de minutos, mas uma construção de diálogo que muitas vezes demandam meses de debates e alterações.

Nharam (União Brasil) pontuou: “A PGM não é um time invasor de terras lá do MST”. Janaína Portella (MDB), que em outra oportunidade já fez parte da PGM, disse que a análise segura dos pareceres jurídicos emitidos pela Procuradoria são imprescindíveis para a tomada de decisão dos gestores públicos. Nharam segue: “O senhor me envergonha com essas colocações. Acha que está falando do STF?!?”

Permitindo aparte, Gomes manifestou a intenção da sua fala referente à PGM:

 

 

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Mateus Wesp e outros casos de Fake News em Passo Fundo

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Fake News se tornou um verbete comum no cenário político desde que Donald Trump o proferiu em alto em bom som, bem na cara da imprensa norte-americana. De lá para cá, como tudo que o ex-presidente americano faz ganha repercussão, esse ponto não ficaria para trás. Fake News são informações falsas com a intenção de enganar. Não é um engano culposo, mas doloso. Há intenção de enganar o público, apenas para marcar a narrativa.

Quando nos deparamos com as redes sociais de muitos políticos pelo Brasil afora, podemos ter a falsa impressão de que eles estão, de fato, resolvendo uma série de problemas da nossa sociedade, fazendo pautas importantes avançarem. Não é bem por aí…

“Encaminhamos um pedido de providência”

Vamos dar um exemplo do que ocorre em Passo Fundo. Ao ler “Encaminhamos um pedido de providências a respeito de…”, é comum ao leitor pensar que o problema está (ou num curto espaço de tempo estará) resolvido.

Um pedido de providência não passa de um encaminhamento, na maioria das vezes realizado pelos gabinetes dos vereadores, solicitando que o Poder Executivo Municipal realize determinada obra ou demanda de uma comunidade.

Se procurar, os pedidos de providência vão de trocas de lâmpadas até paz mundial (ok, estamos exagerando). Asfalto, pintura, limpeza de praças… por aí vai. Um vereador, neste ponto, acaba refém das próprias limitações que a lei lhe impõe. A execução de obras, enfim, é atividade do Executivo. Vereador legisla e fiscaliza (ou deveria fiscalizar).

Pedido de providência é um tipo de publicidade enganosa

Sobre pedidos de providência, muitos vereadores fazem a festa. Não queremos citar ninguém em especial. Infelizmente, poucos escapam dessa publicidade (enganosa) nas redes sociais.

Não estamos querendo dizer que o público está sendo dolosamente enganado: na verdade, o vereador faz o que a lei permite. Os pedidos, portanto, são realmente encaminhados.

O que dá a entender, por outro lado, é que o assunto está resolvido. Na maioria das vezes não está.

“Aprovamos um projeto”

Quando um político afirma “Aprovamos um projeto de minha autoria”, todo cuidado também é pouco. É difícil estimar precisamente, mas a falta de eficácia das leis no Brasil não é assunto para amadores. Talvez a vocação nacional seja descumprir leis. Não é de todo culpa do nosso povo: o nosso universo legislativo é um oceano inabarcável de normas.

Nesse sentido, uma parte considerável das leis aprovadas são “leis pra inglês ver”: elas existem no papel, mas não mudam a vida da população em nada (ou muito pouco). Lei aprovada, entendam, é papel; sua execução, é outra coisa.

Ao longo dos anos de trabalho na Lócus, foram inúmeras as referências que fizemos nesse sentido. Quase toda semana um vereador sobe na tribuna e reclama da falta de cumprimento de leis aprovadas. Para citar um único exemplo, da legislatura passada:

Toson abriu seu Grande Expediente fazendo uma críticas às cobranças recebidas pelos parlamentares sobre o número de leis propostas. Para o vereador, trata-se de uma distorção realizada sobre o trabalho legislativo.

No Brasil, conforme dados apresentados, há mais de 5 milhões de leis em vigor, segundo um estudo da Fiesp. Para Toson, há uma ideia de que, ao se criar uma lei, magicamente o problema estará resolvido no dia seguinte. Isto prova que, para a resolução de um problema da sociedade, a lei é apenas uma etapa, não o processo completo.

Para o parlamentar, a lei acaba sendo uma espécie de abstração para se criar uma ilusão que o problema está sendo solucionado, o que é muito distante da realidade. De acordo com um dos exemplos citados, há a lei que proíbe o consumo de bebidas alcoólicas nas ruas de Passo Fundo. O projeto havia sido proposto como forma de coibir as constantes denúncias de algazarras nas ruas do Município. O problema, no entanto, permanece. 

Projetos em andamento: o marketing político desnecessário

Projetos em andamento também podem causar uma série de enganos no público. Veja, a seguir, recente postagem do deputado estadual Mateus Wesp (PSDB):

O que significa dizer que “um projeto foi aprovado numa comissão”? Nada além de que a pauta está tramitando, mas o caminho pode ser ainda longo (isso se for aprovado, é claro).

Nessa postagem de Wesp, o público percebe a notícia de outra forma, como se parte do problema já estivesse resolvido, mas não está.

Provavelmente esse projeto nem seja aprovado nesta legislatura. Pode ser que Wesp nem se reeleja deputado estadual. Pode ser que esse projeto reste engavetado. Pode ser que esse projeto seja esquecido. Pode ser que seja submetido à votação: pode ser aprovado ou não. Se for aprovado, pode ser que o Governador vete. Se vetar, os deputados poderão ou não derrubar o veto. Conseguem perceber parte do problema?

Por isso, não sejam enganados por postagens de políticos nas redes sociais. A palavra “lei”, no Brasil, está banalizada desde que éramos uma monarquia. Faça um favor a si mesmo e pare de ser enganado por esse tipo de postagem. E sobretudo pare de ser enganado por alguém com cara de bom moço, que fala bonito e que não tira o terço do pulso.

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Duas emendas impositivas de Eva Lorenzato são para compra de absorventes

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A petista segue a cartilha que ganhou coro nos últimos meses Brasil afora, falando em “pobreza menstrual”

A vereadora Eva Lorenzato (PT) protocolou duas emendas impositivas ao orçamento municipal para compra de absorventes para distribuição à população mais carente da cidade, além da promoção de uma campanha de conscientização quanto ao problema da pobreza menstrual. De acordo com a parlamentar:

“Com a renda per capita do povo pobre sendo de até R$ 87 por mês, se você é mãe, vai optar entre comprar um pacote de absorvente por R$ 15 ou comprar leite para seus filhos?”

Em matéria divulgada pela equipe de comunicação da Câmara de Vereadores de Passo Fundo, relata-se a trajetória da vereadora na abordagem deste tema. Veja mais em: VEREADORA DEFENDE A DESTINAÇÃO DE VERBA PARA COMPRA DE ABSORVENTES

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