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Cultura

Por que a Globo não aplica para José de Abreu, Fábio Assunção e José Mayer o critério de demissão usado com William Waack?

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Depois de afastado provisoriamente da bancada do Jornal da Globo, William Waack teve seu contrato finalmente reincidido. O fato se deu depois do vazamento de um vídeo de bastidores no qual o jornalista fez uma suposta injúria racial contra um motorista que passava buzinando próximo ao estúdio da Rede Globo em Washington.  Era obvio que, desde que Renata Lo Prete leu o duro comunicado da emissora sobre o episódio, ele não voltaria para o noticiário da casa.

Quem demitiu Waack não foi o público, mas o politicamente-correto que tomou a Rede Globo de assalto e agora define o conteúdo e a pauta de quase todas as suas atrações. Em artigo publicado no jornal Gazeta do Povo, o professor de filosofia e escritor Paulo Cruz argumentou que a fala de Waack, ainda que estúpida, não o torna racista, e que ela é apenas fruto de parte do imaginário brasileiro há mais de um século. De modo que toda a reação ao episódio foi forçada por militantes influentes que queriam se livrar do apresentador, um jornalista que foge da média esquerdista de seus colegas.

Podcast Lócus 4: Paulo Cruz considera que a influência do discurso racialista está na base do afastamento de William Waack

É óbvio que a Rede Globo ajudou a emporcalhar a reputação de Waack, não lhe dando  nenhum meio para se justificar ou pedir desculpas por sua declaração infeliz. Não foi assim que ela procedeu com outras estrelas da casa metidas em episódios no mínimo embaraçosos.  Figuras como José de Abreu, Fabio Assunção e José Mayer continuam empregados e bem pagos pela emissora.

Se o um xingamento sem alvo específico vale demissão, o que falar de arruaça em público com direito a cusparadas? Foi assim que José de Abreu reagiu ao ser abordado por populares que o cobraram sobre seu contínuo apoio ao PT. Em meio a um berreiro, tascou dois perdigotos em um casal que frequentava o mesmo restaurante em que se encontrava. Tudo o que a Globo fez em relação ao caso foi lhe arranjar espaço no Domingão do Faustão para ele falar à vontade, inclusive espezinhando os anônimos alvos de sua agressão.

Se um xingamento sem alvo específico vale demissão, o que falar de prisão por desacato e dano ao patrimônio público? Em Arcoverde, no Pernambuco, Fabio Assunção, agora filiado ao PT, foi levado pela polícia depois de se envolver em uma briga no pátio de eventos da cidade. Algemado e colocado na viatura, passou a ofender os policiais e transeuntes, além de quebrar o vidro do carro. Tudo o que a Globo fez em relação ao caso foi exigir dele que se tratasse do vício em álcool e drogas ilícitas.

Se um xingamento sem alvo específico vale demissão, o que falar de assédio sexual de funcionária? Em relato público, a figurista Su Tonani acusou José Mayer de constantemente submetê-la a flertes indecentes e inoportunos, além de enfiar a mão em sua genitália na frente de outras pessoas. Em resposta, Mayer divulgou uma cartinha oportunista admitindo os atos e pedindo desculpas por seu comportamento. Tudo o que a Globo fez em relação ao caso foi ler a manifestação de Mayer no programa Vídeo Show e afastá-lo por uns meses de suas produções. Sua volta às telinhas está prevista para 2018.

De todos os casos listados, fica evidente que o menos grave foi o de William Waack. Foi ele, entretanto, o escolhido para purgar por seus pecados, e sem direito de participar do programa do Faustão. Sua saída só prejudica o departamento de jornalismo da Globo, cada vez mais carente de nomes realmente preparados. Waack, por outro lado, não terá dificuldade de arrumar emprego na concorrência. A emissora dos Marinho que fique com seus escarradores, viciados  e assediadores de estimação. Que faça bom uso deles no seu padrão Globo de relativismo moral.

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