Desistência de Flávio Rocha empobrece o debate eleitoral e reduz a amplitude das ideias de direita

É preciso dizer já na primeira linha: Flávio Rocha não tinha chance nenhuma de vencer a eleição presidencial! Ainda que seja um empresário bem sucedido, os paralelos traçados entre ele e Donald Trump não se sustentam. O atual presidente americano também é oriundo do meio empresarial, mas tinha presença firme no showbusiness, ambiente onde popularizou sua figura através de programas como o reality show “O Aprendiz”. Ao contrário de Trump, Rocha não é conhecido da população, e dificilmente se tornaria durante o curto período eleitoral.

Nesta sexta-feira, o empresário anunciou sua retirada da disputa presidencial. Em vídeo divulgado nas redes sociais, agradeceu seu partido e o Movimento Brasil Livre, grupo que o apoiou. “Apresentei ao país uma agenda verdadeiramente liberal na economia e voltada à modernização do nosso sistema de governo”, afirmou.

Essa desistência gera o empobrecimento do debate eleitoral. E aqui não se trata de declarar voto nesse ou naquele, mas de se reconhecer as qualidades do nome em questão. Proprietário da Lojas Riachuelo, uma das principais redes de departamentos do país, Rocha advogou propostas em favor da redução do Estado, bem como a defesa dos valores tradicionais. Um discurso que, ao longo de muito tempo, foi marginalizado no debate político brasileiro.

Eleitores de Bolsonaro, visando ter o monopólio do discurso conservador, comemoraram o abandono. É um erro. A esquerda jamais encarou como problema ter múltiplos candidatos disputando o voto do eleitor. Ao se fracionar, ela amplifica suas propostas, pautando os temas da campanha. Foi o que aconteceu nos últimos anos. É o que se chama de “Janela de Overton”, expressão usada para designar o leque de ideias que passam a dominar o imaginário popular. De modo que a saída de um deles reduz a amplitude e profundidade do debate.

A eleição presidencial de 2018 é a primeira, desde 1989, a apresentar candidatos com posicionamentos realmente distintos. Finalmente a falsa polarização política entre PSDB e PT foi superada. O quadro não é mais preenchido apenas por diferentes variações da esquerda. Hoje há conservadores e liberais na disputa. Rocha, junto com Jair Bolsonaro e João Amoêdo, representam espectros ideológicos que não eram defendidos em disputas anteriores. De modo que, a saída de um deles reduz a amplitude e profundidade do debate.

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