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Bolsonaro acaba com o sonho socialista do “chip estatal” e liquida a CEITEC, menina dos olhos de Beto Albuquerque

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Estatal tem cargos de indicação política com altos salários e desempenho financeiro de dar pena, com prejuízos milionários e históricas denúncias de corrupção

O Governo Federal vai acabar com a CEITEC, a estatal localizada no Rio Grande do Sul que nasceu nos tempos de Olívio Dutra e levou um upgrade no governo Lula. A decisão saiu de uma reunião do Conselho do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) realizada no dia 9 de junho.

O Centro de Excelência em Tecnologia Eletrônica Avançada (Ceitec) começou a ganhar forma no governo Olívio Dutra no início dos anos 2000. Seu primeiro Conselho de Administração tinha empresários, sindicalistas, políticos e pesquisadores com o sonho de fabricar um chip made in Brazil, produzido em Porto Alegre e ser âncora da indústria eletrônica brasileira, revolucionando a economia gaúcha. Outras centenas de chavões estatais foram usados na época para anunciar o grande empreendimento.

O site oficial do Governo gaúcho deu destaque em abril de 2020:

“Foi constituído hoje (29), o Conselho de Administração, do Centro de Excelência em Tecnologia Eletrônica Avançada (Ceitec). O primeiro centro de microeletrônica do hemisfério sul começará a produzir chips em Porto Alegre no início de 2004. O resultado será a modernização de todo o parque produtivo do Estado, que passará a ser referência na América Latina e no hemisfério sul. É também um meio de geração de renda espraiada e incentivo à pesquisa e ao conhecimento, destacou o governador Olívio Dutra, na assembléia que constituiu o Ceitec entidade civil, realizada no Theatro São Pedro”. (Os destaques são nossos e a íntegra está neste link.)

Em 2005, o CEITEC começou a atuar na forma de centro de design dentro do parque tecnológico da UFRGS e, em 2008, foi absorvido pelo Governo Federal, virando uma empresa pública, a CEITEC SA. Em 2011, a Revista Isto é fez denúncia de irregularidades na reportagem Fábrica de Ilusões, apontando prejuízos, aditivos obscuros em contratos, erros na obra da sede e um desabafo do ex-presidente importado da Alemanha, Eduard R. Weichselbaumer. O Blog do jornalista Políbio Braga também repercutiu o caso no mesmo ano em “Ex-presidente confirma que a fábrica gaúcha de chips não funciona e foi um antro de malfeitorias.

Lula, Dilma, Beto e outros em inauguração no CEITEC em 2010. Foto: Marprom Comunicação e Marketing.

O primeiro chip de fato só seria fabricado em 2012. Uma timeline de realizações pode ser vista no site da própria CEITEC que revela a marca de 110 milhões de chips produzidos até o ano de 2019, principalmente em soluções de RFID para tecnologia de identificação.

A menina dos olhos de Beto Albuquerque

Só pela quantidade de textos que fazem menção ao assunto (mais de 100) no site oficial do ex-deputado federal Beto Albuquerque, dá para se ter uma ideia do interesse do político no tema e o orgulho do mesmo em ter participado deste empreendimento onde PT é pai e PSB é mãe. De um dos textos, retiramos:

“O processo de criação do Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada S.A. (CEITEC), inaugurado pelo presidente Lula este ano, em Porto Alegre, teve a participação direta do deputado federal Beto Albuquerque e de seu partido, o PSB.O parlamentar gaúcho foi relator do projeto que autorizou a criação da empresa na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara e acompanhou todo o processo de construção e implantação do CEITEC. Beto destaca que a empresa é um orgulho para o PSB, partido que desde o início do governo Lula comanda o Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT), ao qual a fábrica é vinculada. Trabalhamos com total empenho para criar o CEITEC e ver a execução da obra, o que torna o dia de hoje extremamente importante para todos nós, afirma Beto.”

O CEITEC na reunião do PPI

O Powerpoint da reunião onde foi decidido o destino do CEITEC exibiu informações importantes sobre o desempenho da estatal, como a situação econômico-financeira.

Quem sobrevive tanto tempo com um resultado assim? Uma estatal.

Cargos em comissão com salário acima do que é pago ao governador do Estado

A estatal CEITEC tem prejuízo ao longo dos anos, mas paga muito bem. Na folha de maio de 2020, é possível encontrar cargos de confiança com salários de quase R$ 30 mil. Para puro efeito de comparação – já que estamos falando de uma estatal federal – é muito acima do que é pago para o governador do Estado, R$ 25,3 mil (bruto).

Sim, é o Zachia que você estão pensando. Saiba mais em Fábrica de chips do RS, Ceitec não escapa do loteamento político, na Gaúcha ZH.

Alguns trâmites políticos ainda serão realizados até a liquidação total da CEITEC e a exoneração dos funcionários, podendo haver reviravoltas na decisão e até preservação de algumas funções com outra modalidade jurídica. Aos defensores do Estado forte e fabricante de chips, fica no ar a pergunta: o que a iniciativa privada teria feito com todo o dinheiro gasto nesta aventura socialista? Com certeza, muito mais (e pagando impostos).

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Eduardo Leite faz do 20 de Setembro espaço para luta racial

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Evento especial no Palácio Piratini teve música e declamação de poesias com temas sobre o negro na história gaúcha

“Um 20 de Setembro muito especial e marcante, com a força da mulher negra gaúcha representada pela patrona Liliana Cardoso”. Assim foi apresentado o último post no Facebook do governador Eduardo Leite, sobre o encerramento das reduzidas festividades farroupilhas em época de pandemia, no Palácio Piratini.

Liliana Cardoso foi escolhida Patrona dos Festejos Farroupilhas deste ano e, em paralelo, promoveu durante o evento o seu livro entitulado “A Matriz da Cultura Negra no Gauchismo”.

 

eduardo leite

Em outro post, Leite luta por uma “sociedade mais justa e igual”, ainda no contexto das festividades farroupilhas.

 

Para não perder a viagem, comentários que remetem ao cenário nacional

Divulgando fotos da extinção da Chama Crioula, o governador adicionou:

Encerramos os #FestejosFarroupilhas 2021 com um importante e simbólico desfile, sem público e com número de participantes reduzido. Mas estes cavalarianos, homens e mulheres, representaram o orgulho que todos nós, gaúchos, sentimos pela nossa história.

Se há quase 200 anos o RS se levantava contra as injustiças, travando uma guerra em torno dos ideais farroupilhas, nos tempos atuais, o enfrentamento é outro. A coragem e a ousadia é justamente nos opormos à cultura da guerra, do enfrentamento que nos divide.

Que a chama da união da Semana Farroupilha permaneça acesa em cada um de nós e que as nossas façanhas possam sem construídas em torno da paz, do equilíbrio, da sensatez.

Desde o início da Semana Farroupilha, o governador tem aproveitado para “colar” suas ações governamentais, sempre divulgadas como certeiras e de sucesso, ao tema da revolução. No final, não foi diferente: até as pedras sabem o endereço de entrega de qualquer mensagem sobre “guerra e enfrentamento”.

 

Acima: governador Eduardo Leite e a Secretária de Cultura do RS Beatriz Araújo recebendo o livro “A Matriz da Cultura Negra no Gauchismo” das mãos da autora Liliana Cardoso.  Foto: Itamar Aguiar / Palácio Piratini.

Aqui, outra visão sobre a cultura gaúcha em post da mesma secretária, em 2017, quando defendia a reabertura da Queermuseu, em Porto Alegre.

 

O governo Leite praticamente fundiu o movimento tradicionalista gaúcho com o movimento negro nesta edição da Semana Farroupilha. Nas comemorações finais e pela ótica do segundo, fez considerações sobre o papel do negro no Rio Grande do Sul, revisionismo do infame caso dos Lanceiros Negros durante a revolução e muito discurso que remete a luta de classes, com desejo permanente de representatividade. Pode ser apenas o acaso, mas também um capitulo da escalada de Eduardo Leite para se firmar entre minorias, rumo a outro palácio, o do Planalto.

Alceu Collares

PS. Apesar da limitada cobertura dos eventos com transmissão da TVE e postagens nas redes sociais do governador e do Governo RS, parece que não há, no contexto da celebração do papel do negro no RS neste evento, qualquer menção ao ex-governador Alceu Collares, primeiro governador negro do RS (1991-1995). Uma lástima.

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Eduardo Leite vem aglomerar em Passo Fundo e dizer que investiu no aeroporto

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Acompanhando de uma enorme equipe, o governador Eduardo Leite veio visitar as obras do Aeroporto de Passo Fundo

 

O governador Eduardo Leite esteve em Passo Fundo nesta quarta, 28 de julho. Entre as visitas agendadas na cidade, um passeio pelas obras do aeroporto e uma declaração no Facebook no mínimo curiosa:

“Em Passo Fundo, com a equipe de governo, acompanhei a evolução das obras do Aeroporto Lauro Kortz. São investidos R$ 49 milhões na ampliação e modernização da pista, novo terminal de passageiros e novo pátio para aeronaves. Toda a economia e o turismo dessa próspera região serão beneficiados.”.

eduardo leite

O post com a declaração, disponível neste link.

Sem revelar a fonte dos recursos deste investimento em declaração na própria página, Leite dá a entender que está bancando a obra, que é recurso federal, com pequena contrapartida do Governo do Estado.

A Lócus tem vasta coletânea de informações sobre o assunto “aeroporto“, e gostaria de criar novo material apenas com novidades de fato. Mas esta jogada de marketing político não poderia ficar sem uma nota.

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Wesp tentou garantir “mesada” para Eduardo Leite e sucessores, mas foi derrotado na Assembleia Legislativa

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Os deputados gaúchos acabaram com a Lei que garantia pensão vitalícia para ex-governadores, derrubando também uma manobra que daria um extra temporário após o término do mandato

A Assembleia Legislativa derrubou a Lei nº 7.285/1979, garantidora de uma pensão vitalícia de R$ 30.471,11 para todos os ex-governadores gaúchos, bem como para as suas viúvas. O benefício custa atualmente cerca de R$ 5 milhões. O valor é uma gota no oceano orçamentário do Estado, mas a economia tem um enorme significado moral.

Não foi tão simples assim acabar com este privilégio de poucos. O PL 482 de autoria do Deputado Pedro Pereira (PSDB), que revogaria a Lei que dava o benefício, tramitava desde 2015 – e sempre batia na trave. Apesar do avanço obtido no mesmo ano, quando outro Projeto de Lei limitou em 4 anos a “aposentadoria” para os futuros governadores, os antigos continuavam recebendo.

votação aposentadorias governadores rs

Resultado final da votação: 49 a 1. Foto: reprodução do Facebook do Deputado Fábio Ostermann.

Na última terça, finalmente o PL foi levado ao plenário e aprovado por 49 a 1, derrubando a pensão vitalícia para ex-governadores e viúvas. O resultado é fruto do esforço da Frente Parlamentar de Combate aos Privilégios, o grupo de deputados atualmente liderado por Fábio Ostermann (NOVO), que busca, como o próprio nome diz, acabar com certos mimos reservados a políticos gaúchos.

Algumas manobras tentaram modificar esta decisão.

Dois substitutivos ao Projeto de Lei foram elaborados. O primeiro – retirado posteriormente –  de autoria do Deputado Mateus Wesp (PSDB), o próprio Pedro Pereira (PSDB) e Sérgio Turra (PP), tinha a intenção de mudar o projeto para incluir um subsídio mensal, igual ao vencimento de Governador do Estado e de forma proporcional ao tempo de mandato, por 1 ano.

autoria mateus wesp

O substituitivo, proposto e retirado. Autoria de Mateus Wesp e outros.

O segundo, de autoria de Gilberto Capoani (MDB) e outros 10 deputados, também tentava  conceder a mesada para os ex-governadores, mas por apenas 6 meses, nos mesmos moldes. Na justificativa, evitar confrontos entre o público e o privado, uma espécie de confortável quarentena sustentada pelos cofres públicos. O substitutivo foi derrotado por 26 a 23. Votaram sim os deputados petistas, os emedebistas, Mateus Wesp (sozinho entre os tucanos) e outros.

wesp sozinho

 

wesp votou

Acima: segundo substitutivo que tentou pagar 6 meses de benefícios para ex-governadores, derrotado no Plenário. Wesp foi o único tucano a votar Sim. Confira a votação neste link.

 

Venceu a prudência

O povo gaúcho tirou das costas mais essa mamata (ainda que alguns não considerem ruim a prática), por conta do bom trabalho dos deputados da Frente Parlamentar, formada para acabar com privilégios como esse. No final das contas, vencido no substitutivo, Wesp tentou emplacar a “versão 6 meses” antes, mas votou pelo fim do benefício quando o PL em si foi votado. Nada mais restava a fazer. De qualquer forma, fica o registro.

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