CODEPAS, a experiência estatal em transporte público na cidade de Passo Fundo

Criada em 1984, a CODEPAS – Companhia de Desenvolvimento de Passo Fundo, atua no transporte público local como concessionária de diversas linhas de ônibus, na administração dos parquímetros (zona azul) e na coleta e transbordo do lixo. Instalada em uma edificação no pátio da própria prefeitura, compartilha o espaço com oficinas, estacionamentos e sucatas.

Além do presidente Tadeu Karczeski, nomeado como cargo de confiança pelo prefeito Luciano Azevedo ainda no primeiro governo, dois diretores e três coordenadores dividem o trabalho com cerca de 250 funcionários.

Em 2016, foram transportados 3,7 milhões de passageiros nas 10 linhas atendidas pela CODEPAS em Passo Fundo, que faz cerca de 90 viagens diárias. De 32 ônibus, 25 estão em operação e dez carros estão em processo de compra,  para entrar no sistema ainda em 2017.

O resultado financeiro da empresa não é dos melhores. O total das receitas do ano de 2016 foi de R$ 22.834.000,00, contra mais de 24 milhões em despesas. Este prejuízo vem todo da operação de transporte. O negócio de coleta e transbordo de lixo, somado ao  gerenciamento do parquímetro, responde por 50% do faturamento e a metade restante fica por conta do transporte público. De vantagem no transporte e parquímetros, destaca-se a possibilidade do faturamento diário, enquanto o transporte e transbordo do lixo é pago mensalmente, pela prefeitura.

Idosos e algumas categorias profissionais possuem gratuidade no transporte público, passando ao largo do sistema de gestão da empresa. Não existe uma forma de medição direta do impacto destes não-pagantes, já que entram pela porta de saída dos coletivos. Pagamentos em dinheiro também são passíveis de procedimentos irregulares, visto o tamanho do mercado ilegal de vales-transporte pelas ruas do centro de Passo Fundo. A saída para este impasse está na adoção da bilhetagem eletrônica.

Prevista para este ano, a realização de uma licitação para o transporte coletivo em Passo Fundo deve proporcionar uma melhora significativa para o sistema, com padrões mínimos de qualidade, além da bilhetagem eletrônica, que deve eliminar por completo o problema do desvio de finalidade dos vales. Mesmo sendo um direito para o trabalhador, muitos acabam usando o próprio carro ou transporte similar e vendendo as “fichinhas” no mercado informal. Só para a Prefeitura de Passo Fundo, a economia prevista com a nova prática está na casa dos milhões de Reais.

De forma curiosa, a CODEPAS não corre o risco de perder a concessão na cidade. Fala-se em uma “reserva de mercado” para a empresa no certame licitatório, em 20% das linhas. A questão deve ser confirmada nos próximos meses e, segundo o próprio presidente Tadeu Karczeski, é perfeitamente legal.

Um site cinematográfico

Desatualizado e com informações desencontradas, o site oficial da empresa (http://www.codepas.com.br/site/) não mostra dados recentes. Em “Quem Somos”, apresenta números referentes ao ano de 2011. Por um incrível erro dos desenvolvedores da ferramenta, a seção de notícias mostra diversos links para filmes piratas em sites de download.

Esta é a situação da nossa “experiência” em transporte público, através de uma empresa estatal municipal com foco ainda em duas outras áreas distintas, altamente dependente da inteligência e recursos do contratante. Com todos estes problemas, vale a pena manter a operação em transporte público?

Se a CODEPAS foi criada como “termômetro” do transporte público municipal, será que a temperatura do mercado já não foi medida várias vezes neste tempo todo? Parece que muito ainda está por ser medido, às custas dos cofres públicos.

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