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“Escola sem Partido”: Uma breve análise do Projeto de Lei Estadual n. 190/2015 – 1ª Parte

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1. Introdução

A presente matéria terá o intuito de analisar o Projeto de Lei nº 190 /2015, do Deputado Estadual Marcel van Hattem, que pretende instituir, no âmbito do sistema estadual de ensino, o “Programa Escola sem Partido”.

Para tal, o conteúdo será dividido em três partes, em três diferentes textos. No primeiro, será analisada a justificativa do Projeto e a sua relação com o atual modelo de ensino no Brasil. No segundo, estudar-se-á um pouco das nuances relacionadas à lei em si, analisando o seu alcance. Por fim, uma tentativa de posicionamento frente aos possíveis efeitos quanto à efetividade.

2. A justificativa do Projeto¹

“A doutrinação ideológica ou político-partidária no ambiente escolar tem sido noticiada e denunciada em diversas instâncias, com efeito. Em muitos dos casos reportados, professores têm se valido de sua posição de autoridade dentro de sala de aula para impor aos alunos suas visões particulares quanto a assuntos políticos e ideológicos.

“O Estado do Rio Grande do Sul, em todas as instâncias de ensino, deve ser regido pelo princípio da imparcialidade, consagrado constitucionalmente. Assim também, em sala de aula, o professor deve conduzir-se de modo imparcial, respeitando a pluralidade que constitui a sociedade gaúcha. O dever do professor limita-se, em aspectos políticos e ideológicos, a informar e ensinar, o que jamais pode ser confundido com o poder de doutrinar.

“Da mesma forma, a própria autoridade pública, ao realizar concursos para investir profissionais no cargo de professor, deve abster-se de exigir dos candidatos determinada posição partidária, ou a adoção de determinada visão ideológica.

“A proteção dos alunos contra a doutrinação política em sala de aula é direito da sociedade gaúcha, em especial dos pais que, ao matricularem seus filhos nas escolas, não os querem ver doutrinados, mas apenas educados. As escolas gaúchas não podem ser instrumentos de eliminação da pluralidade e de imposição de uma visão parcial de mundo, seja ela qual for.

“O presente Projeto de Lei visa proteger a pluralidade e garantir a imparcialidade, proibindo a prática de doutrinação político-partidária e ideológica em salas de aula, bem como impedir que o Estado, ao realizar concurso público, o faça de modo parcial, refletindo a ideologia do governo do momento ou de quem quer que seja. A educação do Estado do Rio Grande do Sul não deve servir aos interesses transitórios de uma determinada ideologia mas aos interesses perenes e plurais da sociedade gaúcha.

“Imparcialidade e Pluralidade no ensino: esses são os valores que se pretende proteger com o presente Projeto de Lei.”

3. Considerações

Muitos acreditam que a opinião é essencial para a formação de qualquer estudante. Posicionamento! Sim, o que seria de um jovem hoje sem opinião formada na ponta da língua?

Pois bem. É exatamente isso o que se espera de um estudante. No entanto, o que dizer de uma pessoa que se posiciona sobre determinado assunto sem que o tenha analisado (ao menos) brevemente? Como estão sendo formadas tantas opiniões sobre os mais variados assuntos sem que se tenha lido uma única linha sobre o tema? Como foi que o ensino se politizou tanto?

 

Não é possível neste espaço estruturar as nuances relacionadas ao problema que as nossas instituições de ensino enfrentam por conta do “Marxismo Cultural”. A bibliografia sobre o assunto é extensa. No entanto, apenas para fins didáticos, aconselha-se o curso do Padre Paulo Ricardo², quem há tempos vem dedicando tempo e energia para divulgar o tema.

Para se ter uma ideia de como este fenômeno é atuante nos dias atuais³, a declaração do Gorbachev sobre a morte do comunismo representou, para muitos, o fim do movimento, fato que simbolizou uma ruptura do debate ideológico travado na Guerra Fria e um alívio imediato para aquela geração amedrontada com a possibilidade de eclodir uma nova guerra mundial. Contudo, a aparente “morte” do comunismo não passou de uma tática para que se pudesse alastrar as suas ideias pelo mundo ocidental.⁴

No livro “A Arte da Guerra”, uma das táticas propostas é se fazer invisível para que possa atacar o adversário e destruí-lo sobre todas as frentes. Ou seja, apresenta-se uma aparente ideia de fim, que as armas foram baixadas, que não há mais qualquer projeto de poder, para que o outro lado seja induzido a acreditar que a guerra foi vencida. No momento em que se trava uma disputa, seja no campo militar, seja em qualquer situação cotidiana, o silêncio e a saída do oponente é, para muitos, um símbolo da vitória. Neste momento, a comemoração induz a baixar a guarda e, consequentemente, todo cuidado e atenção que havia sido dirigido ao combate acaba esfriando os ânimos⁵.

O comunismo apresenta as suas raízes no pensamento marxista, este que tem como um dos seus pilares a síntese nos trabalhos de Hegel, tornando a filosofia uma estrada com apenas duas saídas: bem ou mal, justo ou injusto, certo ou errado, verdade ou mentira, preto ou branco⁶.

No final do livro “Manifesto do Partido Comunista”, Karl Marx⁷ faz um convite à união dos proletários na luta contra os capitalistas: “Trabalhadores, uni-vos”⁸. A união dos trabalhadores contra o regime capitalista, contudo, não aconteceu. A Primeira Guerra Mundial uniu os trabalhadores, só que numa luta contra outros trabalhadores. Assim também aconteceu na Segunda Guerra Mundial. Em ambos eventos, os trabalhadores foram alienados pelos seus próprios líderes, conduzindo-os a uma mazela ainda pior. Um alienado, de acordo com a reflexão de Marx, é aquele que renunciou aos seus direitos de classe para dá-los a outra pessoa⁹.

Karl Marx entendia que havia um fator cultural que alienava o povo. Contudo, nos seus trabalhos, não conseguiu encontrar uma solução para o problema que havia acontecido.

Foi quando Antonio Gramsci entrou em ação com uma nova proposta de propagação do comunismo pelo mundo. Gramsci foi um dos fundadores do Partido Comunista italiano e, dentre as figuras responsáveis pela formação do partido, talvez uma das figuras mais pensantes. Em visita à União Soviética na década de 1920, percebeu que o comunismo não poderia ser aplicado no ocidente nos mesmos moldes que Stálin colocou em prática, que foi, em síntese, com violência, repressão, milhões de mortes e controlado por um único partido¹⁰.

Para Gramsci, o comunismo deveria destruir a cultura ocidental¹¹ e, para que isso pudesse acontecer, deveria ser realizado um projeto de poder e dominação de forma lenta e gradual, anonimamente¹². O modo que isso seria implementado no ocidente seria através da tomada das instituições culturais, sobretudo no ensino, e formando a consciência¹³ das gerações¹⁴ futuras.

Então chegamos aos dias de hoje…

Nossas instituições foram surrupiadas. Militantes foram penetrando como cupins, já não dando outra alternativa a não ser jogar a madeira podre fora e recomeçar o trabalho¹⁵.

O site “Escola sem Partido” apresenta algumas das evidências da atual pedagogia orientada por objetivos doutrinadores¹⁶:

  • Levantamentos feitos por jornalistas em até 130 apostilas e livros didáticos de história e de geografia revelam que muitos deles silenciam sobre os milhões de mortos produzidos pelas revoluções socialistas, usam relativizações históricas e mentiras para justificar as atrocidades (quando são admitidas) e ainda elogiam os resultados econômicos e sociais alcançados pelos regimes socialistas, muito embora dezenas de milhões de pessoas tenham morrido de fome em sua vigência. Além disso, os temas econômicos são tratados nesses livros com um claro viés ideológico de esquerda (WEINBERG; PEREIRA, 2008; KAMEL, 2007ª; 2007B; LEAL; MANSUR; VICÁRIA, 2007);
  • Pesquisa realizada pelo Instituto CNT/Sensus revelou que, segundo declarações dos estudantes, figuras como Che Guevara, Lênin e Hugo Chávez são comentadas em aula de forma positiva na maioria das vezes. Che Guevara é o campeão, pois 86% dos alunos afirmam que ele é citado em contextos positivos, enquanto Lênin e Chávez são citados positivamente para 65% e 51% dos estudantes, respectivamente (WEINBERG; PEREIRA, 2008);
  • Pesquisa realizada junto a 121 alunos de colégios de Curitiba demonstra que as referências teóricas dos livros didáticos e o viés ideológico das aulas, revelados pela pesquisa CNT/Sensus, pautam fortemente as opiniões emitidas pelos estudantes do último ano do ensino médio pesquisados sobre temas de geografia geral (DINIZ FILHO, 2009).

É inegável, portanto, que essa transformação está ocorrendo há muito tempo nas escolas – isso sem contar nas demais instituições brasileiras. Solidificaram a atuação da forma mais devastadora possível: esculhambando cérebros!

A atual necessidade é de formação cultural, sobretudo da alta cultura, esta verdadeira fonte de novos intelectuais, de um grupo de pessoas capazes de enxergar a realidade e a impedir que novamente os cupins apodreçam a madeira. Para o filósofo inglês Roger Scruton,

A alta cultura é uma realização precária, e dura somente se apoiada por um senso da tradição e pelo amplo endosso das normas sociais circundantes. Quando essas coisas evaporam, a alta cultura é substituída por uma cultura de falsificações. A falsificação depende, em certa medida, da cumplicidade entre o perpetrador e a vítima, que conspiram juntos para acreditar no que não acreditam e para sentir o que são incapazes de sentir. Há crenças falsificadas, opiniões falsificadas, competências falsificadas. Há também falsas emoções, que aparecem quando as pessoas degradam as formas e a linguagem nas quais o sentimento verdadeiro tem raízes, de modo que elas já não têm plena consciência da diferença entre o verdadeiro e o falso.

A sociedade está atenta e, pouco a pouco, está se formando uma nova geração de pessoas capazes de retomar a cultura no Brasil.  Longe de jargões, longe de ignorantes, longe de enganadores: o Brasil é o nosso maior patrimônio. Como bem escreveu Olavo de Carvalho:

Essa crise, evidentemente, não afeta somente a alta cultura, mas afeta profundamente a vida pessoal. Não é só uma crise de inteligência superior, não. É uma crise do entendimento da vida no dia a dia. A pessoa não entende o que está acontecendo; não entende a sua própria vida, e, portanto, não chega ao nível mínimo de maturidade para tomar decisões, entender o que se passa. O resultado é o estado permanente da exasperação emocional. Onde todo mundo se sente vítima, todo mundo está ofendido o tempo todo. E todo mundo fica buscando compensações. E a vida, com isso, vai piorando cada vez mais. O pior é que essa imaturidade, essa exasperação emocional hoje é explorada politicamente. São correntes políticas que estão interessadas em fazer as pessoas se sentirem cada vez mais oprimidas, cada vez mais injustiçadas, para dizer: “eu vou proteger vocês; eu vou defendê-los dos malvados, etc.” E com isso estão criando um inferno. Estão transformando o ódio de todos contra todos. E para perceber isso, e perceber qual é a raiz do mal, a gente precisa ter alguma maturidade, alguma experiência de vida.

Será o Projeto de Lei do Deputado Marcel van Hatten um bom começo? Tudo indica que o projeto nasce com uma razão estimada, não há a menor dúvida. Entretanto, com a sua aprovação nossos problemas estarão resolvidos? No próximo texto outros pontos serão considerados.

Notas ———————————–

1- Conteúdo disponível em: http://www.al.rs.gov.br/legislativo/ExibeProposicao.aspx?SiglaTipo=PL&NroProposicao=190&AnoProposicao=2015&Origem=Dx. Acesso em: 04/07/2016.

2- Disponível em: https://padrepauloricardo.org/cursos/revolucao-e-marxismo-cultural.

3- Nelson Rodrigues: Outro dia, na casa do Otto Lara Resende, suspirava o poeta Vinicius: “A solução é a burrice”. E ele era socialista por isso mesmo, porque o socialismo é burro. Estavam lá o anfitrião, Otto, o Hélio Pellegrino, eu e não sei mais quem. Ninguém protestou. No fundo, todos, ali, pareciam achar que o bom no socialismo não é a justiça, não é a paz, nem os bons sentimentos – é a burrice. RODRIGUES, Nelson. Memórias: A Menina sem Estrela. 3. ed. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2015, p. 256.

4- Basta, para isso, como exemplo, verificar um dos trabalhos do Prof. Ovídio, para o qual: “Depois do comunismo, agora a grande ameaça é o consumismo. Pois bem, o comunismo foi facilmente derrotado, porém como derrotar o consumismo, que é a alma, o élan vital do capitalismo?” SILVA, Ovídio A. Baptista da. Processo Civil, Individualismo e Democracia. In: Processo e Ideologia: o Paradigma Racionalista. Rio de Janeiro: Forense, 2004, p. 298.

5- “Toda campanha militar repousa na dissimulação. Finge desordem. Jamais deixes de oferecer um engodo ao inimigo, para ludibriá-lo. Simula inferioridade para encorajar sua arrogância. Atiça sua raiva para melhor mergulhá-lo na confusão. Sua cobiça o arremeterá contra ti e, então, ele se estilhaçará.” (p. 14)

“A força militar baseia-se na dissimulação. Movimenta-te quando estiveres em posição vantajosa, e provoca mudanças na situação, dispersando ou concentrando as forças. Há ocasiões em que deves manter-te calmo, em que reinará em teu acampamento uma tranquilidade semelhante à do interior das mais espessas florestas. Ao contrário, quando precisares fazer movimentos e barulho, imita o fragor do trovão. Se for preciso ficar firme em teu posto, fica imóvel como uma montanha. Se tiveres que sair para pilhar, age rápido como o fogo. Se for preciso ofuscar o inimigo, sê como o relâmpago. Se for preciso esconder teus projetos, sê obscuro como as trevas. Evita movimentos inúteis. Quando decidires enviar algum destacamento, que seja sempre na esperança, ou melhor, na certeza de uma vantagem real. Para evitar os descontentamentos, reparte sempre, de forma meticulosa e justa, todos os despojos.” (p. 39) SUN TZU. A Arte da Guerra. Traduzido do chinês para o francês pelo Padre Amiot (1772) e traduzido do francês por Sueli Barros Cassal. Porto Alegre: L&PM, 2006.

6- Para uma análise dos equívocos que isso tem gerado hoje, basta verificar qualquer trabalho jornalístico da grande mídia atual – talvez a maioria, apenas.

7- [Nelson Rodrigues] Arquejei: “Como é, Pinheiro? Tudo azul?” E sorria para o companheiro. Ele fez perguntas, que vou respondendo. Pinheiro curva-se para mim: “Nelson, escuta. Se você tivesse de morrer, quais seriam as suas últimas palavras?” Suspense. Começo: “Minhas últimas palavras?” E Pinheiro: “Vamos fazer de conta. Suas últimas palavras.” Digo: “Põe aí. Mas publica mesmo, ouviu?” Ele jurou que publicava. Então direi: “Que boa besta é o Carlos Marx!” RODRIGUES, Nelson. Memórias: A Menina sem Estrela. 3. ed. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2015, p. 82.

8- Desaconselho a leitura. Trata-se de um trabalho repleto de equívocos. Talvez umas das mentes mais perversas da história da humanidade. MARX, Karl. Manifesto do Partido Comunista. Porto Alegre: L&PM, 2001.

9- Para conferir dados históricos, basta consultar qualquer um dos livros de história geral indicados. No entanto, sugiro: BURNS, Edward McNall, LERNER, Robert E., e MEACHEM, Standish. História da Civilização Ocidental / Tradução de Donaldson M. Garshagen. Vol. 2. 43. ed. São Paulo, Globo, 2005.

10- Trata-se de fundamentos adquiridos a partir de uma série de documentários assistidos e pesquisa de uma série de realizadas na imprensa paralela. No entrando, é válido a consulta do site www.portalconservador.org, que apresenta uma série de relatórios e fatos que dão força argumentativa para o assunto. Além disso, outra importante fonte é o site www.midiasemmascara.org. Dois documentários que abordam muito bem o assunto são os seguintes: “Agenda”, de Curtis Bowers, disponível em https://www.youtube.com/watch?v=C85thxEdAW8, e “A Subversão nos Países-alvo da Extinta URSS”, palestra de Yuri Bezmenov disponível em https://www.youtube.com/watch?v=iK4kZSU-5Cg.

11- Para compreensão do assunto, pode ser consultado o livro “O Comunismo Nu”, de Cleon Skousen. Lá estão evidentes as 45 metas comunistas delineadas a partir de 1958. Para consulta: SKOUSEN, W. Cleon. The Naked Communist. C&J Investments, 2007. Versão online disponível em: < http://tekiah.co.za/e-books/the-naked-communist-w-cleon-skousen.pdf>, acesso em 10/01/2015.

12- Para maiores detalhes, consultar: A revolução cultural e interculturalismo: homenagem a Gramsci. In: BERNARDIN, Pascal. Maquiavel Pedagogo – ou o ministério da reforma psicológica. Tradução de Alexandre Müller Ribeiro. Campinas, SP: Vide Editorial, 2013.

13- Félix Maier, em artigo, tratou muito bem o assunto: “A imprensa tem o dom de trazer à baila, de tempos em tempos, os mesmos assuntos de sempre, em datas criteriosamente escolhidas. Com este tipo de propaganda maciça e contínua, os jornais e as revistas esperam conquistar corações e mentes, especialmente dos mais jovens, que não presenciaram os ‘anos de dinamite’ dos 60 e 70. Pela eterna repetição dos assuntos, sob o enfoque dualista de sempre, como convém à doutrinação marxista, aos poucos parece que a sociedade brasileira está se acostumando a comer gato por lebre, lambendo os beiços com satisfação, pedindo até repetição do prato. A verdade histórica, assim, está se tornando mentira, a mentira um dogma.” MAIER, Félix. Annus Gramscii. In: Termuna. Publicado em 17/03/2002. Disponível em: < http://www.olavodecarvalho.org/convidados/0135.htm>. Acesso em: 10/03/2014.

14- Afirma-se que Gramsci produziu cerca de duas mil páginas apresentando metodologicamente o que deveria ser realizado no mundo ocidental para implementação do comunismo. In: Agenda. Documentário de Curtis Bowers. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=C85thxEdAW8>. Acesso em 10/01/2015.

15- Algumas das provas levantadas pelo site “Escola sem Partido” pode ser encontradas em: http://www.escolasempartido.org/images/provas.pdf. Acesso em 08/07/2016.

16- Conteúdo pode ser encontrado em: http://www.escolasempartido.org/dia-nacional-de-luta-contra-a-doutrinacao-politica-e-ideologica-nas-escolas?id=149. Acesso em 08/07/2016. Ainda, vale a pena a consulta ao site www.spotniks.com, sobretudo no seguinte artigo: “5 exemplos de como a doutrinação ideológica atua na educação brasileira”, publicado em 15/07/2015, consultado em 08/07/2016: “a nossa educação não anda muito bem das pernas. Atualmente 95% dos nossos alunos saem do ensino médio sem conhecimentos básicos em matemática, quase 40% dos universitários são analfabetos funcionais e 78,5% dos estudantes brasileiros finalizam o ensino médio sem conhecimentos adequados em língua portuguesa. Em resumo: enfiamos mais de 42 milhões de crianças e adolescentes em escolas públicas, a um custo nababesco, mas ensinamos muito pouco.” Disponível em: http://spotniks.com/5-exemplos-de-como-a-doutrinacao-ideologica-atua-na-educacao-brasileira/.

Por fim, recomenda-se o seguinte artigo: MANSUR, A., VICÁRIA, L. e LEAL, R. O que estão ensinando às nossas crianças? Boa parte dos livros didáticos apresenta distorções ideológicas. Por que elas existem e como comprometem a educação. Disponível em: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDR79659-6009,00.html. Acesso em 08/07/2016.

 

 

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Eduardo Leite no Flow – Análise da entrevista no Podcast

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eduardo leite no flow

O governador Eduardo Leite participou do programa em São Paulo na última sexta-feira, transmitido ao vivo pelo Youtube

O governador Eduardo Leite mais uma vez deu um tempo em suas atribuições palacianas para participar de programas nacionais. A escolha da vez foi o Podcast Flow, canal do Youtube com mais de três milhões de inscritos, conhecido por realizar entrevistas despojadas e longas. Leite falou por quase 3 horas para os apresentadores Monark e Igor 3K.

Apresentações, amenidades e discussões sobre como funciona o sistema eleitoral brasileiro e opções na democracia (como consultas populares) tomaram conta dos primeiros 30 minutos da entrevista. Então vem o primeiro ponto de interesse, a questão das drogas. Quando indagado sobre o que os gaúchos pensam sobre as drogas, Leite afirmou que é não é muito diferente do resto do Brasil, onde há aprovação para uso medicinal, mas existe ainda preconceito para o uso recreativo. Disse ainda que há muitos medos sobre isso e pouco esclarecimento, por isso é preciso promover o debate para formar consciência. Em tempo: o Flow tem um perfil jovem, um tanto debochado e o assunto é de interesse da casa. O próprio Monark se declara “maconheiro máximo”.

Então vem a razão das piadinhas sobre Pelotas. Leite sustentou a velha história sobre os filhos de estancieiros ricos produtores de charque que voltavam dos estudos na Europa como modos requintados. Em meio à habitantes rudes em pleno século XIX, criou-se assim a fama que todos nós conhecemos.

 

eduardo leite flow piadinha gay

Leite em momento descontraído da entrevista, falando sobre Pelotas.

O assunto “governador gay” foi abordado em diversos momentos, com detalhes íntimos (1:44:00) sobre descobrimentos pessoais e namorados, a relação com movimento gay e a defesa de ideias de grupos organizados. Leite generaliza quanto à defesa de agendas, dando a entender que não levanta bandeiras de movimentos, mas seus governos defendem minorias. Citou ações governamentais como a adaptação de banheiros (já falamos aqui).

“A agenda estará presente, como sempre esteve, quando fui prefeito, sendo governador, e, se tiver oportunidade de ser presidente, também. Mas não é só a agenda LGBT, é a agenda da igualdade, de mulheres, de homens, trans, gays, negros, brancos, índios. A gente precisa fazer este país avançar do ponto de vista civilizatório”.

Eu fui muito sincero na campanha

Sobre o funcionalismo – especialmente no caso dos professores – Leite declarou que “foi muito sincero na campanha, não tem como resolver uma situação dramática nas contas com soluções simpáticas ”. Espantado, o apresentador pergunta “tu falou isso na campanha e ganhou?”. Sim, pode consultar, diz o então candidato que prometia para senhoras de idade em vídeo que pagaria o salário em dia no primeiro ano de governo.

Eduardo Leite Presidente

O governador, ainda que levemente comedido neste momento, quer ser candidato enfrentando Dória e outros grandes nomes do PSDB nas prévias (dias depois desta entrevista, Tasso Jereissati abandonaria a corrida interna para abrir apoio a Eduardo). O cenário mostrado na entrevista coloca a possibilidade do nosso governador ser o candidato tucano para enfrentar Bolsonaro em 2022. No conjunto de propostas, luta contra desigualdade social, defesa de crianças, desburocratização, reforma tributária e transparência.

Críticas ao presidente Bolsonaro

Em vários momentos, entre uma conversa e outra, Bolsonaro é considerado divisor, despreparado, antidemocrático, burro (em outras palavras) e agente que ajudou a desequilibrar a economia e aumentar o “preço do gás da Dona Maria”.

Outros destaques

Leite continua celebrando bons números da segurança pública, com diminuição de vários índices nos últimos anos e jogando na conta unicamente de suas boas ações, sem considerar o período de pandemia.

Há uma ambiguidade constante nas narrativas da entrevista: algo é importante para um governante, minutos depois é considerado menor – frente aos outros problemas mais imediatos – e um pouco mais tarde é novamente relevante. Isso fica bem claro na questão das agendas progressistas e identitárias.

Muita coisa ainda vai rolar

A linha “nem Lula nem Bolsonaro” dá o tom no embate pré-eleitoral na já bem estudada estratégia do nosso governador. Leite não quer conflito, focando nos problemas reais do país e tentando convencer o eleitor “centro-direita pra cima” de que ele próprio não será um problema. Se do lado de lá existe a queima controlada de capital político ao discutir temas e propor soluções, do lado do eleitor mais preocupado existe o temor pela queima de capital moral. O que você aceitaria perder para ganhar um país melhor? Este sim, o xis da questão no pleito de 2022, para todos os lados.

Foi um bom programa, dentro da proposta do Flow, obviamente. Até meados da tarde de quarta, 29, o vídeo contava com 458 mil visualizações, 29 mil likes e 2,2 mil “dislikes”. Para comparar, outros convidados que por lá passaram estão assim: João Amoedo (372 mil), João Dória (971 mil) e Ciro Gomes (2,6 milhões, transmitido três meses atrás).

Eduardo Leite no Flow – o destaque dado pela equipe do governador para algumas falas

É interessante acompanhar os temas filtrados e destacados pelas equipes das redes sociais do governador. Das três horas de entrevista, estes foram os pontos publicados no Twitter, durante o evento:

“Espero vocês logo mais, às 20h, no Flow Podcast, para uma conversa descontraída e profunda sobre política, vida, ideais, sonhos, futuro, ideias para um Brasil mais justo e igual e transformações que estamos fazendo no Rio Grande do Sul.”

“Não se faz política pública no improviso. No Brasil é assim. Alguém pergunta ‘por que isso é feito desse jeito?’. A resposta é: ‘porque sempre foi assim’. Precisamos de dados e tecnologia para resolver os problemas, não de jeitinho.”

“Política não pode ser feita só pelo desejo pessoal. Não estou na política pelo que ela pode fazer para mim, mas pelo que ela pode fazer para os outros. E se é pra fazer uma politica do contra, que seja contra a inflação e o desemprego.”

“Num país que tem uma desigualdade brutal, combatê-la e gerar oportunidades é obrigação de um governo. No fim das contas, o que o brasileiro quer é trabalhar e ser feliz.”

“No Brasil, 17 milhões de pessoas vivem com menos de R$ 460. Há mecanismos de proteção para os adultos, mas não para as crianças. Falta dinheiro para comida e também para a compra de material escolar. O combate à pobreza infantil é uma necessidade.”

“A gente é criado num mundo que nos faz acreditar que ser gay é errado. Acredito que a pessoa tem que ser quem ela quiser, isso não interfere na vida dos outros. Não sou melhor por ser gay, mas não aceito que seja colocado como pior.”

“O Brasil não precisa de um terceiro polo de radicalização. Não quero fazer uma campanha contra o Lula ou Bolsonaro, mas a favor do Brasil. Quero falar das soluções que temos para o Brasil. Ir em frente pelas nossas qualidades e não pelos defeitos dos outros.”

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Eduardo Leite: um político refém das próprias mentiras contadas na campanha eleitoral

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“Se hoje o Bolsonaro disser que água faz bem, amanhã vão começar a dar Qboa para o pessoal tomar”

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Ada Munareto (PL) e Rodinei Candeia (PSL) criticaram a maneira com a qual a grande mídia retrata as ações do Governo Bolsonaro

Na Sessão Plenária do dia 9 de junho, Rodinei Candeia (PSL) criticou recente texto da Folha de São Paulo do jornalista Vinicius Torres Freire, com o seguinte título: “Economia dá mais sinais de despiora”. Para o parlamentar, a grande mídia é incapaz de colocar qualquer palavra que sinalize algo de positivo referente ao Governo Bolsonaro:

Olha a que ponto chega o escárnio de uma mídia corrupta que quer manipular a opinião pública a ponto de não querer colocar uma palavra positiva para retratar com fidelidade a situação que nós estamos vivendo na economia brasileira atual”.

Já na Sessão Plenária desta segunda-feira (14), Ada Munaretto (PL) criticou as recentes postagens de jornalistas de esquerda. Uma delas até uso de expressões racistas para se referir a manifestantes a favor de Bolsonaro. De acordo com a parlamentar, se a mesma postagem tivesse sido feita por um apoiador do presidente, a grande mídia não iria deixar passar em branco.

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Moção de apoio ao voto impresso estará na pauta desta segunda (07)

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A Câmara dos Deputados instalou em maio uma comissão especial para analisar um projeto que quer tornar o voto impresso obrigatório no país. De autoria da deputada Bia Kicis (PSL-DF), a PEC 135/19 não estabelece que o voto seja feito em cédulas de papel, mas propõe que uma cédula seja impressa após a votação eletrônica

Nesta segunda-feira (07), na Câmara de Vereadores de Passo Fundo, os parlamentares irão discutir e votar a MOÇÃO Nº 29/2021, de autoria do gabinete da vereadora Ada Munaretto (PL), de apoio à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 135/19, que exige VOTO IMPRESSO AUDITÁVEL nas eleições, plebiscitos e referendos no Brasil.

De acordo com a justificativa da proposição, o art. 14 da Constituição Federal dispõe que a soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos. O fundamento principal do estado Democrático de Direito é a soberania popular. Portanto, no exercício dessa soberania, não pode de forma alguma restar qualquer dúvida ao eleitor ou a qualquer parte da sociedade, sob pena de não permitirmos o exercício da soberania popular, elemento fundamental da DEMOCRACIA. A previsão vigora desde 2015, com o artigo 59-A da lei 13.165:

Art. 59-A. No processo de votação eletrônica, a urna imprimirá o registro de cada voto, que será depositado, de forma automática e sem contato manual do eleitor, em local previamente lacrado.
Parágrafo único. O processo de votação não será concluído até que o eleitor confirme a correspondência entre o teor de seu voto e o registro impresso e exibido pela urna eletrônica.

Alegando alto custo que seria gerado pela necessidade de adaptação das urnas eletrônicas de todo o país para o atendimento das novas regras de impressão dos votos, previsto em algo em torno de dois bilhões de reais, a presidente Dilma Rousseff vetou os dispositivos. Em 18 de novembro de 2015, contudo, em sessão conjunta do Congresso Nacional, o veto presidencial terminou sendo derrubado por ampla maioria, fazendo com que a regra da impressão do voto passasse a valer, a partir das eleições gerais de 2018.

Em 25 de novembro de 2015, foi publicada no Diário Oficial da União a promulgação dos novos artigos de lei pela presidente da república, em conformidade com o art. 66, § 5º da Constituição Federal de 1988. Ocorre que a Justiça Eleitoral, constituída por membros do STF, de forma autoritária e sem qualquer amparo técnico ou jurídico, vem negando ao eleitor o direito constitucionalmente adquirido. Os argumentos do STF, se baseiam principalmente no custo e na suposta violabilidade do segredo do voto. Argumentos que por si só se destroem, quando a necessidade tem origem da vontade popular e na garantia de auditar uma votação.

A justificativa finaliza com o seguinte ponto: “Um Estado denominado DEMOCRÁTICO, tem o dever de garantir a soberania popular, de outra forma negar a impressão dos votos só deve interessar a quem pretende esconder ou dissimular ou ainda fraudar uma eleição. Assim sendo, esta vereadora apoia incondicionalmente o VOTO IMPRESSO AUDITÁVEL, em 100% das urnas de eleições, plebiscitos e referendos no Brasil, pois acredita ser isso prerrogativa para a verdadeira democracia.”

Se aprovada, a moção será encaminhada para a deputada federal Bia Kicis, presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Congresso Nacional, autora da PEC.

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