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A MÁQUINA DE DESTRUIÇÃO DE REPUTAÇÕES ATINGE ROGER SCRUTON

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Quando uma imprensa moralmente corrupta e uma esquerda vingativa se unem para enfrentar um filósofo brilhante e um governo fraco, quem perde é a verdade. Roger Scruton, 74 anos, está sendo sordidamente atacado pelo establishment político e midiático e sua carreira pública pode ser encerrada caso o governo inglês ceda às pressões.

APELO AOS LEITORES DESTE ARTIGO: Por favor, peço a todos os admiradores e leitores do Roger Scruton que demonstrem sua solidariedade ao filósofo inglês se inscrevendo na sua conta oficial do Twitter e no seu novo canal oficial do Youtube. Compartilhem, curtam e deixem a sua mensagem de solidariedade, mesmo que seja em português, no seu pronunciamento oficial divulgado pelo Twitter (clique aqui). Inscreva-se também na Newsletter oficial através do website do Roger Scruton: www.roger-scruton.com.

Twitter: twitter.com/Roger_Scruton

Youtube: https://www.youtube.com/channel/UCt0P4bTgLKQSJyvrzDc6V4g

No último sábado, dia 3 de novembro, o filósofo conservador inglês Roger Scruton foi escolhido como Presidente da nova comissão governamental ‘Building Better, Building Beautiful’ (‘Construindo Melhor, Construindo Bonito’). Nas palavras do Secretário de Habitação do governo de Thereza May, James Brokenshire, um dos objetivos da Comissão é “desenvolver uma visão e medidas práticas para ajudar a assegurar que novos empreendimentos habitacionais atendam às necessidades e às expectativas das comunidades, tornando-os mais propensos a serem bem-vindas do que resistidas”. Como Presidente, Roger Scruton será um dos responsáveis pela elaboração de planos que servirão como base para a construção de novos empreendimentos habitacionais, respeitando aspectos estéticos e as necessidades específicas de cada localidade.

Roger Scruton

Assim que foi indicado para essa posição, que é não remunerada, parlamentares do Partido Trabalhista, alimentados por fontes de blogs de esquerda, reagiram exigindo do governo a demissão imediata de Roger Scruton. O primeiro a se manifestar foi Wes Streeting que na terça-feira, dia 6, acusou o filosofo de antissemita. Para o parlamentar, a prova de que Scruton é antissemita é que ele disse, em uma palestra dada em 2014, que “muitos dos intelectuais de Budapeste são judeus e fazem parte das extensas redes em torno do Império Soros”. O segundo crime de Roger Scruton, de acordo com Wes Streeting, é ser amigo do Primeiro Ministro da Hungria, Viktor Orbán, que é de direita. John Healey, também do Partido Trabalhista, no mesmo dia tweetouVocê pode explicar isso, James Brokenshire?” com um link para o site esquerdista The Red Roar que foi o primeiro veículo a fazer as denúncias.

O establishment midiático então começou a sua cruzada. Às acusações de antissemitismo, se juntaram a de islamofóbico, misógino, homofóbico e até de defensor da eugenia. No The Guardian, a jornalista Zoe Williams – jornalista que em 2015 apoiou abertamente Jeremy Corbyn – escreveu: “Roger Scruton – não é um estranho à intolerância e é um amigo dos Conservadores”. Zoe ainda reiterou que Scruton é antissemita e acrescentou que o filósofo é “anti-islâmico”, acusando-o de querer “reatar culpa à homossexualidade”. O Mirror listou mais dois crimes na lista de Roger Scruton: ter elogiado o Vlaams Belang, partido de direta da Bélgica, por estarem dispostos a defender a cultura nacional e combater as acusações de islamofobia, e ter dado uma palestra, em 2015, para o Traditional Britain Group – grupo que promove valores nacionais, o que para o establishment é um pecado imperdoável. O Independent, já no subtítulo, afirma que Roger Scruton é um “filósofo controverso” e, sem perceber a ironia, transcreve um trecho de um comentário para a BBC Radio 4 em que ele foi profético: “Desvie minimamente da ortodoxia, e você será acusado de homofobia e, embora isso ainda não seja um crime, vem acompanhada, especialmente para aqueles com cargo público, por um custo social real“. Para o Independent, essa declaração é uma amostra de que Scruton é “controverso”. A ironia consiste em justamente pôr em prática o que o filósofo aponta: destruir a sua reputação por desviar da opinião dominante.

Pinçar uma frase solta dita numa palestra há quase cinco anos, acusando o filósofo de ser antissemita, faz parte de um contra-ataque estratégico do Partido Trabalhista. Nos últimos meses, o Partido tem sofrido com reais denuncias de antissemitismo, que incluíram declarações de Jeremy Corbyn – que foi obrigado a desculpar-se em ao menos duas vezes. Acusar Scruton agora é pôr em prática o famoso “acusou-os do que você faz”. Agora, diversos parlamentares da oposição, tanto do Partido Trabalhista e do Partido Liberal Democrata, pressionam a Primeira Ministra Thereza May e o Secretário de Habitação a demitir Scruton a menos de uma semana da sua indicação para compor a Comissão.

O QUE ESTÁ EM JOGO

A questão do déficit habitacional é um grave problema na Inglaterra. A alta demanda, impulsionada pela especulação imobiliária e pelos movimentos migratórios que concentram a população nas grandes cidades, em conjunção com as diversas limitações para construção de novas residências, fez crescer extraordinariamente os preços nas últimas décadas (tanto dos aluguéis como de novas aquisições). A solução governamental para acabar com o déficit habitacional foi a construção de grandes blocos habitacionais. Esses monstrengos verticais de concreto, tão feios que tem a capacidade de chocar o mais esteticamente insensível espectador, pipocaram pelas grandes cidades inglesas ao longo dos anos 80 e 90. Quem já teve a oportunidade de visitar a Inglaterra, conhece o charme e a beleza da arquitetura tradicional de casas populares que preenchiam ruas inteiras, com lindos jardins, conferindo unidade e um aspecto comunitário genuíno. Hoje essa paisagem típica contrasta com gigantescos blocos residenciais, construídos exclusivamente considerando a sua função mais imediata, despreocupados com a unidade ou adequação com o entorno. Quando não foi mais possível disfarçar a feiura e a influência nefasta da estética horripilante no modo de vida das pessoas que habitam esses grandes empreendimentos habitacionais, a solução encontrada foi literalmente tapar os prédios com revestimentos de polietileno. A tragédia estética, assim, se tornou em tragédia humana: o incêndio da Grenfell Tower, que vitimou 72 pessoas e dezenas de feridos, muito provavelmente teria sido evitada sem o revestimento, que ajudou a propagar o fogo numa velocidade assustadora.

Tower Blocks e Construções Tradicionais – O belo e o feio

O documento oficial de lançamento da Comissão expressa que um dos seus principais objetivos é “defender a beleza, com foco na oportunidade de melhorar a qualidade de casas”. Roger, um estudioso apaixonado pelo tema, é a pessoa certa para o posto ao qual foi indicado. Não há na Inglaterra pessoa mais qualificada que ele para o cargo. Os ataques não só constituem uma injustiça contra o filósofo, mas ao povo britânico, que será o beneficiário maior das ideias que serão postas em prática caso seja-lhe dada a oportunidade.

A VERDADE DOS FATOS – O QUE ROGER SCRUTON DISSE E A RESPOSTA AOS CANALHAS

Leia aqui a transcrição da palestra em inglês disponível no site do filósofo e abaixo a tradução para o português. É uma frase proferida nessa palestra que seus detratores pinçaram para acusar Scruton de antissemita. Leiam abaixo e atestem que o argumento é justamente oposto: ele estava criticando o antissemitismo que impede a união entre húngaros étnicos e judeus.

The Jewish minority that survived the Nazi occupation suffered further persecution under the communists, but nevertheless is active in making its presence known. Many of the Budapest intelligentsia are Jewish, and form part of the extensive networks around the Soros Empire. People in these networks include many who are rightly suspicious of nationalism, regard nationalism as the major cause of the tragedy of Central Europe in the 20th century, and do not distinguish nationalism from the kind of national loyalty that I have defended in this talk. Moreover, as the world knows, indigenous anti-Semitism still plays a part in Hungarian society and politics, and presents an obstacle to the emergence of a shared national loyalty among ethnic Hungarians and Jews’.

TRADUÇÃO: A minoria judaica que sobreviveu à ocupação nazista sofreu também perseguição sob os comunistas, mas, no entanto, está ativa em fazer sua presença conhecida. Muitos dos intelectuais de Budapeste são judeus e fazem parte da extensa rede em torno do Império Soros. Nessa rede estão incluídas muitas pessoas que corretamente suspeitam do nacionalismo, consideram o nacionalismo como a principal causa da tragédia da Europa Central no século XX e não distinguem o nacionalismo do tipo de lealdade nacional que defendi nessa palestra. Além disso, como o mundo sabe, o antissemitismo nativo ainda desempenha um papel na sociedade e na política húngara, e representa um obstáculo ao surgimento de uma lealdade nacional compartilhada entre os húngaros étnicos e os judeus.

No dia 7 de novembro, Roger escreveu uma resposta aos seus detratores no Telegraph. O título já diz tudo: “semieducados tweeteiros querem me amaldiçoar com minhas próprias palavras. Se ao menos eles tivessem realmente lido”. No artigo, Scruton explica as suas posições, esclarece que já proferiu palestras na Central European University, universidade húngara fundada e financiada por George Soros, e esclarecendo sua posição sobre a falência dos estados islâmicos escreveu: “O tema não é simples, o que torna ainda mais triste o fato de jornalistas semi-educados acharem que basta tweetar algumas palavras de um discurso que eles nunca leram para dar uma contribuição ao que é, de fato, o debate político mais importante no mundo de hoje”.

O The Spectator, a revista conservadora mais antiga da Inglaterra, publicou alguns artigos em defesa de Roger Scruton. Em um deles, Toby Young relembra um comentário de Scruton que resume bem a situação: “Uma vez identificado como de direita, você está além do limite do argumento. Suas opiniões são irrelevantes, seu caráter desacreditado, sua presença no mundo um erro. Você não é um oponente a ser debatido, mas uma doença a ser evitada. Esta tem sido a minha experiência”. Toby finaliza o artigo dizendo que “Sir Roger Scruton é um dos grandes intelectuais de nossa época e esses comissários do politicamente correto não estão aptos a amarrar os seus sapatos”. Douglas Murray, para a versão americana do The Spectator, escreveu uma defesa brilhantes, apontando o insignificante currículo e questionável moralidade dos detratores de Scruton.

Essa não é a primeira vez que Professor Scruton é atacado pela horda sanguinária da esquerda. Já sofreu anteriormente com acusações infundadas, difamações e censura. Como sempre, ele responde com bom humor. Na sua última newsletter, enviada antes do esperado com uma mensagem sobre o ocorrido, ele prometeu coletar todos os seus comentários ultrajantes e disponibiliza-los numa seção especial de seu site para facilitar a vida de seus adversários: “Isso salvará os críticos de Roger de muitos esforços desnecessários e servirá para iluminar suas vidas com um senso de sua própria justiça”, lê-se na newsletter.

Ainda que o filósofo encare tudo com bom humor e com a mais fina ironia, o assunto é muito sério e é ilustrativo de que a esquerda avança – não só no Brasil e nos Estados Unidos, mas também na Europa – para calar seus adversários e para destruir a reputação de qualquer um que divirja dos seus dogmas. Roger Scruton também não é o único a sofrer desse tipo de ataque. Mas, tratando-se de um dos filósofos mais brilhantes do último século, é obrigação moral das pessoas sensatas defenderem a sua honra e a sua brilhante reputação.

[Atualizado] Assista ao comentário em vídeo:

 

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Ernesto Araújo é convidado para explicar apoio brasileiro ao Plano de Paz de Trump

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Conforme divulgado pelo site de notícias do Senado Federal, a Comissão de Relações Exteriores (CRE) aprovou na quinta-feira passada (6) um convite para que o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, preste informações sobre a posição brasileira em relação ao plano de paz apresentado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para o conflito entre Israel e Palestina. A data da audiência pública ainda não foi definida.

Depois de estreitar os laços da Coreia do Norte com o Ocidente, algo antes nem sonhado por Barack Obama, o democrata que inclusive foi agraciado com Nobel da Paz, agora Donald Trump quer dar um rumo para um conflito que se estende desde a fundação do estado de Israel. O plano divulgado pelo governo norte-americano no dia 28 de janeiro prevê o reconhecimento de Israel e Palestina como estados soberanos.

De acordo com o plano, Jerusalém permaneceria indivisível como capital israelense, enquanto o povoado de Abu Dis abrigaria a capital do Estado Palestino. Lideranças palestinas criticaram a proposta, considerando que ela favorece os interesses de Israel. Ainda, estabelece a soberania israelense sobre boa parte do vale do rio Jordão, a oeste da fronteira com a Jordânia. Este território engloba partes da Cisjordânia, região de maioria palestina que é reivindicada como parte do Estado palestino. Trump anunciou o plano na Casa Branca ao lado do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que historicamente defende a anexação do Vale do Jordão por Israel (imagem).

No seu pronunciamento, o presidente norte-americano apontou que será uma solução realista para os dois Estados, sendo que, assim, nenhum palestino ou israelense “será retirado de suas casas”. A proposta também inclui um investimento comercial de US$ 50 bilhões, que geraria, segundo Trump, 1 milhão de empregos para os palestinos nos próximos dez anos.

No entanto, a proposta não está sendo vista pelos mesmos olhos do lado palestino. O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, criticou e recusou nesta terça-feira, 11, perante o Conselho de Segurança da ONU, o plano de paz para israelenses e palestinos proposto pelos Estados Unidos. Na sua avaliação, o plano não proporciona soberania ao povo palestino.

O apoio brasileiro foi imediato. É notório o estreitamento dos laços do presidente Jair Bolsonaro com EUA e Israel. O autor do requerimento de convite para o ministro Ernesto Araújo é o senador Esperidião Amin (PP-SC). Ele destacou que, um dia após a apresentação do plano, o Itamaraty divulgou uma nota de apoio à proposta de Donald Trump. “Trata-se de iniciativa valiosa que, com a boa-vontade de todos os envolvidos, permite vislumbrar a esperança de uma paz sólida para israelenses e palestinos, árabes e judeus, e para toda a região”, destaca a nota do Ministério das Relações Exteriores brasileiro.

Para Esperidião Amin, a postura do Itamaraty representa uma “mudança de posição”: “O Brasil tem uma história de relação tanto com Israel quanto com a Palestina. Nenhum país do mundo tem uma relação tão diplomática, tão intensa. Chamar o ministro para explicar essa mudança da posição do Brasil não significa contestar. Mas ignorar isso, creio que seria uma irresponsabilidade”.

O presidente da CRE, senador Nelsinho Trad (PSD-MS), afirmou que o ministro Ernesto Araújo se dispõe a participar da audiência pública.

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A crise venezuelana não deixa dúvidas: votar em Bolsonaro foi dever cívico

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O apoio incondicional à ditadura de Maduro vinda do PT e de todos os partidos que formam sua linha auxiliar (PSOL, PC do B, PCB e afins) não é segredo e causa repulsa. Gleisy Hoffmann, atual presidente do PT, fez questão de comparecer pessoalmente à renovação do mandato de Maduro.

A esquerda não poupa esforços em verdadeiras ginásticas pseudo-intelectuais para tentar justificar os horrores que estão acontecendo no que era um dos países mais promissores da América Latina. Perguntado sobre o chocante registro de um atropelamento de manifestantes por um blindado, Pepe Mujica, ídolo da militância progressista, disse que “as pessoas não devem ficar em frente aos tanques”. Ou seja: em nome da causa, todo tipo de violência e arbitrariedade será válido.

Para a esquerda, assim como não importa o que é dito, mas sim, quem diz, também não importa o que é feito, mas sim, quem faz.

É difícil fazer um prognóstico dos próximos desfechos. O certo é que, ao povo venezuelano, restam apenas duas alternativas: insurgir-se até a derrubada de Maduro – aos moldes do que fizeram os heróis ucranianos na praça Maidan em 2014 – ou reconhecer a derrota e sujeitar-se à ditadura, abrindo mão de sua liberdade.

Qualquer intervenção militar internacional antes do levante total do povo venezuelano será vista como ato imperialista, contando com possível reprovação da ONU – que, aliás, mantém postura exageradamente passiva, considerada a gravidade da crise.

Agora imaginem como seria se Maduro contasse com o apoio financeiro e político do maior país da América Latina? Se o ditador não sofresse a pressão do cerco formado por Brasil e Estados Unidos? Imaginem os constrangedores discursos de Haddad em defesa de Maduro, o nosso dinheiro sendo utilizado para esmagar pessoas inocentes! É de causar arrepios.

O governo Bolsonaro merece críticas, como qualquer governo. Parece uma sinfonia que ainda busca seu tom. Mas diante do cenário regional, não há como negar o fato de que cumpriu dever cívico quem digitou “17” nas urnas em outubro de 2018.

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A demissão de Roger Scruton: quando a razão é vítima da covardia

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Assim como o incêndio de Notre Dame é acontecimento simbólico da decadência do Cristianismo na França, a demissão de Roger Scruton será lembrada como o começo do fim do Partido Conservador britânico. Ao sacrificar o seu mais brilhante pensador e ideólogo, os atuais líderes do partido, que já amplamente demonstraram sua incompetência em matéria de prática política, agora explicitam a sua profunda covardia e inépcia moral.

No último dia 10 de abril o filósofo conservador britânico Roger Scruton foi demitido do seu cargo não-remunerado de presidente da comissão governamental Building Better, Building Beautiful (Construindo Melhor, Construindo Bonito). Scruton, que já tinha sido atacado pela máquina de destruição de reputações quando do seu apontamento em novembro do ano passado, resistiu à primeira onda de ataques e foi confirmado no cargo pelo Secretário da Habitação, James Brokenshire. Mas se há alguma coisa que a história nos ensina é que não há limites para a baixeza, a sordidez e a sem-vergonhice da esquerda, qualquer que seja a época, qualquer que seja o país onde ela atue. Desta vez, sob ataques ainda mais caluniosos e covardes do que antes, o filósofo foi demitido; e, pior, menosprezado por aqueles que justamente tinham o maior dever de defendê-lo e honrá-lo.

Assim como o incêndio de Notre Dame é acontecimento simbólico da decadência do cristianismo na França, a demissão de Roger Scruton, ao que tudo indica, será lembrada no futuro como o começo do fim do Partido Conservador britânico. Ao sacrificar o seu mais brilhante pensador e ideólogo dos últimos cinquenta anos, os atuais líderes do partido, que já amplamente demonstraram sua incompetência em matéria de prática política, agora explicitam a sua profunda covardia e inépcia moral. É como observar um ritual macabro: estão a lavar-se da culpa sentida pela própria letargia no sacrifício de um genial e leal combatente.

RELEMBRANDO A PRIMEIRA TENTATIVA

Em novembro de 2018, passados apenas três dias da nomeação do filósofo para a recém-formada comissão, a mídia esquerdista, com ajuda de alguns parlamentares do Partido Trabalhista, sem demora, ligou a máquina de destruição de reputações, apontando-a para Roger Scruton. A tática usada é velha: pinçar frases antigas de palestras ou artigos, tirá-las de contexto e fazer pose de escândalo histérico. Ainda que seja método batido, não deixa de impressionar aqueles de bom coração. Exemplo: em um trecho de uma palestra em que o filósofo condenava o antissemitismo existente na Hungria apontando que, entre outras coisas, dificultou a reunificação nacional, a frase “muitos dos intelectuais de Budapeste são judeus e fazem parte das extensas redes em torno do Império Soros” foi tomada como exemplo de que Scruton é antissemita.

A primeira tentativa de derrubar Scruton. Naquela oportunidade, o filósofo resistiu.

Na época, jornais de grande circulação deram eco às acusações. E num momento em que o Governo de Theresa May já se encontrava cambaleando ante tropeços por causa do Brexit, foi bonito de ver o Secretário da Habitação defender o filósofo e desmerecer as calúnias levantadas. Roger respondeu com bom humor prometendo lançar no seu site uma seção especial com o melhor de suas frases controversas e ‘ofensivas’ para poupar seus detratores do trabalho de ter que vasculhar a sua obra. Mas a generosa oferta não foi o suficiente para conter os canalhas.

DESSA VEZ, A VERDADE E A CORAGEM ÀS FAVAS

Em março Roger concedeu uma entrevista para a revista esquerdista New Stateman – por alguns anos, Roger foi o colunista especial de vinhos da revista. A entrevista foi requerida e conduzida pelo jornalista marxista George Eaton. “[Concedi a entrevista] pressupondo que, como ex-crítico de vinhos da revista, eu seria tratado com respeito e que o jornalista George Eaton estava sendo sincero em querer falar comigo sobre minha vida intelectual. Não pela primeira vez sou forçado a reconhecer que é um erro conversar com jovens esquerdistas como se fossem seres humanos responsáveis” escreveu Roger Scruton após sua demissão para a The Spectator num artigo intitulado ‘Um Pedido de Desculpas por Pensar’.

No dia anterior a publicação da entrevista, George Eaton escreveu em sua conta do Twitter que ‘o conselheiro do governo e filósofo Roger Scruton fez uma série de declarações ultrajantes’ durante entrevista que seria publicada no dia seguinte pela New Stateman. Em quatro tuítes, George pinçou citações do filósofo para pintá-lo como racista, islamofóbico e antissemita:

(1) “Cada chinês é uma espécie de réplica do outro e isso é algo muito assustador”.

(2) “Os húngaros estavam extremamente chocados com a repentina invasão de enormes tribos de muçulmanos do Oriente Médio”.

 (3) “[Islamofobia é] uma palavra de propaganda inventada pela Irmandade Muçulmana com objetivo de impedir a discussão sobre o problema”.

 (4) “Qualquer um que não saiba da existência de um império de Soros na Hungria não observou os fatos”.

Pouco importou que a publicação da entrevista no dia seguinte – e, há poucos dias, a publicação integral do áudio da entrevista – pôs as frases dentro de contexto. É incontestável que as frases (3) e (4), mesmo lidas fora de contexto, são simples verdades factuais e não podem – ao menos não sem afetação histérica – ser consideradas discriminatórias. A frase (2) seria no máximo uma inverdade já que na história recente a Hungria não recebeu imigrantes do Oriente Médio. Mas como o áudio depois revelou, Scruton se referia a invasão do Império Otomano nos séculos anteriores. De qualquer forma, o uso da palavra ‘tribo’ é demais para os ouvidos sensíveis da geração floco-de-neve. Em relação à frase (1), Eaton convenientemente exclui as frases precedentes: “Há algo bastante assustador no tipo de política de massa chinesa e na arregimentação do cidadão comum. Nós inventamos robôs e eles são eles. De certo modo, eles [o Partido Comunista] estão criando robôs a partir de suas próprias pessoas, restringindo o que pode ser feito. Cada chinês é uma espécie de réplica do outro e isso é algo muito assustador”. Ou seja, Scruton estava criticando a óbvia e inegável política de massificação do Partido Comunista Chinês. Que horror! No dia seguinte, quando confrontado com a verdade da frase no seu contexto, Eaton escreveu no seu Twitter que teve que editar as citações por ‘motivo de espaço’. Foi um prato cheio para o brilhante perfil satírico do Twitter da ‘feminista, ativista e poeta interseccionalista’ Titania McGrath, que ironizou fazendo troça: “Meu Deus! Se eu deletar 85 letras e rearranjar as restantes dessa citação, Roger Scruton está dizendo ‘Eu amo Hitler”.

Titania McGrath satirizou: “Nessa citação de Scruton, se eu deletar 85 letras e rearranjar as restantes, ele está dizendo ‘Eu amo Hitler’”.

A simples publicação destes tuítes, com as frases tal como supracitadas, foi o suficiente para, apenas cinco horas depois, o Secretário da Habitação anunciar a demissão de Scruton – o governo sequer esperou a publicação integral da entrevista. Sem uma ligação, sem uma comunicação oficial, sem possibilidade de defesa, Roger Scruton foi demitido por quatro tuítes escritos por George Eaton, um jornalista assumidamente marxista, que ainda no mesmo dia possuído por um orgulho infantil, publicou foto no Instagram bebendo champanhe, comemorando a demissão do filósofo. A incrível rapidez com que todo o episódio se desenvolveu leva a crer que o que houve foi um golpe orquestrado, mancomunado entre governo, parlamentares conservadores e o jornalista.

George Eaton comemora a demissão de Scruton: “Aquele sentimento quando você consegue demitir um racista e homofóbico direitista do governo”. Foto foi apagada em poucas horas.

Roger estava em Paris para promover a tradução francesa de Tolos, Fraudes e Militantes: Pensadores da Nova Esquerda, quando ficou sabendo da demissão. “Telefonei para casa, para descobrir que fui demitido de minha posição como presidente da comissão Building Better, Building Beautiful. Isso iria acontecer uma hora ou outra, mas fico surpreso em saber que é porque as histórias caluniosas sobre mim estão sendo recicladas. Como isso veio à tona? Eu devo ter dado uma entrevista em algum lugar! E então me lembro de um molequinho pretensioso do New Statesman que veio visitá-lo, dizendo que a revista queria escrever sobre meus livros” – escreveu Roger em outro artigo para a The Spectator.

A REPERCUSSÃO COVARDE DO PARTIDO CONSERVADOR

“Às vezes, um escândalo não é apenas um escândalo, mas uma biópsia da sociedade. E assim foi com o ataque a Roger Scruton”, escreveu Douglas Murray em matéria de capa da Spectator dessa semana: “vivemos na era do assassinato de caráter. O que agora desesperadamente precisamos é de uma contra-revolução baseada na importância dos indivíduos sobre as multidões, a primazia da verdade sobre a ofensa e a necessidade do pensamento livre sobre essa uniformidade insípida, estúpida e mal concebida”. Murray teve acesso à integra do áudio da entrevista – pode ser escutado aqui – e constatou outras armadilhas que George Eaton tentou armar. Entre elas, o fato de responder positivamente às afirmativas, como quem estivesse concordando com as proposições.

Se a demissão e a forma como foi feita causa repulsa, o episódio teve ao menos um efeito positivo: mostrou que diversos parlamentares conservadores, alguns aspirantes à posição de líder do partido, não tem a coragem que se exige de uma criança, quanto menos de um representante público. George Osborne, por exemplo, imediatamente após os tuítes de George Eaton, escreveu no seu Twitter: “Ontem, lideranças conservadoras com razão perguntavam o que eles podem fazer para se reconectar com a Bretanha moderna. Hoje, estas citações intolerantes deste homem bizarramente apontado como conselheiro. Como o governo pode manter Roger Scruton como conselheiro?”. Curvar-se às mentiras esquerdistas em prol do politicamente moderno é o que Osborne deseja para o ‘moderno’ Partido Conservador. Faltou combinar com o eleitorado: no último mês a intenção de voto no Partido Conservador caiu 10% enquanto os novos partidos pró-Brexit (UKIP e Brexit Party) já tem, somados, 13% da intenção de votos.

Outro que teve atuação vexaminosa foi James Brokenshire, o Secretário da Habitação que nomeou Scruton para o cargo. Em novembro, Brokenshire defendeu Scruton dizendo que ‘a má representação de suas ideias havia machado o seu caráter’. Desta vez, entretanto, não hesitou nem um segundo sequer em jogar Scruton aos leões sem oferecer razões. Quando pressionado, emitiu um pequeno comunicado institucional dizendo que Scruton havia dito ‘palavras inaceitáveis’. Quais? Nunca disse, nunca mais foi visto.

O candidato à liderança do Partido Conservador, George Osborne: “observações intolerantes do homem bizarramente nomeado como conselheiro”

 

Em uma entrevista de rádio dessa semana, Roger Scruton – que, aliás, nunca pediu para ser nomeado conselheiro do governo, mas sim aceitou a um convite que lhe foi feito – falou sobre a reação do Partido Conservador aos ataques que ele sofreu: “Eu sou um pensador conservador, conhecido como tal, franco e direto mas razoável nas minhas opiniões. E tem havido por todo o país e por toda a Europa uma tentativa de silenciar as vozes conservadoras. Somos identificados, caricaturados e, em seguida, demonizados, de forma que parecemos que somos um tipo de gente sinistra, fascista e racista. E assim que o Partido Conservador vê um de nós sendo demonizado dessa maneira, eles correm para se dissociar. Isso aconteceu. Nas mídias sociais apareceram todos os tipos de parlamentares dizendo: ‘Oh, ele não é um de nós’. E lá estou eu, na chuva. Minha única falha foi tentar defendê-los. E esse tipo de caça às bruxas das pessoas à direita é algo que está piorando. Acabamos de ver acontecer com Jordan Peterson em Cambridge. Pensadores absolutamente de primeira linha e que deveriam estar lá no debate, para que tenhamos um pouco de sua sabedoria… Mas estamos sendo excluídos”.

O ANTISSEMITISMO DA ESQUERDA

É importante compreender o contexto em que a demissão de Roger Scruton ocorre. Há algum tempo, o Partido Trabalhista tem sofrido com as denúncias de antissemitismo que aos poucos tem chegado a membros da alta cúpula e ao chefe maior do partido, o marxista adorador de tipos como Chávez, Maduro e líderes do Hamas, Jeremy Corbyn.

No início de março, parlamentares abandonaram por conta do antissemitismo (tratei sobre isso em vídeo). Recentemente, uma fita de áudio confirmou que um conselheiro próximo de Corbyn fez comentários amplamente antissemita em uma palestra pública – acusações que ele havia negado veementemente. Agora, já se sabe que Jeremy Corbyn agiu pessoalmente para encobrir denúncias e impedir que antissemitas fossem expulsos do partido. Nesse contexto, é quase inacreditável que parlamentares trabalhistas como Dawn Butler, que é conselheira próxima de Corbyn, comparem Scruton com ‘supremacistas brancos’.

É envolto nesse mar de desfaçatez e cretinice que Roger é alvo de acusações ridículas de antissemitismo, islamofobia e preconceito racial contra chineses. Mais vergonhoso se torna a covardia do Partido Conservador de sacrificar o filósofo que, como ele mesmo escreveu em artigo no The Telegraph, dedicou uma vida inteira de suporte e apoio intelectual, na tentativa de se livrar de acusações da horda do politicamente correto.

ROGER SCRUTON NO BRASIL

Roger Scruton, que recentemente completou 75 anos de idade, ganhou de presente do partido ao qual sempre ajudou uma demissão acompanhada da humilhação pública – justamente em um momento em que buscava novas formas de se comunicar com seus leitores. Recentemente, lançou o seu canal oficial no Youtube no qual promete publicar material exclusivo. Roger também tem ampliado os cursos de verão que promove em sua fazenda em Wiltshire – que ele carinhosamente chama de Scrutopia. Seus livros estão sendo reeditados e relançados não só no Reino Unido, mas também em outras partes da Europa.

Na última vez que estive com ele, em agosto do ano passado, conversamos sobre o Brasil e as eleições que se aproximavam. Contei a ele que havia uma grande possibilidade de o Brasil eleger o primeiro presidente conservador da sua história: “Então, talvez seja a hora de ir ao Brasil”, ele retrucou. No início do ano, fui informado de que ele de fato está indo ao Brasil. Entre o final de junho e início de julho, Scruton participará de palestras em Porto Alegre e São Paulo. Será uma oportunidade única de absorver um pouco do conhecimento desse genial filósofo. Se o conservadorismo britânico já não faz bom uso das suas cabeças pensantes, nós brasileiros precisamos urgentemente delas. Ainda mais quando se trata de alguém do calibre de Roger Scruton.

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