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Para defender aumento de impostos no RS, Eduardo leite ofende presidente da Federasul

eduardo leite ofende

Irônico, governador disse esperar “maior capacidade de entendimento” da presidente Simone Leite, que reagiu nas redes sociais

O governador Eduardo Leite parece colecionar momentos desconfortáveis com mulheres em programas de TV. Depois do embate com a advogada Roberta Coltro em jornalístico da Rede Pampa (onde ele a chama de ignorante), chegou a vez da presidente da Federasul Simone Leite receber uma resposta atravessada, ainda que por motivos e contextos bem diferentes.

No dia 24 de julho, foi realizado o Seminário da Competitividade, evento online promovido pela Assembleia Legislativa que ouviu representantes do governo, entidades e o próprio governador, para discutir os rumos do Rio Grande do Sul no cenário atual, com muito destaque nas conversas para a Reforma Tributária em curso.

Quase no final do evento, perguntas de algumas lideranças setoriais que não participaram da live foram exibidas ao governador. Entre elas, a participação de Simone Leite, presidente da Federasul e ex-candidata ao Senado pelo PP em 2014, quando obteve 606 mil votos.

Simone Leite enviou o seguinte questionamento:

“Governador, considerando que estamos perdendo empresas e talentos para outros estados, que o governo está propondo aumento de carga tributária, como vamos melhorar nossa competitividade em relação aos Estados da região Sul?”

A resposta do governador veio rápida e rasteira:

“Olha, o assunto da Reforma Tributária é complexo, de fato. E nem todos conseguem compreender. Eu confesso que eu tinha a expectativa de que a Simone Leite, a presidente da Federasul, tivesse uma capacidade melhor de entendimento da Reforma.  Porque esta fala aumento da carga tributária ela sugere dois caminhos: (a) ou a má-intenção, né?, de distorcer o que acontece na reforma – eu espero que não haja má intenção da presidente da Federasul -, (b) ou há desconhecimento ou alguma incapacidade de compreensão que talvez revele alguma incapacidade nossa de traduzir para ela esta reforma.

O importante é ser dito que evidentemente uma reforma tributária ela pressupõe uma reorganização da distribuição do custo entre os setores econômicos e nunca haverá uma reforma tributária em que todos os impostos sejam reduzidos porque, por exemplo, a discussão da reforma tributária nacional que todos concordam que o ideal é chegar em uma simplificação mais profunda, que tenhamos os impostos municipais e estaduais incluídos né… para não haver esta diversidade de instâncias de cobranças e de impostos de natureza diferentes, se nós quiséssemos um imposto que fosse… que nenhum imposto fosse majorado teríamos que ter o imposto de valor agregado, único imposto que seria cobrado na menor alíquota de imposto cobrado que é  o do menor ISS que é de 2% ou seja, para que nenhum setor pagasse nada a mais, teria que se colocar o imposto de valor agregado, IBS – imposto de bens e serviços – seja qual for o nome que seja dado, na menor alíquota de imposto existente que é de 2% de ISS.

Bom, nem preciso dizer que é absolutamente impossível, ou seja, uma reforma tributária significará redução em alguma parte e aumento de imposto no outro. Mas isto não significa aumento de carga tributária. É isso que não é compreendido pela presidente da Federasul aqui, porque a carga tributária é o custo total né dos impostos sobre o PIB. E não há aumento de carga tributária na proposta que nós estamos apresentando aqui para a sociedade gaúcha. O que nós estamos apresentando é manutenção dos níveis de arrecadação do Estado mais de uma forma mais racional de distribuição deste nível de arrecadação entre os diversos setores e principalmente prestigiando né os setores, as áreas de onde há consumo, inclusive o varejo que é representado pela Federasul, o fim da DIFAL, com a redução a alíquota modal de 18 para 17% e com a redução de carga tributária especialmente sobre as faixas de mais baixa renda, que vão consumir mais. E que se consumirem mais vão consumir mais aonde? No comércio, no varejo, vai ajudar a nossa economia.

Então é importante que haja esta compreensão do todo, da reforma que nós estamos apresentando. Aliás, de outro lado é importante que não haja perdas substanciais de arrecadação porque nós falamos aqui de competitividade e passou muito por capacidade de investimento público também e capacidade de prestação de serviços como os de segurança pública. Se houver um colapso da receita, coma perda de 3 bilhões de reais praticamente por parte do Estado dos quais 850 milhões de reais são das prefeituras, os municípios vão perder arrecadação, a gente sabe que a presidente da Federasul é pré-candidata a prefeita de Canoas, por exemplo, só Canoas vai ter uma perda de 54 milhões de arrecadação que vai comprometer a capacidade de prestação de serviços básicos para a população daquela cidade, como de via de regra para todos os municípios do Estado.

Então se precarizarão os serviços públicos que vão afetar também a competitividade. Por isso que é muito importante que se analise o contexto, não há aumento de carga tributária, eu recomendo aqui a presidente da Federasul Simone Leite, que é pré-candidata a prefeita, que olhe com atenção a reforma e vá entender que ela vai ajudar a economia e vai manter a capacidade do setor público de prestar os serviços que também são determinantes na competitividade como foram muito bem elencados aqui”.

 

 

No sábado, 25, Simone Leite usou o Facebook para denunciar o fato, dizendo que não revidaria as insinuações pejorativas do governador:

❌Não vou revidar as insinuações pejorativas do Governador sobre minha capacidade de entendimento ou sobre a capacidade de compreensão dos mais de 70 mil empresários que a Federasul representa através das suas afiliadas. Não é a minha linha desqualificar os que divergem, não é da minha índole. . O nosso debate é no campo das ideias e não há matemática criativa que convença um trabalhador, que vai pagar mais pelo seu café da manhã e pelo sustento da sua família, ou um pequeno empresário que irá pagar quase o dobro de IPVA que se paga em Santa Catarina, que não houve aumento da sua carga tributária. Não me importam quantas insinuações fizer, seguiremos firmes defendendo o que acreditamos, defendendo a classe produtiva gaúcha. Como mulher, passei por isto dezenas de vezes até chegar onde estou. Não foi a primeira nem será a última, infelizmente.

Posted by Simone Diefenthaeler Leite on Friday, July 24, 2020

“Não vou revidar as insinuações pejorativas do Governador sobre minha capacidade de entendimento ou sobre a capacidade de compreensão dos mais de 70 mil empresários que a Federasul representa através das suas afiliadas.

Não é a minha linha desqualificar os que divergem, não é da minha índole. .

O nosso debate é no campo das ideias e não há matemática criativa que convença um trabalhador, que vai pagar mais pelo seu café da manhã e pelo sustento da sua família, ou um pequeno empresário que irá pagar quase o dobro de IPVA que se paga em Santa Catarina, que não houve aumento da sua carga tributária.

Não me importam quantas insinuações fizer, seguiremos firmes defendendo o que acreditamos, defendendo a classe produtiva gaúcha.

Como mulher, passei por isto dezenas de vezes até chegar onde estou. Não foi a primeira nem será a última, infelizmente.”

E o time dos “burros ou mal intencionados” só cresce: no mesmo sábado, Simone Leite postou diversas notas de repúdio de entidades gaúchas sobre a fala do governador. Não está sozinha.

Um dia depois do outro: em 2018, Eduardo Leite é todo sorrisos visitando a Federasul: o governador disse estar “feliz” com o voto de confiança que recebeu da Federasul, com a decisão de apoiar por dois anos a manutenção das alíquotas do ICMS em 18%, e reafirmou que “a decisão reforça meus compromissos de viabilizar a sustentabilidade do Estado”.

Eduardo Leite cruzou uma linha no relacionamento entre governador e representante de entidade, das maiores do Rio Grande do Sul. Jogou baixo e ainda explorou o lado político da presidente, ao trazer para a resposta mais de uma vez a condição da presidente da Federasul de pré-candidata a prefeita de Canoas, de forma totalmente desnecessária. Para o bom entendedor, esta birra semântica entre aumento de impostos  versus carga tributária mostra o medo do governador em assumir o óbvio: vai sim aumentar impostos. Sobre a participação deste montante face ao PIB gaúcho, só saberemos bem lá na frente a diferença. Aliás, o “lá na frente” sobre o pagamento em dia dos professores gaúchos garantido na campanha, nós já sabemos o resultado.

 

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