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Eduardo Leite não vai Eduardo Leite não vai

Estaduais/RS

Fique tranquilo, Eduardo Leite não vai rastrear o seu celular

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Anúncio de parceria do governo do Estado com a operadora Vivo para fornecer dados de movimentação dos usuários assustou os gaúchos. Saiba como isso funciona.

O governador Eduardo Leite usou as redes sociais no último dia 10 de abril para atualizar os seguidores sobre as ações que estão sendo praticadas na gestão da crise com a pandemia do coronavírus.

Uma das novidades assustou boa parte dos gaúchos: o anúncio de uma parceria com operadoras de telefonia celular para o fornecimento de dados agregados (não individualizados) sobre o deslocamento dos celulares, para detecção ou constatação de possíveis aglomerações. Os dados seriam apresentados no formato “mapa de calor”, mostrando regiões com maior ou menor concentração de pessoas nas cidades gaúchas.

https://www.facebook.com/GovernodoRS/videos/2603393956542420/

A live do anúncio: o assunto está em 11:30.

Se você já entendeu e mesmo assim tem reservas quanto a possibilidade do governo monitorar massas de pessoas em tempo real, pode continuar preocupado, pois é exatamente isso o que vai acontecer. Se você tem dúvidas sobre a ação individual nos aparelhos de celular, este texto é para você.

Pontos importantes a ponderar

Você pode dividir (a grosso modo) dados de celular em três grupos: o que está dentro do seu celular, no sistema operacional (Android, iOS e outros); o que vive na operadora como dados do dispositivo (conexão do celular até a antena, seu cadastro em geral, tarifação telefônica, sinais diversos); e o que você já mandou para os aplicativos e sites que costuma usar como todos os da família Google, Facebook, Instagram, WhatsApp, Strava e tantos outros.

Os dados que serão fornecidos para o governo são os que vivem na operadora, sem acesso direto ao seu celular, já agrupados com o posicionamento de vizinhos, colegas de trabalho e pessoas que estão no supermercado com você. Estes dados viram manchas em um mapa. Um exemplo: pequenas manchas espalhadas pelos bairros de Passo Fundo vão convergindo para o Bourbon e lá viram uma mancha vermelha maior.

Eduardo Leite não vai rastrear o seu celular

O governo não terá acesso ao posicionamento individual do seu dispositivo. Melhor dizendo, a operadora não entregará o seu histórico de posicionamento para o governo, e sim lotes, volumes de dispositivos por área em determinado tempo.

A prática não é uma invenção brasileira

Vários países no mundo estão usando técnicas similares para dois tipos de trabalho. O primeiro, entender a dinâmica da transmissão do vírus baseados no deslocamento de grandes massas. O segundo, a ação em tempo real para dispersão de aglomerações em tempos de ordens para isolamento social. É o sistema apitando um alarme e dizendo “Ei, no mínimo, 500 pessoas estão curtindo um jogo de futebol no campinho do bairro, façam alguma coisa”.

O experimento da Flórida

No final de março, nos Estados Unidos, duas empresas (X-mode e Tectonix) apresentaram  uma animação em tempo real do deslocamento de pessoas entre a praia de Fort Lauderdale e suas casas. Foi possível observar que o acúmulo de centenas de pessoas em uma estreita faixa de areia na Flórida resultou em um potencial espalhamento de vírus capaz de cobrir ⅓ do território americano, na costa leste. 

O experimento: as pessoas que curtiram a praia nesta pequena faixa de areia…

Voltaram para as suas casas em diversas cidades da costa leste e outras regiões dos EUA.

Diferente do proposto no Rio Grande do Sul, esta experiência usou dados de aplicativos que capturam a localização de forma permanente nos celulares, sem contato com as operadoras. As empresas envolvidas são fornecedoras de soluções de dados para desenvolvedores, empresas de publicidade e previsão do tempo.

Mesmo agregados, dados podem prejudicar empresas

Se usuários podem ficar tranquilos, grandes empresas do varejo nem tanto. A informação de horários de pico em shoppings e supermercados (entre outros negócios) é confidencial e muitos estabelecimentos usam este tipo de dado para planejamento de ações. Ainda que severamente alteradas em tempos de pandemia e “quarentenas”, tornar público as estatísticas de horários de pico de empresas com atendimento ao público pode ser prejudicial.

O lado bom

As tecnologias que monitoram o deslocamento de pessoas por celular podem ajudar governos municipais e até economizar dinheiro público. Tratadas com o devido cuidado e obedecendo às lei de proteção de dados, elas podem determinar onde realizar obras, como administrar o trânsito e traçar linhas de ônibus. Combinadas com outras formas de coleta de dados (lombadas eletrônicas, sistemas de emissão de notas fiscais, câmeras de trânsito, leitores de placas de veículos e outros), são uma mão na roda para o gestor. E podem até salvar vidas: na Califórnia, já foram realizadas buscas de sobreviventes dos incêndios com o uso de dados de localização.

 

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Deputado inimigo dos rodeios agora quer licença de servidor em caso de falecimento de animal de estimação

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falecimento de animal

“É um luto como se fosse de um familiar, às vezes até uma dor maior do que a perda de um ente da família”, diz o deputado

O deputado estadual Rodrigo Maroni, do PSDB, protocolou um Projeto de Lei Complementar na Assembleia para dar o benefício de licença (afastamento) por até dois dias consecutivos para o servidor público que perder um animal de estimação por falecimento.

Para o jornalismo da AL, o deputado protetor dos animais declarou: “É o mínimo que pode ser concedido à pessoa, ao servidor público que perde seu animal de estimação, hoje em dia. É um luto como se fosse de um familiar, às vezes até uma dor maior do que a perda de um pai, uma mãe ou um familiar, justamente por isso este momento em que ocorre a morte deve ser respeitado”.

A justificativa do PL também leva afirmação similar e flerta com a reescrita da definição de família nas leis brasileiras:

“O presente Projeto de Lei Complementar tem por finalidade alterar a Lei Complementar n° 10.098, de 3 de fevereiro de 1994, que dispõe sobre o estatuto e regime jurídico único dos servidores públicos civis do Estado do Rio Grande do Sul, para considerar como de efetivo exercício até 2 dias consecutivos o afastamento em decorrência do falecimento de animal de estimação.

“Segundo dados do IBGE, aproximadamente 47% dos domicílios brasileiros têm ao menos um cachorro e quase 20% dos lares ao menos um gato. Em razão disso, os animais de estimação passaram a se tornar membros das famílias, tendo um laço de amor e carinho cada vez mais intenso e único com os seus tutores.

“Justamente em decorrência destes sentimentos de afeto, o momento em que ocorre a perda deste integrante da família deve ser respeitado, razão pela qual o Projeto aqui apresentado busca justamente amenizar, mesmo que minimamente, o sofrimento enfrentado pelos tutores nos primeiros dias após o falecimento do seu querido companheiro de 4 (quatro) patas”.

Má notícia para quem possui animal de estimação de duas patas ou rastejantes, não cobertos pela iniciativa do deputado.

O texto do PLC  apenas adiciona “falecimento de animal de estimação, até 2 (dois) dias consecutivos” na Lei Complementar 10098/1994, que já possui 16 motivos para o afastamento de serviço dos funcionários públicos. Essa lei dá 8 dias em caso de falecimento de cônjuge, ascendente, descendente, sogros, irmãos, companheiro ou companheira, madrasta ou padrasto, enteado e menor sob guarda ou tutela.

Facebook tucano

PSDB

“Isso é PSDB”, diz a hashtag que divulga do PLC do deputado Marroni no Facebook.

O PSDB tem uma bancada com 6 deputados estaduais na Assembleia Legislativa, mas a atenção nas redes sociais do partido não é proporcional. O deputado Marroni sempre aparece por lá com a divulgação de seus projetos. A página “Bancada PSDB RS” no Facebook, desde o dia da polêmica com a questão dos rodeios gaúchos (4 de maio), já criou 48 publicações. Destas, 8 são sobre Marroni, outras 8 sobre Mateus Wesp, 16 sobre temas genéricos e o resto distribuído para os outros deputados.

O projeto foi protocolado no dia 17/06/2022 e você pode acompanhar a tramitação nesta página.

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Estaduais/RS

A legal e imoral pensão do ex-governador Eduardo Leite é a pá de cal em sua carreira política?

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legal e imoral

Eduardo Leite entra de mala e cuia no rol dos políticos que acreditam que mamar no Estado é a melhor saída, apesar do verniz de bom moço que só quer espalhar amor

Setenta e sete dias se passaram entre a renúncia de Eduardo Leite ao cargo de governador e o anúncio de sua pré-candidatura à reeleição, selando o que passa a ser uma carreira política delimitada por duas grandes mentiras: a do pagamento em dia do funcionalismo público no primeiro ano de governo – compromisso eleitoral – e a mais cruel de todas (sim, tem mais), que é a promessa de não tentar a reeleição.

Neste período, Leite publicou pelo menos 96 vezes no Facebook um pouco da sua rotina, em meio a lembranças da sua época de governador e sua limitada vida pessoal, quase sempre acompanhado pelos cães. O ex-governador também se esforçou em sua campanha para tentar ser presidente pelo PSDB com um final trágico: os tucanos saíram do “Nem Lula nem Bolsonaro” para “Nem Dória nem Leite, talvez Tebet”.

De volta pra casa, Leite começou a aprontar, criando uma realidade alternativa para justificar a sua candidatura à reeleição, com a narrativa “já que houve a renúncia, não é a mesma coisa”. É difícil acreditar que até os tucanos gaúchos engoliram fácil essa cantilena. A julgar pelas presenças no indefectível “ombro a ombro” de políticos acompanhando Leite nas coletivas, parece que sim, compraram. Ou pior, são parceiros no crime (no sentido figurado, é bom lembrar).

Relembrando a renúncia de Eduardo Leite

Nós comentamos aqui a entrevista coletiva do governador no dia 28 de março, um longo discurso cheio de frases feitas e pouco sentido prático, acompanhado de um vídeo com tons de campanha eleitoral, que declarou a renúncia de Leite e a pré-candidatura do vice Ranolfo, para “continuar o trabalho construído junto”.

Na ocasião, Leite foi indagado pelo jornalista Eduardo Amaral, do Jornal NH, sobre a eleição local. Da longa resposta, destacamos:

“O PSDB liderou este projeto até aqui e tem um grande nome para liderar este projeto que é o nosso vice-governador delegado Ranolfo. Conhece o governo, conhece o estado, tá por dentro dos projetos, participou de cada passo e é um grande nome para dar continuidade a este projeto, é o nome que eu defendo.

“(…) E por isso eu tenho confiança no Ranolfo pra conduzir não apenas estes 9 meses deste nosso projeto que construímos juntos como tenho total confiança que ele está credenciado para liderar também o estado nos próximos 4 anos.”

Anotem: Leite saiu do governo achando normal alguém disputar eleição estando no cargo.

O anúncio da pré-candidatura

Leite e Ranolfo

Em entrevista coletiva no último dia 13 de junho, Leite fez outro longo discurso. Parece difícil de acreditar, mas ele disse isso ao lado do hoje governador Ranolfo, homem que poucas horas atrás era um pré-candidato no cargo.

“Foi também a renúncia que me deixou mais confortável para disputar um novo mandato. Fora do cargo, fora do poder e sem contaminar a máquina pública. Podemos ser um candidato a governador e não um governador candidato. O Brasil deu exemplos de que a reeleição no cargo muitas vezes não é um bom caminho, e tá aí o mensalão em uma oportunidade, o orçamento secreto em outra, que estão aí para provar. Mas o Rio Grande, mais uma vez, à exemplo de que é legítimo, é possível, benéfico, separar o governo e a eleição. O governador e o candidato. Sem usar instrumentos do poder para conquistar votos ou para conquistar alianças e apoios. Assim como eu fiz em Pelotas, quando eu fiquei no governo e a minha vice-prefeita foi disputar a eleição, agora sou quem parte para a disputa e o meu vice-governador, hoje governador, cuida do governo. Aliás, sendo um excelente governador, o que se provou desde o dia 31 de março quando assumiu o governo. Estar fora do cargo é a única maneira que eu aceitaria disputar a reeleição. Eu mudei de opinião mas eu não mudei de princípios. Por isso eu já disse tantas vezes que a renúncia me abria todas as possibilidades e não me retirava nenhuma. Uma das possibilidades era disputar o governo do Rio Grande do Sul”.

Será que tudo isso de ruim aconteceria na candidatura Ranolfo? As coisas mudam muito rápido na realidade de Eduardo Leite.

Eduardo Leite

Acima, Eduardo Leite “contaminando a máquina” durante a visitação de obras do Governo RS no início de junho. O agora candidato não perde uma oportunidade para estar presente em eventos assim, quase sempre rodeado de deputados do partido.

A pensão – Eduardo Leite melhorando a própria vida.

Novo versus Eduardo Leite: o deputado Fábio Ostermann aponta o absurdo do recebimento de pensão, Leite devolve a acusação de fake news e desvia o foco para o tempo do benefício e sua legalidade. Já passou da hora do deputado e do ex-governador debaterem ao vivo na TV ou em um canal do Youtube.

 

O jovem e cheio de saúde ex-governador vai ganhar uma aposentadoria de cerca de R$ 20 mil, por quatro anos. Na última semana, um embate surgiu na internet com os supostos R$ 40 mil que seriam pagos a Leite. Na realidade, o valor que corre pela mídia é referente a 2 meses pagos de uma só vez. O próprio governador sancionou uma lei em 2021 que acabava com as pensões vitalícias para ex-governadores, mas hoje se enquadra em outra lei, de 2015, que limita o benefício a 4 anos e de forma proporcional ao tempo no governo. Existe um parecer da PGE sobre o caso, que hoje virou uma briga na justiça com o Partido Novo. Não é um ponto pacífico e muita água vai rolar.

Pá de cal

O capital político é construído aos poucos, capturando eleitores através de posicionamentos e de todos os elementos subjetivos do candidato. Aparência, empatia e ideias ditas ou implícitas. É muito difícil calcular quantas pessoas votaram em Leite por conta da simpatia com a ideia de repúdio à reeleição, ou da figura de um jovem “nova política” que trata o gasto público com austeridade. Tentando reeleição com aposentadoria aos 37 anos, é colocada uma pá de cal na carreira política de Leite, que passa a ser só mais um político brasileiro. Bom de papo e ginasta da retórica, mas só mais um.

Palavra final

Leite gosta muito de repetir sem parar que é preciso acabar com a polarização no Brasil, mas esquece que existe uma bem especial por aqui: a polarização entre os políticos que gostam de mamar nos cofres públicos e aqueles que não gastam além do mínimo e também não usam o fundão eleitoral, diárias ou “auxílio mudança”. 

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Estaduais/RS

O Rio Grande do Sul poderá ser governado pelo PT até o final do ano

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valdeci oliveira

Não entendeu? Saiba quem assume o governo no caso de impedimento do atual governador, Ranolfo Vieira Jr

Desde a renúncia de Eduardo Leite, o Rio Grande do Sul passou a ser governado pelo vice, Ranolfo Vieira Júnior (PSDB). Mas o que acontecerá com o estado se ele precisar se ausentar do cargo?

Um governador pode se ausentar do cargo pelos mais variados motivos, dos mais simples como no caso das viagens oficiais, férias ou até mais complicados, como doença e renúncia. Na linha sucessória, assume o lugar do governador nestes casos o vice (oops, não temos mais) e em segundo lugar o presidente da Assembleia. Atualmente, nossa casa legislativa é presidida pelo petista Valdeci Oliveira.

Não pense que é uma situação incomum: em janeiro de 2021, com Eduardo Leite viajando e Ranolfo de férias, o então presidente da AL Ernani Polo assumiu o Rio Grande por dois dias. Em 2022, na mesma época, pelo mesmo período e por motivos similares assumiu o deputado Gabriel Souza.

Quem é Valdeci Oliveira

Valdeci e Lula: petismo raiz.

O deputado petista Antônio Valdeci Oliveira de Oliveira já foi vereador, deputado federal em 1998, prefeito de Santa Maria por duas vezes – vencendo as eleições de 2000 e 2004 – e coordenador de campanha de Lula no RS em 2006. É um petista raiz, filiado desde 1988 e também ex-dirigente sindical.

Valdeci foi eleito deputado estadual em 2010, 2014 e 2018. Na última, fez 57.840 votos (34.800 de Santa Maria). Para a presidência da Assembleia Legislativa, foi escolhido em acordo das bancadas gaúchas no início deste ano e ficará até o final da legislatura.

Por fim, quem diria: o Rio Grande do sul é virtualmente governado por uma “chapa” PSDB/PT.  Que perigo!

PS. Curiosidade: no impedimento do presidente da Assembleia, assume o governo a presidente do TJ-RS, a Desembargadora Iris Helena Medeiros Nogueira. Em 2014, o presidente do TJ-RS Desembargador José Aquino Flôres de Camargo assumiu o governo por 20 dias após licença de Tarso Genro e impedimentos eleitorais do vice (Beto Grill) e do presidente da AL.

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