Bolsonaro marca mais um ponto: empresa que perdeu contrato já tinha levado 75 milhões dos cofres públicos

Bolsonaro

A CDN tinha contrato para assessoria de imprensa do Governo Federal e espalhava seus serviços por diversos órgãos, em parceria com empresa estrangeira

Foi anunciado nesta quarta, 22 de janeiro, que o governo Bolsonaro não renovará o contrato com a empresa CDN Comunicação Corporativa, responsável pela “relação do governo brasileiro” com a imprensa internacional. A informação veio através do ministro Carlos dos Santos Cruz, da Secretaria de Governo. O contrato em questão é de 2008 e já foi aditivado (renovado) 6 vezes.

Se a mistura de governo petista, contrato milionário e “relação com a imprensa internacional” já desperta curiosidade, após o estudo desta relação o negócio fica muito mais interessante.

A empresa já levou, segundo o site da transparência do Governo Federal, mais de 75 milhões em recursos para a realização dos mais diversos serviços, a maioria na coordenação de jornalismo, relações públicas e suposta manutenção da imagem do Brasil no exterior, aos moldes do freguês: o governo petista.

Em 2010, o próprio Governo Federal atestou, possivelmente para um processo licitatório, que a CDN recebia R$ 15 milhões em contrato.

 

A cláusula 2 do contrato já entrega um dado importante:

Funcionar no BraSil e manter acordo operacional formal com a empresa Fleishman-Hillard International Communications, Inc., abrangendo suas unidades instaladas nos Estados Unidos [Fleishman-Hillard Inc.], na Europa [Fleishman-Hillard Saunders Limited] e na Ásia [FleishmanHillard Public Relations and Consulting (Beijing) Company, Limited], devidamente informadas e formalizadas quando da apresentação da sua Proposta Técnica (Anexo 11 deste Contrato), com estrutura e pessoal suficiente para execução das atividades.

Em outras palavras, a CDN também atua como uma espécie de intermediário entre o governo brasileiro e uma empresa estrangeira de relações públicas, pagando altos valores para diversos serviços e profissionais, por hora, nos moldes dos tradicionais contratos públicos com as agências de publicidade, onde preços para tarefas são referenciados em uma tabela e cobrados ao longo do tempo. A empresa alega que a média de faturamento anual com o Brasil foi de R$ 10 milhões.

 

A Fleishman-Hillard do Brasil é chefiada por Patrícia Marins. Nas suas redes sociais, ela declara publicamente sua tendência política, até mesmo com o uso da hashtag #elenão em algumas postagens pessoais (e públicas).

A CDN é uma empresa de grande porte e também atende ou já atendeu, além do Governo Federal, clientes como UNICA (União das indústrias de cana de açúcar, SABESP e Odebrecht. A Fleishman Hillard (matriz) atende uma gama enorme de clientes e o escritório no Brasil tem no portfólio Monsanto, General Motors, Shell, Votorantim S/A e até mesmo a Parada Gay de São Paulo.  

É certo que os autores envolvidos em todas estas negociações já sabiam do destino destes contratos logo que o último voto foi contabilizado em outubro, dado o estilo da “agenda positiva” imposta pela administração anterior (continuada pelo governo Temer) e o perfil dos responsáveis. Resta saber como será a estratégia do governo para ocupar o vácuo deste trabalho, as relações mantidas por estas agências e, acima de tudo, a imagem do Brasil lá fora, já montada por estes arranjos.

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