Conteúdos de formação global: uma seleção de temas que toda prova “politicamente correta” deve ter

Conteúdos de formação global: uma seleção de temas que toda prova “politicamente correta” deve ter[1]

Uma série de mudanças na história, sobretudo na primeira metade do século XX, fruto do industrialismo e dos conflitos bélicos que assolaram a humanidade, fizeram surgir espaços para doutrinas de cunho socialista, influenciadas pelo pensamento marxista e pelo movimento comunista[2].[3] A partir dessas ideologias sociais, que ganharam vozes com grupos de artistas e intelectuais, além dos demais fascinados pelas “promessas” de melhorias das condições de vida como um todo, promoveram conflitos ideológicos e transformações culturais que nada fizeram além de degradar os valores que por séculos foram conservados. A revolução cultural em curso nada tem feito além de esculhambar a cabeça de muitos indivíduos[4]: trata-se de um processo de modificação do senso comum ao ponto em que as pessoas perdem a noção do que é certo ou errado, sobretudo do ponto de vista ético e moral.

Para melhor ilustrar como esse processo de mudança de consciência acontece, no livro “Ten ways to destroy the imagination of your child”, Anthony Esolen[5] mostra como é possível converter as crianças em mão de obra do Estado, submissas e sem consciência para questionar a ordem imposta. Nesse sentido, percebe-se que o Estado tem realizado uma série de esforços para tomar conta da sociedade, tirando das pessoas a capacidade de tomar conta de si mesmas. Basta que se olhe para a Constituição Federal de 1988: a criação de direitos gerou uma conta impossível de ser paga, nem mesmo com a alta arrecadação de impostos atual.

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No trabalho de Esolen, dentre os métodos expostos, ele mostra que, ao manter as crianças fechadas pelo máximo tempo possível, destruirá seu interesse pelos elementos do mundo, tirando, além disso, todos os riscos físicos a fim de preservar a sua integridade, evitando que as crianças encontrem respostas para as adversidades da vida, pois estarão sempre protegidas. Ainda, é necessário que jamais se deixem as crianças sozinhas, pois desenvolverão a necessidade de proteção constante, impedidas de desenvolver a capacidade de se autogerir e de desenvolver o hábito competitivo.

Para acabar com a imaginação, é preciso substituir os contos de fadas por clichês políticos, e rechear a literatura com personagens prontos e sem qualquer complexidade, sem qualquer motivação em seguir costumes. É o mesmo que acontece com as novelas, que são capazes de gerar tendências de consumo e mudanças no pensamento coletivo acerca de assuntos variados. Veja:

Por fim, é fundamental que se negue o transcendente, pois isso irá reforçar o poder do materialismo, afirmando que a vida sem matéria não significa nada. Ou seja, a ideia de Deus é cada vez mais abominada, o que torna o homem, assim como os bens que ele consome, apenas um produto descartável da sociedade pós-moderna.

As medidas acima apresentadas no trabalho de Esolen foram realizadas pelo Nazifascismo, “um filho bastardo do comunismo”. O caminho encontrado por Mussolini e Hitler para a implementação da revolução em seus respectivos países foi o mesmo, apenas com palavras diferentes. Lenin e Stalin apresentaram o comunismo como um projeto de tomada de poder pelos trabalhadores; já Hitler e Mussolini levantaram a bandeira do patriotismo, na força de vontade do homem, no conceito de raça superior. Apenas mudaram o “marketing” de acordo com a época e o lugar.

Sob a lógica burguesa, há diferença entre o certo e errado, do ponto de vista ético e moral, sobretudo pelo fato de que a vida em sociedade está atrelada ao eixo familiar a que se compõe. Para o marxismo ser compreendido, contudo, é preciso ignorar a verdade que determine um modo certo de agir. Para isso, não é necessário ter uma opinião clara sob qualquer tema: se algo ajuda na revolução, é certo e favorável; quando não ajuda, abominam e transformam o pensamento num ato de imposição e barbárie. É o marxismo um sistema racional versátil, revolucionário e dialético.[6]

Muitos temas polêmicos acabam constituídos de debates vazios, politicamente corretos, repletos de ideias prontas e sem oportunidade de contrariá-las, como alguns exemplos abaixo[7]:

  • Meio ambiente: desastres ambientais, aquecimento global, alterações climáticas, acordos internacionais, redução da emissão de gases, desmatamento, poluição do meio ambiente, reciclagem;
  • Corrupção: políticos, políticos e políticos (nessas horas é preciso ignorar o restante da cultura nacional);
  • A necessidade de dar as boas-vindas aos refugiados (esquecendo o genocídio contra os cristão ao redor do mundo, pois isso até mesmo o Vaticano faz questão de ignorar em nome da “paz mundial”.);
  • Mulher: igualdade de gênero, luta pelos mesmos direitos, violência contra a mulher, violência doméstica, igualdade salarial, tráfico humano, violência física, psicológica, moral e sexual;
  • Intolerância: machistas, golpistas, islamofôbicos, homofobia, violação dos direitos humanos, igualdade de gênero, casamento gay, cotas, legalização das drogas;
  • Direitos: educação, saúde, alimentação, trabalho, moradia, transporte, lazer, segurança, previdência social, proteção à maternidade e à infância, assistência aos desamparados, esporte, etc.

Isso não acontece apenas nas escolas e nas universidades. Abaixo, dois seminários realizados pela Ordem dos Advogados do Brasil no estado do Rio Grande do Sul:

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Se a sociedade não começar a atuar dentro deste cenário, impedindo que um coro de verdadeiros histéricos sejam a voz e os formadores de opinião, o mundo se tornará um verdadeiro hospício. Como apontou Bruno Latour:

Estamos cansados dos jogos de linguagem e do eterno ceticismo da desconstrução dos sentidos. O discurso não e um mundo em si, mas uma população de actantes que se misturam tanto as coisas quanto as sociedades, que sustentam ambas, e que as mantem. O interesse pelos textos não nos afasta cia realidade, já que as coisas também tem direito a dignidade de serem textos. Quanto aos textos, por que negar-Ihes a grandeza de serem a laço social que nos mantem juntos?[8]

É preciso impedir que jogos de linguagem destruam a compreensão da realidade, pois poderá chegar o dia em que uma pessoa será presa e calada por simplesmente dizer a verdade (infelizmente, em determinados ambientes, isso já acontece). Coloquem-se os pingos nos ii, porque em muitos casos pessoas sãs precisam comprovar a sua sanidade diante de uma comissão de verdadeiros loucos.

Notas:

[1] Parte desta análise teve como base minha dissertação de Mestrado em Direito: CAVAZZOLA JUNIOR, C. A. O Direito como Experiência: A Construção da Individualidade do Homem Frente à Sociedade, ao Estado e às Instituições. Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS), Programa de Pós-Graduação em Direito, São Leopoldo/RS, 2015.

[2] “MUITAS VEZES O LEITOR JÁ DEVE TER-SE PERGUNTADO como é possível que tantas pessoas, aparentemente racionais, amem e aplaudam os governos mais perversos e genocidas do mundo e se recusem a enxergar a liberdade e o respeito de que elas próprias desfrutam nas democracias ocidentais, ao mesmo tempo que continuam acreditando, contra todas as evidências, que são moral e intelectualmente superiores aos que não seguem o seu exemplo.

“Hoje em dia essas pessoas, no Brasil, são a parcela dominante no governo, no Parlamento, nas cátedras universitárias, no show business e na mídia. A presença delas nesses altos postos garante a este país setenta mil homicídios por ano, o crescimento recorde do consumo de drogas, o aumento da corrupção até a escala do indescritível, cinquenta por cento de analfabetos funcionais entre os diplomados das universidades e, anualmente, os últimos lugares para os alunos dos nossos cursos secundários em todos os testes internacionais, abaixo dos estudantes de Uganda, do Paraguai e da Serra Leoa. Sem contar, é claro, indícios menos quantificáveis, mas nem por isso menos visíveis, da deterioração de todas as relações humanas, rebaixadas ao nível do oportunismo cínico e da obscenidade, quando não da animalidade pura e simples.” In: CARVALHO, Olavo de. Prefácio. In: LOBACZEWSKI, Andrew. Ponerologia: Psicopatas no Poder. Tradução de Adelice Godoy. Com prefácio de Olavo de Carvalho. Vide Editorial, 2014, p. 6. Versão online disponível em: < http://minhateca.com.br/Rita.Viviane/Livros+em+PDF/Ponerologia_+Psicopatas+no+Pode+-+Andrew+Lobaczewski,154690689.pdf>, consulta em 09/01/2015.

[3] Sobre a questão do totalitarismo, vale destacar a importância da leitura de Louis Dumont sobre o tema. Para isso, ver: DUMONT, Louis. A doença totalitária: individualismo e racismo em Adolf Hitler. In: Ensaios sobre o individualismo: uma perspectiva antropológica sobre a ideologia moderna. Tradução de Miguel Serras Pereira. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1992, p.151-180.

[4] Um dos trabalhos nos quais possui como referência uma série de documentos lançados e decididos não só em órgãos ministeriais, como também por organizações internacionais, e que estão sendo propagados descaradamente em todos os ambientes, sobretudo culturais, pode ser encontrado no livro “Maquiavel Pedagogo”, de Bernardin Pascal. Entre as ideias expostas, pode-se destacar as seguintes:

“A nova ética não é outra coisa senão uma sofisticada reapresentação da utopia comunista.” (p. 9).

“A partir de uma mudança de valores, de uma modificação das atitudes e dos comportamentos, bem como de uma manipulação da cultura, pretende-se levar a cabo a revolução psicológica e, ulteriormente, a revolução social.”(p. 9)

“Ademais, o nível escolar continuará decaindo, o que aliás não surpreende, já que o papel da escola foi redefinido e que sua missão principal não consiste mais na formação intelectual, e sim na formação social das crianças; já que não se pretende fornecer a elas ferramentas para a autonomia intelectual, mas antes se lhes deseja impor, sub-repticiamente, valores atitudes e comportamentos por meio de técnicas de manipulação psicológica. Com toda nitidez, vai-se desenhando uma ditadura psicopedagógica.” (p. 12)

“Consciência mundial: a emergência da educação mundial e da educação para o desenvolvimento. Presentemente, no norte como no sul, os educadores começam a reconhecer a necessidade de considerar a educação numa perspectiva mais mundial. Os programas de educação para o desenvolvimento e de educação mundial contribuem para inculcar nos alunos uma atitude mundialista, ensinando- lhes principalmente a reconhecer e a evitar os preconceitos culturais e a encarar com tolerância as diferenças étnicas e nacionais. Esses programas se esforçam por vincular os grandes problemas às realidades de caráter mundial, principalmente as questões concernentes ao meio ambiente, à paz e à segurança, à dívida internacional, às medidas contra a pobreza, etc., em todos os conteúdos específicos da educação fundamental.” (p. 70.) In: BERNARDIN, Pascal. Maquiavel Pedagogo – ou o ministério da reforma psicológica. Tradução de Alexandre Müller Ribeiro. Campinas, SP: Vide Editorial, 2013.

[5] ESOLEN, Anthony. Ten ways to destroy the imagination of your child. 1. Ed. Wilmington: ISI Books, 2010.

[6] Para Pascal Bernardin: “A nova ética não é outra coisa senão uma sofisticada reapresentação da utopia comunista. O estudo dos documentos em que tal ética está definida não deixa margem a qualquer dúvida: sob o manto da ética, e sustentada por uma retórica e por uma dialética frequentemente notáveis, encontra-se a ideologia comunista, da qual apenas a aparência e os modos de ação foram modificados. A partir de uma mudança de valores, de uma modificação das atitudes e dos comportamentos, bem como de uma manipulação da cultura, pretende-se levar a cabo a revolução psicológica e, ulteriormente, a revolução social. Essa nova ética faz hoje parte dos programas escolares da França, e é obrigatoriamente ensinada em todos os níveis do sistema educacional.” In: BERNARDIN, Pascal. Maquiavel Pedagogo – ou o ministério da reforma psicológica. Tradução de Alexandre Müller Ribeiro. Campinas, SP: Vide Editorial, 2013, p. 9-10.

[7] O trabalho de Pascal Bernardin é imprescindível para a compreensão do tema: BERNARDIN, Pascal. Maquiavel Pedagogo – ou o ministério da reforma psicológica. Tradução de Alexandre Müller Ribeiro. Campinas, SP: Vide Editorial, 2013.

[8] LATOUR, Bruno. Jamais fomos modernos: ensaio de antropologia simétrica. Tradução de Carlos Irineu da Costa. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1994, p. 89.

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