Se a educação está doente, há de se falar na cura

As instituições de ensino atuais estão muito longe de idealizar o conhecimento. Não é de hoje que, de forma cada vez mais evidente, se tratam de ambientes de cumprimento de rotinas burocráticas, obrigações legais, além de distribuidoras de diplomas. Há insistente demanda por dados, para que a educação seja apresentada em números, mas poucas saídas para a questão qualitativa do panorama.

O Brasil em Síntese, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), reúne informações que permitem traçar um panorama nacional sob a forma de gráficos e tabelas, apresenta dados sobre território, população, educação, trabalho, habitação, agropecuária, indústria, comércio, serviços e contas nacionais.[1] A educação é mais um dos temas investigados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD, que capta anualmente dados para acompanhar a evolução dessa área no país:

No período de 2007 a 2014 foi mantida a tendência de declínio das taxas de analfabetismo e de crescimento da taxa de escolarização do grupo etário de 6 a 14 anos e do nível de educação da população. O diferencial por sexo persistiu em favor da população feminina.

O nível de instrução cresceu de 2007 para 2014, sendo que o grupo de pessoas com pelo menos 11 anos de estudo, na população de 25 anos ou mais de idade, passou de 33,6% para 42,5%. O nível de instrução feminino manteve-se mais elevado que o masculino. Em 2014, no contingente de 25 anos ou mais de idade, a parcela com pelo menos 11 anos de estudo representava 40,3%, para os homens e 44,5%, para as mulheres.[2]

 

Abaixo, alguns dados que reiteradamente são apresentados:

 

Não são dados escandalosos, muito pelo contrário. O Brasil possui taxas de alfabetização de dar inveja, embora muitos países já tenham erradicado o analfabetismo.

Mesmo assim, não há motivos de alegrias. Infelizmente, são apenas números. Não são poucos os que lutam para que mais investimentos sejam realizados na área e que mais instituições de ensino sejam abertas, sobretudo de nível superior. Entretanto, o número de instituições e de cursos de nível superior, com dados dentre os anos de 1970 a 2004, apresentam os seguintes dados:

 

 

De acordo com o Censo da Educação Superior de 2015, 8.033.574 alunos estão matriculados no ensino superior, superando a estatística de 2014 em 2,5%, quando havia 7.839.765 matriculados. São ofertados 33 mil cursos de graduação em 2.364 instituições de ensino superior.[3]

Se dos números não há motivos para reclamar, isto é, quantativamente, não são poucas as queixas no aspecto qualitativo. Os trabalhos que estão sendo realizados são apenas com finalidades escolares, plantando feijão no algodão, mas sem qualquer relevância científica.

É geração após geração dando verdadeiro show de covardia, sem valores e suporte intelectual. A cultura superior desapareceu e o que se vê não inúmeros sujeitos que se escondem atrás de diplomas, como se isso fosse uma garantia de saber.

Se cada vez fica mais claro que não existe um modelo de educação universal, que possa alcançar todas as pessoas, quando finalmente será possível expor as feridas para que seja possível curá-las?

 

Notas:

[1] Altos índices de desistência na graduação revelam fragilidade do ensino médio, avalia ministro. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/component/tags/tag/32044-censo-da-educacao-superior> Acesso em 25/05/2017.

[2] O banco de dados completo pode ser encontrado em: <http://brasilemsintese.ibge.gov.br/>. Acesso em 10/04/2017.

[3] Disponível em: <http://brasilemsintese.ibge.gov.br/educacao.html>. Acesso em 10/04/2017.

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