Entre em contato

Covid-19

De um Guilherme a todos os Artures

Publicado

on

Até o início da pandemia, estávamos vivendo uma aproximação da população com as autoridades. A polícia e os promotores,  vistos por muito tempo pela maioria da população como vilões, voltaram a ser homenageados por todos, enaltecidos em redes sociais, ganhando apoio das comunidades. E agora?

Guilherme é um nome de origem teutônica e significa “o protetor”. Desde criança, sempre sonhei, mesmo antes de conhecer o significado do meu nome, em ser um herói, de fazer a diferença, de as pessoas ficarem felizes em me ver.

Desde criança, também notei que não tinha vindo de outro planeta, que não tinha poderes especiais e que, se quisesse ainda realizar meus objetivos, deveria ser estudando e trabalhando muito. Assim, decidi por ser médico, mas também me agradaria ser soldado, policial, veterinário, bombeiro – ou mesmo juiz.

Há mais de 20 anos me preocupo e me dedico a cuidar da saúde das pessoas, muitas vezes conseguindo grandes proezas, salvando alguém à beira da morte; as vezes tratando uma amigdalite, diminuindo a dor e o sofrimento de um paciente; pouco importa, tento de todas as formas fazer com que quem me procura se sinta melhor após realizar meu ofício.  Nem sempre consigo – e isso muito me atinge, mas durmo triste muitas vezes, embora com a certeza de que fiz o melhor, dentro do meu alcance.

Artur também é um nome que remete a um importante serviço, o de ser a autoridade, portanto, aquele que é investido da capacidade de regular e organizar a sociedade com poder constituído, baseado nas premissas daquela sociedade.  Não sei se são muitos os nossos policiais chamados Artur, mas me dirijo a todos que são nossas autoridades.

Vivemos num momento difícil, talvez o mais difícil das últimas décadas.  Certamente a maioria da nossa população não viveu momentos como este antes.  Um vírus tem causado uma pandemia que está levando hospitais, médicos e demais profissionais da saúde ao seu limite.  Mas, do contrário do afirmado por muitos, evidências que surgiram durante este período não apontam o lockdown como medida capaz de gerar qualquer benefício real no manejo da pandemia; pelo contrário, alguns estudos apontam como um fator de piora.

Não sou a favor de aglomerações, festas, eventos desnecessários. Não seria leviano imaginar que 10-20 infectados numa festa com 1500 pessoas em ambiente fechado não poderiam ser um fator determinante de contágio.  Vimos situações parecidas em Passo Fundo e outras localidades, onde frigoríficos e indústrias de laticínios, hospitais e casas de idosos como potenciais focos de disseminação no início da pandemia.  Mas também não posso imaginar como um pequeno armarinho atendendo 20 clientes por dia e vendendo fitas, agulhas ou meia dúzia de botões possa ter qualquer papel significativo da transmissão de um vírus.

Não é razoável tratar todas as pessoas como infectadas, quando os números apontam que apenas 1% da população esteja neste momento com a doença ativa em Passo Fundo ou em muitas cidades.  Não é razoável acreditar que pessoas que estão com muita tosse, febre ou dores pelo corpo sairiam para comprar  uma sandália.  Sim, há os assintomáticos, mas os trabalhos se contradizem ao saber o real papel deles na disseminação do vírus.

Levantei muitas incertezas aqui, sobre as quais podem concordar ou discordar. Agora, apresento-lhes as certezas.

A Constituição garante, repito, garante o direito de ir e vir do cidadão. A Constituição assegura o direito sagrado da inviolabilidade do lar (a não ser mediante a mandado), a mesma carta magna brasileira garante direitos fundamentais como o de trabalhar e ter lazer, de poder se deslocar livremente em áreas públicas.  São certezas e historicamente foram garantidas por vários heróis que deram suas vidas para garantir a liberdade, deixando claro a todos qual é o bem maior.

Nos últimos anos, estamos vivendo uma aproximação da população com as autoridades. A polícia e os promotores vistos por muito tempo pela maioria da população como vilões, voltaram a ser homenageados por todos, enaltecidos em redes sociais, escolas cívico-militares. Já políticos e governantes, ministros de cortes superiores, foram expostos e não gozam de nossa admiração, muito pelo contrário. Uma aliança muito linda e próspera, com crianças querendo novamente brincar de policiais – ou mesmo ter uma farda, sem dúvida é perigosa para aqueles que não toleram a ordem e as liberdades sociais.

A saúde é um direto do cidadão e um dever do Estado, e não o contrário.  Cabe ao Estado garantir o número de atendimentos, o tratamento e os leitos necessários para que enfrentemos a pandemia; a população, dentro do possível, pode ser instigada a ajudar.  Mas, essencialmente, é um dever do Estado e um direito do cidadão, e não o contrário.

Não estou insinuando que as autoridades não obedeçam a ordens, mas é razoável fechar o estabelecimento de um pai que está trabalhando para garantir o mínimo para sua família? Tenho certeza que dentro das instituições há membros com capacitação jurídica para garantir às autoridades o direito de não privar a liberdade e nem ser obrigado a coercitivamente impor a um cidadão que abra mão do seu sustento.

Certamente há medo, há sanções e há a possibilidade de ser removido do posto.  Esse mesmo medo move o cidadão a querer abrir as portas de seu estabelecimento, o pavor de ficar em casa enquanto vê seu sonho, seu trabalho, seu investimento ir por água abaixo porque algum político, que teve um ano e verbas imensas adequar o sistema de saúde de seu estado ou município, não fez seu trabalho, e agora tenta culpar o trabalhador pela sobrecarga nos leitos (já historicamente insuficientes e agora lotados).

Medo sei que também passam essas autoridades todos os dias ao enfrentar marginais e, mesmo assim, bravamente o fazem.  Medo temos eu e muitos colegas ao acordar para atendermos pacientes que sabidamente estão infectados pelo Covid e tantas outras moléstias transmissíveis.  Medo os caminhoneiros honestos que transportam num vai-e-vem interminável comidas e recursos por estradas sucateadas e perigosas.  Mas temos que nos levantar todo dia e pensar em proteger e melhorar a vida de todos aqueles que dependem de nós.

Portanto, peço às autoridades que cumpram seu dever orientando e fiscalizando, porém dentro dos limites da cordialidade e da educação, assim como me comprometo a pedir o mesmo dos comerciantes e trabalhadores, para que ninguém volte a temer as fardas, que pessoas não sejam mais atiradas ao chão e imobilizadas como marginais perigosos, e que possam de alguma maneira continuar levando o pão de cada dia para suas casas.  Vivem num país no qual lidamos diariamente com assaltos, roubos, assassinatos, tráfico de drogas. O que quero dizer com isso é que há casos mais graves para a polícia e para as demais autoridades do que pressionar um pai de família a fechar seu negócio, a mobilizar tropas em frente ao comércio como se aquelas pessoas estivessem cometendo crimes. Muitas pessoas de bem estão se sentindo constrangidas, como se estivessem agindo como bandidos em situações como essas.

Aos policias e autoridades, muito obrigado pela segurança que nos proporcionam e pelo exemplo de ordem e disciplina que nos orgulham. É hora de mantermos o bom senso e de sabermos que precisamos estar ao lado da população que luta diariamente pelo seu sustento, apesar de todos os problemas que enfrentam em viver num país como o Brasil. Nenhuma ordem pode estar acima das garantias individuais que foram conquistadas com a cabeça de heróis, os quais deram a própria vida para garantir a nossa liberdade.

Continue Lendo
Comentários

Covid-19

Eva Lorenzatto: “Está escancarada a corrupção no Governo Bolsonaro”

Publicado

on

A petista Eva Lorenzatto ocupou a tribuna para relatar as recentes acusações sobre os desvios de recursos nas compras de vacinas

A vereadora Eva Lorenzatto (PT) usou a tribuna na Sessão Plenária do dia 23 de junho de 2021, da Câmara de Vereadores de Passo Fundo, para tecer comentários sobre o depoimento do ex-ministro Osmar Terra. De acordo com a parlamentar, a fala de Terra comprova que Bolsonaro é o grande responsável pelo descaso com o povo brasileiro, por conta da pandemia.

Sobre as recentes acusações envolvendo a compra da vacina indiana Covaxin, disse que havia sido comprada antes da autorização da Anvisa, por um preço, segundo ela, “mil por cento mais caro do que o anunciado”, mais cara do que a vacina da Pfeizer. Conforme relato da parlamentar, a empresa que intermediou o contrato está sendo acusada de fraude:

“Comunidade, qual é a desculpa agora? Está escancarada a corrupção no Governo Bolsonaro”

Rodinei Candeia (PSL) fez uso do aparte, por questão de ordem, apontando que a vereadora estava se valendo de expressões injuriosas. Segundo o parlamentar, conforme recente manifestação do Ministério da Saúde, essa compra nunca aconteceu e nem mesmo foi disponibilizado esse valor. Para ele, a vereadora estava fazendo uma afirmação injuriosa, além de caluniosa sobre o Governo Bolsonaro. Candeia pediu que a vereadora fizesse retratação da fala, pois não há comprovação de que há crime e, portanto, ela não poderia fazer essa afirmação.

A Mesa Diretora, todavia, não atendeu a solicitação do vereador Candeia:

Continue Lendo

Covid-19

Colussi critica como os senadores têm conduzido a discussão sobre as vacinas

Publicado

on

De acordo com o vereador, sobre a CPI do Covid: “Uma mentira contada mil vezes acaba se tornando verdade”

Na Sessão Plenária do dia 14 de junho de 2021, o presidente da Câmara de Vereadores de Passo Fundo, vereador Rafael Colussi (DEM), mostrou-se indignado com a condução da atual CPI da Covid no Senado Federal. Para ele, muito daquilo que está sendo dito é apenas para atacar injustamente o Governo Bolsonaro. Veja, a seguir, o trecho com a fala do parlamentar:

Continue Lendo

Covid-19

Sobre o retorno das aulas: afinal, quais são as demandas estavam em jogo?

Publicado

on

A equipe da Lócus conversou com a vereadora Regina dos Santos (PDT) e com Eduardo Albuquerque, presidente do CMP Sindicato, para entender melhor como estão as condições – de um modo geral – para o retorno das aulas em Passo Fundo

Na Sessão Plenária do dia 26/04/2021, da Câmara de Vereadores de Passo Fundo, a parlamentar Regina Costa dos Santos (PDT) ocupou a tribuna para falar sobre educação nos tempos de pandemia. Como professora, é natural que a educação seja uma das suas bandeiras na Câmara.

Professora Regina, vereadora pelo PDT, no seu grande expediente do dia 31 de maio de 2021.

Na ocasião, Regina disse que a educação merece “respeito”, “responsabilidade” e “planejamento” por parte dos gestores. Como as expressões destacadas são comumente utilizadas para tratar a maioria dos assuntos na Câmara, a vereadora foi procurada com o intuito de esclarecer melhor esse ponto. A equipe da Lócus foi prontamente atendida, o que será abordado adiante.

A parlamentar teceu duras críticas ao deputado federal Ricardo Barros (Progressistas-PR), líder do governo federal na Câmara, por ter recentemente falado (pelo menos é o que se noticiou) que a classe de docentes “não quer trabalhar” durante a pandemia da Covid-19. Barros, em entrevista à CNN Brasil, disse que os professores estão causando danos às crianças ao interromperem a continuidade da formação delas. No Congresso, há uma votação para determinar que a educação seja classificada como serviço essencial, para que assim as escolas sejam reabertas.

É impossível afirmar que os professores não querem trabalhar, pois a generalização não soa como um bom argumento em qualquer discussão, sobretudo em matéria de educação. Mas a pergunta que fica é: afinal, o que estava em jogo para o retorno das aulas? Muitos afirmam que precisam de “condições de trabalho”, mas o que isso exatamente significa? Certamente após a vacinação em massa, demanda principal, virão outras exigências. Em matéria de “luta por direitos”, isso nunca terá fim.

Regina disse que a fala do deputado Barros “envergonha o sistema democrático do nosso país”. O que isso exatamente quer dizer? Parece que além da palavra “respeito”, o termo “sistema democrático” ou mesmo “Estado Democrático de Direito” parece comumente mencionado. A democracia permite o contraponto de ideias. Ela usa a palavra “democracia” para impedir que outro político se manifeste? Parece um tanto antidemocrático.

Na ocasião em que se manifestou na tribuna, a parlamentar disse que quem não está trabalhando é o deputado [Barros] e que ela espera que os políticos lutem pela vacinação em massa no país. Na tribuna, em algumas ocasiões, ela afirmou que não é contra o retorno das aulas, mas sob determinadas condições. Para Regina, a imunização dos professores é imprescindível para a retomada das aulas presenciais. É preciso reforçar que, após a imunização dos professores, novas demandas virão.

Ainda, a vereadora disse que a educação é apenas vista como essencial quando visa obrigar as pessoas a retornarem às escolas, ressaltando que os professores não deixaram de trabalhar ao longo da pandemia: “Eu defendo a educação como essencial como instrumento de transformação social. Eu defendo que lugar de criança é na escola. E a escola deve ser o lugar mais seguro do mundo para essas crianças, já que suas casas nem sempre são capazes de garantir essa segurança”.

Ela apontou ainda que os governantes estão jogando a população contra os professores e contra as escolas. Informou que o governador Eduardo Leite sabia que havia uma impossibilidade jurídica para o retorno das aulas. No entanto, desconsiderou uma ordem judicial para determinar o retorno às aulas.

Pois bem. Depois de contextualizado o motivo de resgatar essa discussão, conversamos com a vereadora, que prontamente nos atendeu, como também Eduardo Albuquerque, presidente do CMP Sindicato. Abaixo, é possível conferir a participação da vereadora Regina no Programa CMP, conduzido pelo próprio presidente da entidade.

Para a vereadora Regina, foram feitas as seguintes perguntas:

a) A senhora disse na tribuna que “a Educação merece respeito”. Qual o exato alcance da palavra respeito neste caso? O que seria um “ato de desrespeito” direcionado neste momento à Educação?

b) O que o sindicato dos professores quer, afinal, para retornar às aulas? A vacinação dos professores basta? O que mais é necessário? (Quando realizada esta pergunta, a prefeitura de Passo Fundo já havia determinado o retorno)

c) Qual o protocolo que o CMP ou demais sindicatos sugeriram para o retorno das aulas?

De acordo com a parlamentar, ela tem ido às instituições de ensino e fiscalizado de perto como estão as condições de trabalho dos professores, com agenda intensa de visitas e reuniões. É preciso destacar que, conforme pontuado pela vereadora, as suas respostas eram de cunho pessoal, em nenhum momento se fazendo representante de qualquer sindicato: “Eu só posso me manifestar acerca do meu gabinete, jamais como porta-voz dos sindicatos de classe“.

Em relação à primeira pergunta, ela disse que o respeito exigido estava intimamente associado aos ataques que a classe dos professores tem sofrido, quando injustamente dizem que os professores não querem o retorno das aulas e que não querem trabalhar. Há um abismo entre a realidade das escolas privadas e públicas, sobretudo quando comparados os recursos tecnológicos das instituições e o acesso à internet por parte dos alunos. Para ela, o poder público teve cerca de um ano para preparar o retorno das aulas com as condições necessárias, mas acabou deixando para última hora, exigindo que os professores improvisem na maneira como conduzem as atividades escolares. Mencionou, inclusive, aquilo anteriormente citado neste texto, sobre o posicionamento do deputado federal Ricardo Barros (Progressistas-PR), líder do governo federal na Câmara dos Deputados: “os gestores públicos, além de não darem as condições necessárias para o retorno e criticar o trabalho dos professores, colocam a população contra a a categoria dos profissionais da Educação“.

Para ela, com a paralização das aulas, muita economia foi feita. Em outras palavras, com as aulas suspensas, parte dos recursos destinados à educação não foram utilizados. Esse montante poderia ter sido revertido para a aquisição de materiais tecnológicos para condução das aulas de forma remota. O seu gabinete fez indicação para que fossem entregues kits de alimentação para as famílias dos alunos mais carentes, já que a merenda escolar não estava sendo distribuída: “A gente sabe que há muitas crianças que frequentam a escola para poderem se alimentar“, lamentou.

Em relação à segunda e à terceira pergunta, a vereadora disse que deixaria a cargo do Sindicato. No entanto, afirmou que o CMP colaborou com a elaboração do protocolo de retorno e não tem medido esforços para fiscalizar o retorno das atividades escolares.

Em outra oportunidade, perguntamos a quem ela se referia quando afirmava “a responsabilidade é dos gestores públicos”. Afinal, de quem ela está falando? Ela respondeu: “Governo Federal, Governador Estadual e prefeito de Passo Fundo; enfim, todos os responsáveis pela política de enfrentamento ao Covid e da Educação pública“.

Ainda, questionamos quais seriam, na opinião dela, as condições de trabalho ideais para os professores. Em resposta: “Quanto ao que precisa: garantia dos protocolos sanitários, disponibilizar testagem, vacina, equipe de monitoramento e equipamentos tecnológicos e internet. Isso seria o básico, considerando que estamos ainda em meio a uma pandemia“.

Por conta da extensão e importância do assunto, vamos deixar os assuntos tratados com o presidente do CMP Sindicato para a próxima matéria, que será publicada nos próximos dias.

Agradecemos, mais uma vez, a vereadora Regina dos Santos pela disponibilidade em atender a nossa equipe.

Continue Lendo

Assine nossa newsletter

* indicates required

Mais Acessados

Copyright © 2021. Lócus Online.