Chuchu com café frio

Geraldo Alckmin, que amarga entre 6% e 8% em todas as pesquisas de intenção de voto, parece empenhado em perder o apoio até mesmo dessa pequena fração do eleitorado. Nas últimas semanas, pressionado por aliados a reagir, o tucano deu início oficial a sua propaganda nas redes sociais. O resultado é a atualização dos piores momentos de suas campanhas anteriores.

Além da fracassada tentativa de puxar Jair Bolsonaro para um debate sobre segurança pública, Alckmin claramente copiou seu adversário ao produzir um vídeo de aeroporto no qual aparece sendo recepcionado por apoiadores. Portando uma pastinha, ele é abordado por alguns militantes gritando “Brasil para frente, Geraldo presidente!”. Os pedidos de selfies, tapinhas nas costas e abraços parecem todos coreografados, como se a multidão de meia duzia estivesse a encenar uma exultação.

Outra iniciativa foi colocar o ex-governador de São Paulo para falar com o povão. Em uma série de vídeos intitulados “Café com Alckmin”, o pré-candidato aparece em um boteco tomando café e dialogando com taxistas, professores e “gente comum”. A coisa até poderia funcionar se a conversa toda não parecesse ter saído da leitura de um teleprompter. As perguntas, bem como as respectivas respostas de Alckmin, soam forçadas. Isso para não mencionar o conteúdo, repleto de generalidades. Surpreende que os interlocutores do tucano não caiam de sono em cima da xícara.

O PSDB parece não ter aprendido com suas quatro derrotas anteriores. Alckmin não é um político incompetente. Os números do Estado que governou por quatro vezes demonstram isso. São Paulo, nas mais diversas áreas, foge da realidade brasileira. O arcabouço de resultados e realizações poderia servir para amparar sua campanha. Tudo é desperdiçado pela linguagem excessivamente artificial que parece a reprodução exata da falta de personalidade do pré-candidato.

Ainda que tenham posicionamentos e posturas distintas, Lula, Ciro Gomes e Bolsonaro extravasam carisma. Alckmin, por outro lado, é um sujeito contido. Querer imputar-lhe carisma por meio de publicidade apenas ressalta seu desconforto em interpretar alguém que ele não é. O PSDB quer vencer uma eleição presidencial servindo chuchu com café frio.

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