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Eleições 2022

Eduardo Leite corta Aécio Neves em foto de visita ao deputado Paulinho da Força

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Leite foi “construir convergências” com deputado sindicalista, mas divergiu do colega tucano na imagem

Eduardo Leite está fazendo suas visitas partidárias (ou pré-eleitorais) pelo Brasil, vendendo seu nome como alternativa viável na dita “terceira via” brasileira.

Nesta segunda, 18 de abril, o ex-governador gaúcho visitou o deputado federal Paulinho da Força (Solidariedade) para ter – palavras dele – “uma boa conversa sobre o Brasil e a necessária construção de convergências na agenda política do país”. Ao divulgar o ato no Twitter, Leite posou para a foto ao lado de Paulinho da Força, cortando o companheiro de partido Aécio Neves, seu acompanhante na reunião.

Leite e Paulinho

O tweet de Eduardo Leite.

Curiosamente, o Twitter do deputado Paulinho contou a história completa, colocando-se entre Leite e Aécio, sem pudores.

 

O tweet de Paulinho da Força.

O corte seletivo por parte de Eduardo Leite não pegou muito bem nas redes. Há quem diga que o ato não foi honesto. Na linguagem política, quem é da área sabe que isso tem nome.

O Twitter de Aécio não postou qualquer referência ao encontro. Nem sobre qualquer coisa: a conta verificada (com 619 mil seguidores) do homem que foi candidato a presidência em 2014 não posta nada desde setembro de 2018. No Facebook (e no Instagram), o hoje deputado federal Aécio Neves ainda é ativo. E não é que o deputado não postou o encontro com Paulinho, mas reforçou seu apoio ao Leite enquanto contava que esteve reunido com Fernando Henrique Cardoso e Michel Temer? Incrível.

Eduardo Leite Aécio

O post de Aécio Neves no Facebook. 

 

Realmente, os tucanos possuem maneiras peculiares de demonstrar ou esconder apoios…

Eleições 2022

Candidatura é registrada com nome de urna contra Bolsonaro no RS

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nome de urna

Candidato a deputado pelo PSOL usou o próprio nome de urna para militar contra o presidente. Registro também revela falha grave do TSE

O candidado a deputado estadual pelo PSOL Christopher Borges Veleda, natural de Pelotas, RS, usou o próprio nome de urna para lutar contra o presidente Bolsonaro. Quem teclar seu número, verá a sua foto e o nome CHRIS COL BOLSONARO NUNCA MAIS.

Nome de urna é o “nome artístico” dos políticos que aparece na hora da votação. Segundo as regras, não é qualquer texto que pode ser registrado no sistema. A Resolução 23609/2019 diz em seu artigo 25:

O nome para constar da urna eletrônica terá no máximo 30 (trinta) caracteres, incluindo-se o espaço entre os nomes, podendo ser o prenome, sobrenome, cognome, nome abreviado, apelido ou nome pelo qual a candidata ou o candidato é mais conhecida(o), desde que não se estabeleça dúvida quanto a sua identidade, não atente contra o pudor e não seja ridículo ou irreverente.

§ 1º Não será permitido, na composição do nome a ser inserido na urna eletrônica, o uso de expressão ou de siglas pertencentes a qualquer órgão da administração pública federal, estadual, distrital ou municipal, direta ou indireta. (Renumerado pela Resolução nº 23.675/2021)

§ 2º No caso de candidaturas promovidas coletivamente, a candidata ou o candidato poderá, na composição de seu nome para a urna, apor ao nome pelo qual se identifica individualmente a designação do grupo ou coletivo social que apoia sua candidatura, respeitado o limite máximo de caracteres. (Incluído pela Resolução nº 23.675/2021)

§ 3º É vedado o registro de nome de urna contendo apenas a designação do respectivo grupo ou coletivo social. (Incluído pela Resolução nº 23.675/2021)

§ 4º Não constitui dúvida quanto à identidade da candidata ou do candidato a menção feita, em seu nome para urna, a projeto coletivo de que faça parte. (Incluído pela Resolução nº 23.675/2021).

A candidatura ainda aguarda a aprovação do registro. Os dados estão disponibilizados no site DivulgaCand.

Nas redes sociais

Veleda informou ao TSE uma conta no Instagram chamada @chriscolbolsonaronuncamais, ainda sem postagens e com um seguidor. O usuário segue apenas duas contas, sendo uma delas a verdadeira persona do candidato a deputado, conhecido como DJ.

No Facebook, Veleda é bem simpático ao PT e Lula:

Confusão no TSE

O nome de Veleda, por incrível que pareça, está registrado em duas candidaturas para as eleições de 2022: uma para deputado estadual e outra para deputado federal. Um erro inaceitável para um sistema eleitoral a prova de qualquer falha. Os links para os registros são https://divulgacandcontas.tse.jus.br/divulga/#/candidato/2022/2040602022/RS/210001604747 para estadual e https://divulgacandcontas.tse.jus.br/divulga/#/candidato/2022/2040602022/RS/210001596913 para federal. Arquivamos os dois registros em https://archive.ph/L07Gh e https://archive.ph/dphzz.

 

 

Até os sistemas de informática mais rudimentares do mundo são dotados de dispositivos que evitam a redundância de registros. No sistema que controla os candidatos brasileiros, parece que os desenvolvedores perderam essa aula. Segundo os documentos que acompanham o registro, a candidatura a deputado estadual foi requerida no dia 3 de agosto e a de deputado federal em 27 de julho.

No dia 5 de agosto, foi juntada uma petição de renúncia, informando que sua candidatura foi alterada para deputado estadual, mas os dois registros continuaram disponíveis ao público no site DivulgaCand.

O “Col” do nome vem de “Coletivo Bolsonaro Nunca Mais”. Isso gera um loop ético no registro: se atende a norma em uso de nome de grupo, fere quanto a regra pede que o nome “não atente contra o pudor e não seja ridículo ou irreverente”. 

Resta saber se o TSE aceitará a candidatura  com um nome de urna desse gabarito.

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Eleições 2022

A juíza gaúcha que quer proibir a bandeira nacional na campanha precisa notar outros símbolos

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O uso da bandeira do Brasil por parte de uma facção política não é a adoção de um símbolo, é justamente o contrário: a renúncia a todos eles

A juíza Ana Lúcia Todeschini Martinez, titular do cartório eleitoral de Santo Antônio das Missões, no Rio Grande do Sul, disse em entrevista para a rádio Fronteira Missões que o uso da bandeira nacional na campanha de 2022 vai configurar propaganda eleitoral. O entendimento foi colocado em reunião com partidos políticos da cidade, para orientações legais sobre as eleições.

A informação ganhou destaque em vários sites nacionais e gerou resposta do presidente. Através das redes sociais, Bolsonaro disse:

É absurdo querer proibir o uso da bandeira do Brasil sob justificativa eleitoral. Não tenho culpa se resgatamos os valores e símbolos nacionais que a esquerda abandonou para dar lugar a bandeiras vermelhas, a internacional socialista e pautas como aborto e liberação de drogas.”

É notório que os apoiadores de Bolsonaro usam e abusam do verde e amarelo nas manifestações e nunca adotaram uma bandeira específica de agremiação partidária ou movimento político nacional ou internacional. Já houve caso – lá no início – de um gato pingado aqui e ali portando uma bandeira de Gadsden, mas nada significativo e essa época já passou. Até o uso das bandeiras do PL é raro nas manifestações.

Bolsonaro verde e amarelo: a cor atribuída ao presidente do Brasil ganhou até as praias do país em forma de toalhas.

Este nacionalismo (tem gente que chama de nacional-populismo) renunciou a todos os símbolos e se abraçou na bandeira nacional mais por necessidade do que por estratégia. Bolsonaro nunca foi muito apegado a partidos e nem faz parte hoje da sigla pela qual foi eleito. Saiu o 17 do PSL e entrou o 22 do PL. Pelo caminho, a tentativa frustrada de fundar o Aliança.

Mesmo assim, não há como vedar o uso da bandeira nacional durante uma campanha eleitoral, por conta da afeição de um grupo ao que é de todos. Petistas e tucanos podem (e o fazem) abraçar a bandeira, ninguém os impede. Seria também uma insanidade considerar que essas forças antagônicas ao bolsonarismo estariam traindo aos seus se tocassem no pano verde. No meio deste tiroteio, o cidadão comum não pode ser privado de pendurar a bandeira do seu país na sacada no dia da eleição. O orgulho pode significar o próprio processo eleitoral e não candidato A ou B.

Se a bandeira brasileira é de todos, outros símbolos nem tanto. Seja a bandeira de Cuba que decorou o Palácio Piratini no primeiro governo petista do Rio Grande do Sul (1999) até a bandeira LGBT ou a do MST, todos sabem que são marcas indissociáveis da esquerda mundial, e seu expoente candidato é o Lula. A juíza gaúcha precisa proibir outros símbolos. Questão de justiça, isonomia, sem trocadilho.

PS. Para quem quiser ouvir a entrevista da juíza (que nem a rádio tem), o site Diário do Poder postou uma cópia em seu canal no SoundCloud.

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Eleições 2022

Eduardo Leite, pré-candidato, aparece em postagens oficiais do Governo RS nas redes sociais

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Adepto do discurso “longe das benesses do poder”, o ex-governador continua se beneficiando da máquina pública

Pré-candidato ao governo do estado desde o dia 13 de junho, Eduardo Leite já fez muita ginástica retórica para bradar que não usa as benesses do poder e que se afastou do governo para poder concorrer sem vantagens aparentes. Mesmo assim, o ex-governador parece que saiu do Piratini, mas o Piratini não saiu dele.

Eduardo Leite 2022

Leite aparece em postagem do Governo RS referente a obra pública…

 

leite na cadeia

…mas ele mesmo já tinha adiantado a divulgação na própria página, horas antes – Leite na cadeia. 

 

Eduardo Leite

Para finalizar, a visita virou card de pré-campanha, com frase de efeito.

 

Leite apareceu nesta terça em uma postagem oficial do Governo RS, sobre a ordem de início das obras na Cadeia Pública de Porto Alegre, antigo Presídio Central. As fotos foram publicadas no Facebook às 17h15, bem depois do destaque dado pelo próprio Leite na mesma rede, só que às 14h13. No dia anterior, apesar de não aparecer em postagens do governo, lá estava o pré-candidato na inauguração do Núcleo de Gestão Estratégica do Sistema Prisional (Nugesp). E vamos poupar o leitor dos aproveitamentos anteriores ao dia 13 de junho, para não deixar o artigo longo demais.

Vamos relembrar as palavras do próprio Eduardo (já comentadas aqui), sobre a forma de disputar esta eleição e sua peculiar definição de reeleição, tantas vezes renegada: “Foi também a renúncia que me deixou mais confortável para disputar um novo mandato. Fora do cargo, fora do poder e sem contaminar a máquina pública. Podemos ser um candidato a governador e não um governador candidato. O Brasil deu exemplos de que a reeleição no cargo muitas vezes não é um bom caminho, e tá aí o mensalão em uma oportunidade, o orçamento secreto em outra, que estão aí para provar. Mas o Rio Grande, mais uma vez, à exemplo de que é legítimo, é possível, benéfico, separar o governo e a eleição. O governador e o candidato. Sem usar instrumentos do poder para conquistar votos ou para conquistar alianças e apoios“. Agarrado na na máquina pública e de foto em foto, o ex-governador vai se beneficiando do prestígio emprestado pela entourage tucana que hoje comanda o Piratini. Tal qual outros políticos de outros governos e outros tons de esquerda e direita mas que, por incrível que pareça, não negavam a navegação nesta área cinza de nossas leis eleitorais.

 

 

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