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Supremacistas brancos e Antifa: dois retalhos do mesmo tecido

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No último dia 12 de agosto, a pacata cidade de Charlottesville, na Virgínia (EUA), com seus menos de 50 mil habitantes, ganhou notoriedade mundial por ter se tornado palco de confronto violento entre coletivos de extrema-esquerda e supremacistas brancos no qual uma pessoa morreu e 19 ficaram feridas.

Confronto em Charlottesville, Virginia (Joshua Roberts/Reuters)

As circunstâncias em que o embate se deflagrou deixam muitas perguntas a serem respondidas, a começar pela negligência das autoridades locais que possibilitou o enfrentamento entre as duas facções. Passados 30 dias, muito se especulou sobre o caos planejado e idealizado por políticos e financiadores da extrema-esquerda, que visavam, por meio da tragédia, alimentar a falsa narrativa de que, sob os Estados Unidos de Donald Trump, a América está sendo dominada pela Klu Klux Klan. Porém, passada a comoção inicial, é importante analisar o acontecimento de maneira racional, entendendo o contexto, discernindo os lados envolvidos e os possíveis desdobramentos da batalha cultural nos Estados Unidos.

A batalha em Charlottesville não começou em agosto de 2017, mas em março de 2016, quando Zyahna Bryant, estudante negra no segundo grau da rede pública de ensino, apresentou uma petição ao Concílio Municipal de Charlottesville pela retirada da estátua do general confederado Robert E. Lee de um parque público na cidade. Dois meses depois, o Concílio criou uma comissão para discutir o futuro do monumento e, em fevereiro de 2017, votou pela sua remoção. Desde então, opositores à retirada da estátua realizaram diversas manifestações na cidade, a última delas durante o evento conhecido como Unite the Right (“Unir a Direita”, em tradução livre), cujas cenas do enfrentamento com militantes do coletivo de esquerda Antifa viralizaram pelo mundo.

(Estátua do general Lee)

O debate a respeito da remoção de monumentos, bandeiras e demais símbolos da antiga Confederação dos Estados do Sul dura mais de uma década, embora tenha ganhado maior intensidade nos últimos anos. A rebelião dos Confederados contra a União, liderados pelo general Robert E. Lee, resultou na mais sangrenta guerra da história dos EUA (1861 a 1865), com mais de 600 mil mortos. As causas que levaram à Guerra Civil Americana são, até hoje, tema de debate entre os historiadores, mas é consenso que no “olho do furacão” estava a causa abolicionista. Os confederados lutavam pela soberania de seus Estados, o que incluía, na época, o direito de possuir escravos. Como nos ensina a História, os rebeldes perderam a guerra e a indivisibilidade da União foi preservada. No entanto, a extinção da antiga Confederação não aniquilou o espírito confederado e, menos de 50 anos após o fim da Guerra Civil, centenas de monumentos a generais confederados já haviam sido construídos em todo o Sul – a maioria no começo do século XX, em plena vigência das leis segregacionistas conhecidas como “Jim Crow”.

Um século mais tarde, o valor e o significado desses monumentos entre os americanos variam de acordo com o entrevistado. Fora da antiga Confederação, nem todos os conservadores possuem afeição para com a simbologia confederada, e alguns entendem que estes monumentos se adequariam melhor em museus e cemitérios do que em parques públicos devido à sua história controversa. Os “justiceiros sociais” que compõem coletivos de extrema-esquerda, como o Black Lives Matter e o Antifa, exigem a remoção das estátuas por vê-las como um símbolo da supremacia branca. Já nos Estados do Sul, que compunham a antiga Confederação, atualmente muitos desassociam a simbologia confederada de qualquer passado racista, defendendo-a como uma maneira de preservar a cultura de um povo local e honrar a memória e os atos de bravura de seus antepassados.

É importante lembrar que a maioria dos soldados confederados não possuía escravos e, em uma época em que rádio e TV ainda não existiam, a identificação do cidadão com seu Estado natal e com as leis locais era infinitamente maior do qualquer sentimento patriótico ou a lealdade a um distante governo central, sediado em Washington, DC. O próprio general Robert Lee, por exemplo, via a escravidão como algo antinatural e entendia que a dissolução da União seria uma calamidade. Porém, na iminência de uma Guerra Civil, Lee se viu impossibilitado de levantar sua espada contra a Virgínia, seu Estado natal, e juntou-se aos rebeldes contra a União. O conhecimento deste contexto em que se deu a Guerra Civil é importante para entendermos que, do mesmo modo que nem todos os soldados que defenderam a Confederação eram donos de escravos ou eram a favor da escravidão, nem todos os descendentes destes confederados, que hoje defendem a preservação da bandeira e de monumentos confederados em espaços públicos, são necessariamente racistas. Colocar todos os que se opõem à retirada dos monumentos confederados na mesma categoria dos neonazistas e demais supremacistas brancos é, na melhor das hipóteses, ignorância acerca da história e da cultura do povo do Sul e, na pior delas, a difusão de mais uma falsa narrativa criada pela esquerda para destruir a reputação de seus oponentes.

Seria igualmente um erro ignorar o fato de que monumentos confederados são usados por grupos supremacistas como ponto de encontro e como símbolos à sua ideologia racista. Grupos supremacistas sempre existiram desde a fundação dos EUA, mas nos dias atuais tais movimentos não passam de uma minoria barulhenta fazendo uso de seu direito de livre expressão. Quando membros da Klu Klux Klan, o mais notório grupo supremacista dos EUA, vão às ruas vestidos em seus lençóis e gorros fantasmagóricos, eles, como minoria que são, têm seus direitos de livre expressão assegurados a despeito do teor repugnante de sua mensagem – princípio que muitos definem como o “preço da liberdade”. A Constituição Americana, por meio da 1ª Emenda, diferencia o discurso ofensivo e inflamatório (por exemplo, “brancos são superiores a negros, judeus e índios”) da incitação à violência (“negros, judeus e índios devem ser exterminados”), protegendo o primeiro e criminalizando a segunda. No entanto, de acordo com o Southern Poverty Law Center, a KKK possui entre 5 mil e 8 mil membros somente – em uma população de mais de 325 milhões de americanos (!!!). É evidente, portanto, que toda a histeria em torno de uma “América nazista” sob Trump é resultado de uma falsa narrativa fabricada pela imprensa militante, que amplia a ameaça proporcionada pela existência de supremacistas brancos a níveis estratosféricos, totalmente desassociados da realidade. Ao contrário do que reporta a grande mídia, supremacistas brancos não possuem nenhum poder político e não representam nenhuma ameaça real à América.

Por outro lado, coletivos de extrema-esquerda como o Black Lives Matter e black blocs como o Antifa estão em plena ascensão. Eles são resultado da revolução cultural promovida pela esquerda desde os anos 1960 e são apoiados por poderosos indivíduos e grupos de interesse que controlam os meios de ação: possuem poder político, pautam a narrativa da imprensa e controlam as universidades.

Após os confrontos em Charlottesville, o Presidente Donald Trump condenou os supremacistas brancos publicamente e o Partido Republicano passou uma resolução declarando que o ideário racial supremacista é incompatível com a agenda conservadora do partido. Infelizmente, o mesmo não se pode dizer do Antifa (que ironicamente quer dizer “antifascismo”), cujas ações terroristas são constantemente normalizadas pela Academia e pela imprensa. Isso ficou óbvio na ocasião em que Trump culpou “os dois lados” (supremacistas brancos e antifas) pela violência em Charlottesville. A mídia, que havia noticiado o fato como um enfrentamento entre neonazistas e “manifestantes contra o racismo”, desatou uma avalanche de críticas ao Presidente por ele ter criado uma equivalência moral entre os dois lados. Sabe-se, porém, que os anarquistas do Antifa, que defendem abertamente o uso da violência, já haviam deixado seu rastro de destruição em diversas cidades americanas antes de Charlottesville: mais de 200 pessoas foram presas em atos de vandalismo e violência nas ruas de Washington durante a posse do presidente Donald Trump;  Portland, no Estado de Oregon, tem sido palco constante de diversos protestos em que manifestantes do Antifa incendiam latas de lixo, vandalizam veículos e saqueiam comércios; em Berkeley, Califórnia, casa da famosa Universidade de Berkeley, o Antifa vandaliza o campus e bloqueia as ruas de acesso à Universidade sempre que um conservador é convidado para palestrar. Chicago, Dallas, Baltimore e Sacramento também viram suas ruas se transformarem em campos de batalha. Com seus rostos cobertos e porretes na mão, os terroristas de negro avançam em sua cruzada anarquista e anticapitalista, convenientemente rotulando de “fascista” qualquer um que se oponha à sua ideologia, no intuito de assim legitimar o uso da violência contra seus adversários – não somente supremacistas brancos, mas também conservadores e liberais clássicos. E tudo sob o olhar conivente do Partido Democrata e parte da imprensa que legitimiza o fascismo dos “antifascistas”.

(Antifa: Protestos na posse de Trump)

Desde os anos 60, a esquerda americana mobiliza movimentos revolucionários e, por meio deles, emprega a violência como forma de intimidação. Entretanto, após 8 anos de extrema polarização racial durante a presidência Obama, vemos hoje uma verdadeira insurreição de facções coletivistas e suas ideologias identitárias (movimento negro, feminismo, LGBTQ, etc.) que substituíram a velha luta de classes do marxismo clássico (burguesia versus proletariado) pelo ideário da luta entre o “oprimido versus opressor”. Apesar de suas diferentes ênfases, todas estas facções identitárias possuem um inimigo em comum: o homem heterossexual branco e cristão, suposto detentor de privilégios imerecidos, adquiridos em virtude de sua raça, sexo ou religião. Estes grupos alegam que o sexismo, o racismo e demais formas de opressão são inerentes ao capitalismo e às instituições da sociedade americana; que as injustiças do passado precisam ser corrigidas por meio de políticas afirmativas e, sempre que necessário, por meio da violência.

A vitória de Donald Trump foi o veredicto do povo americano contra a ideologia identitária da esquerda. Um voto por Donald Trump foi um voto a favor do capitalismo, um voto contra o coletivismo e pelas liberdades individuais, pelo respeito à história dos EUA e seus símbolos patrióticos, e por todas as demais coisas que fizeram dos Estados Unidos um grande país. Os americanos, em sua vasta maioria, reagiram por meio de uma revolução pacífica e silenciosa, destronando, por meios democráticos, os revolucionários que desejam, através do caos, destruir a América e construir um “paraíso igualitário” sobre as suas cinzas. Entretanto, toda reação vem com suas doses de extremismo: à medida que as ideologias identitárias são forçadas goela abaixo da população por meio da imprensa e da Academia, é de se esperar que uma reação extremada surja na forma de uma ideologia identitária para brancos.

Podemos tomar como exemplo a chamada “Direita Alternativa”, ou Alt Right em inglês – uma associação informal de movimentos que pregam contra o politicamente correto, contra as políticas afirmativas e contra a política de fronteiras abertas do Partido Democrata. Apesar de sua agenda aparentemente conservadora, seus principais expoentes como Richard Spencer, Jared Taylor e Vox Day são supremacistas brancos assumidos com a diferença de que, em contraste com os trogloditas da KKK, são carismáticos e articulados. Pela maneira sofisticada e inteligente de que refutam o multiculturalismo, o feminismo e o racismo reverso (contra brancos) que emanam das elites progressistas, a Alt Right tem sido normalizada por alguns conservadores brancos cansados de serem demonizados pela esquerda e culpados pelos pecados sociais de gerações passadas. O website conservador Breitbart se autodenominou “o ponto de encontro da Alt Right” e Jared Taylor – que advoga em favor do segregacionismo e de uma suposta superioridade da raça branca com relação à raça negra – participou de entrevistas bastante amigáveis nos programas de Stefan Molyneux e Gavin Mcinnes.

À primeira vista, a Alt Right e o conservadorismo mainstream falam a mesma língua, principalmente quando a Alt Right denuncia os agentes do marxismo cultural em sua cruzada contra a chamada “Civilização Ocidental”. Entretanto, para o conservador típico, a “Civilização Ocidental” é um conjunto de valores e tradições que, se preservados, levarão à ordem social e à prosperidade de um grupo de pessoas, independentemente de raça. Já para os expoentes da Alt Right, ideologia e raça são intrinsicamente inseparáveis, sendo a “Civilização Ocidental” um sistema criado por brancos e incapaz de ser gerido por não brancos. Deste conceito deriva sua oposição ferrenha à imigração de não caucasianos aos EUA, seja ela legal ou ilegal.

O conservadorismo autêntico rejeita o multiculturalismo, mas defende a assimilação cultural, ao contrário da Alt Right. O conceito que defendemos, conhecido como “Civilização Ocidental”,  não é fundamentado em raça, mas sim em ideias. A ênfase na liberdade do indivíduo e suas responsabilidades pessoais, o entendimento de que todos os homens são criados iguais e dotados por Deus (não pelo Estado) por direitos inalienáveis (como vida e liberdade) a serem protegidos por um governo eleito pelo povo, em um sistema de freios e contrapesos (separação de poderes) – esses são os pilares nos quais se sustentam a ordem e o progresso. Supremacistas brancos negam este conceito, contido no segundo parágrafo da Declaração de Independência dos EUA. Apesar de representarem uma porção minúscula dos americanos, como dito acima, estes grupos precisam ser veementemente rechaçados pela chamada “direita conservadora” antes que o câncer se espalhe. O flerte entre movimentos como a Alt Right e o conservadorismo mainstream contribui para o surgimento de um efeito colateral indesejado na luta contra o multiculturalismo: a normalização da ideologia identitária branca, que nada mais é do que o vitimismo racial em sua versão anglo-saxã, promulgado por brancos que enxergam o mundo de uma perspectiva de soma-zero (assim como os marxistas que dizem combater) e, consequentemente, sentem-se ameaçados pela presença de judeus, negros e imigrantes não caucasianos em seu país.

Ao contrário da percepção da maioria, o que vimos em Charlottesville não foi o enfrentamento entre forças opostas. Coletivos como Black Lives Matter e Antifa, assim como os movimentos supremacistas, são somente retalhos diferentes extraídos do mesmo corte de tecido. Ambos são aberrações paridas da mesma mãe chamada “ideologia identitária”, que encontram em seu oponente a razão de sua existência e se abraçam em um processo infinito de retroalimentação: diante de políticas identitárias para negros, surge uma política identitária para defender a raça branca; a partir do surgimento/crescimento de uma ideologia identitária para brancos, emergem coletivos terroristas como o Antifa – e assim por diante. Diante destes fatos, a conclusão é a de que o Presidente Trump está correto: os dois lados foram culpados pela violência em Charlottesville. Ambas as facções são um câncer a ser confrontado na sociedade. E o conservadorismo autêntico é aquele que se desponta como uma alternativa à ideologia identitária, seja branca, negra, feminista ou LGBTQ. Sua missão é inundar o imaginário popular com uma mensagem positiva e inclusiva, fundamentada na experiência humana, na sabedoria acumulada de múltiplas gerações, através da exposição de princípios que comprovadamente trazem liberdade, ordem social e prosperidade a indivíduos, famílias e nações que os adotem.

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Ernesto Araújo é convidado para explicar apoio brasileiro ao Plano de Paz de Trump

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Conforme divulgado pelo site de notícias do Senado Federal, a Comissão de Relações Exteriores (CRE) aprovou na quinta-feira passada (6) um convite para que o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, preste informações sobre a posição brasileira em relação ao plano de paz apresentado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para o conflito entre Israel e Palestina. A data da audiência pública ainda não foi definida.

Depois de estreitar os laços da Coreia do Norte com o Ocidente, algo antes nem sonhado por Barack Obama, o democrata que inclusive foi agraciado com Nobel da Paz, agora Donald Trump quer dar um rumo para um conflito que se estende desde a fundação do estado de Israel. O plano divulgado pelo governo norte-americano no dia 28 de janeiro prevê o reconhecimento de Israel e Palestina como estados soberanos.

De acordo com o plano, Jerusalém permaneceria indivisível como capital israelense, enquanto o povoado de Abu Dis abrigaria a capital do Estado Palestino. Lideranças palestinas criticaram a proposta, considerando que ela favorece os interesses de Israel. Ainda, estabelece a soberania israelense sobre boa parte do vale do rio Jordão, a oeste da fronteira com a Jordânia. Este território engloba partes da Cisjordânia, região de maioria palestina que é reivindicada como parte do Estado palestino. Trump anunciou o plano na Casa Branca ao lado do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que historicamente defende a anexação do Vale do Jordão por Israel (imagem).

No seu pronunciamento, o presidente norte-americano apontou que será uma solução realista para os dois Estados, sendo que, assim, nenhum palestino ou israelense “será retirado de suas casas”. A proposta também inclui um investimento comercial de US$ 50 bilhões, que geraria, segundo Trump, 1 milhão de empregos para os palestinos nos próximos dez anos.

No entanto, a proposta não está sendo vista pelos mesmos olhos do lado palestino. O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, criticou e recusou nesta terça-feira, 11, perante o Conselho de Segurança da ONU, o plano de paz para israelenses e palestinos proposto pelos Estados Unidos. Na sua avaliação, o plano não proporciona soberania ao povo palestino.

O apoio brasileiro foi imediato. É notório o estreitamento dos laços do presidente Jair Bolsonaro com EUA e Israel. O autor do requerimento de convite para o ministro Ernesto Araújo é o senador Esperidião Amin (PP-SC). Ele destacou que, um dia após a apresentação do plano, o Itamaraty divulgou uma nota de apoio à proposta de Donald Trump. “Trata-se de iniciativa valiosa que, com a boa-vontade de todos os envolvidos, permite vislumbrar a esperança de uma paz sólida para israelenses e palestinos, árabes e judeus, e para toda a região”, destaca a nota do Ministério das Relações Exteriores brasileiro.

Para Esperidião Amin, a postura do Itamaraty representa uma “mudança de posição”: “O Brasil tem uma história de relação tanto com Israel quanto com a Palestina. Nenhum país do mundo tem uma relação tão diplomática, tão intensa. Chamar o ministro para explicar essa mudança da posição do Brasil não significa contestar. Mas ignorar isso, creio que seria uma irresponsabilidade”.

O presidente da CRE, senador Nelsinho Trad (PSD-MS), afirmou que o ministro Ernesto Araújo se dispõe a participar da audiência pública.

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A crise venezuelana não deixa dúvidas: votar em Bolsonaro foi dever cívico

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O apoio incondicional à ditadura de Maduro vinda do PT e de todos os partidos que formam sua linha auxiliar (PSOL, PC do B, PCB e afins) não é segredo e causa repulsa. Gleisy Hoffmann, atual presidente do PT, fez questão de comparecer pessoalmente à renovação do mandato de Maduro.

A esquerda não poupa esforços em verdadeiras ginásticas pseudo-intelectuais para tentar justificar os horrores que estão acontecendo no que era um dos países mais promissores da América Latina. Perguntado sobre o chocante registro de um atropelamento de manifestantes por um blindado, Pepe Mujica, ídolo da militância progressista, disse que “as pessoas não devem ficar em frente aos tanques”. Ou seja: em nome da causa, todo tipo de violência e arbitrariedade será válido.

Para a esquerda, assim como não importa o que é dito, mas sim, quem diz, também não importa o que é feito, mas sim, quem faz.

É difícil fazer um prognóstico dos próximos desfechos. O certo é que, ao povo venezuelano, restam apenas duas alternativas: insurgir-se até a derrubada de Maduro – aos moldes do que fizeram os heróis ucranianos na praça Maidan em 2014 – ou reconhecer a derrota e sujeitar-se à ditadura, abrindo mão de sua liberdade.

Qualquer intervenção militar internacional antes do levante total do povo venezuelano será vista como ato imperialista, contando com possível reprovação da ONU – que, aliás, mantém postura exageradamente passiva, considerada a gravidade da crise.

Agora imaginem como seria se Maduro contasse com o apoio financeiro e político do maior país da América Latina? Se o ditador não sofresse a pressão do cerco formado por Brasil e Estados Unidos? Imaginem os constrangedores discursos de Haddad em defesa de Maduro, o nosso dinheiro sendo utilizado para esmagar pessoas inocentes! É de causar arrepios.

O governo Bolsonaro merece críticas, como qualquer governo. Parece uma sinfonia que ainda busca seu tom. Mas diante do cenário regional, não há como negar o fato de que cumpriu dever cívico quem digitou “17” nas urnas em outubro de 2018.

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A demissão de Roger Scruton: quando a razão é vítima da covardia

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Assim como o incêndio de Notre Dame é acontecimento simbólico da decadência do Cristianismo na França, a demissão de Roger Scruton será lembrada como o começo do fim do Partido Conservador britânico. Ao sacrificar o seu mais brilhante pensador e ideólogo, os atuais líderes do partido, que já amplamente demonstraram sua incompetência em matéria de prática política, agora explicitam a sua profunda covardia e inépcia moral.

No último dia 10 de abril o filósofo conservador britânico Roger Scruton foi demitido do seu cargo não-remunerado de presidente da comissão governamental Building Better, Building Beautiful (Construindo Melhor, Construindo Bonito). Scruton, que já tinha sido atacado pela máquina de destruição de reputações quando do seu apontamento em novembro do ano passado, resistiu à primeira onda de ataques e foi confirmado no cargo pelo Secretário da Habitação, James Brokenshire. Mas se há alguma coisa que a história nos ensina é que não há limites para a baixeza, a sordidez e a sem-vergonhice da esquerda, qualquer que seja a época, qualquer que seja o país onde ela atue. Desta vez, sob ataques ainda mais caluniosos e covardes do que antes, o filósofo foi demitido; e, pior, menosprezado por aqueles que justamente tinham o maior dever de defendê-lo e honrá-lo.

Assim como o incêndio de Notre Dame é acontecimento simbólico da decadência do cristianismo na França, a demissão de Roger Scruton, ao que tudo indica, será lembrada no futuro como o começo do fim do Partido Conservador britânico. Ao sacrificar o seu mais brilhante pensador e ideólogo dos últimos cinquenta anos, os atuais líderes do partido, que já amplamente demonstraram sua incompetência em matéria de prática política, agora explicitam a sua profunda covardia e inépcia moral. É como observar um ritual macabro: estão a lavar-se da culpa sentida pela própria letargia no sacrifício de um genial e leal combatente.

RELEMBRANDO A PRIMEIRA TENTATIVA

Em novembro de 2018, passados apenas três dias da nomeação do filósofo para a recém-formada comissão, a mídia esquerdista, com ajuda de alguns parlamentares do Partido Trabalhista, sem demora, ligou a máquina de destruição de reputações, apontando-a para Roger Scruton. A tática usada é velha: pinçar frases antigas de palestras ou artigos, tirá-las de contexto e fazer pose de escândalo histérico. Ainda que seja método batido, não deixa de impressionar aqueles de bom coração. Exemplo: em um trecho de uma palestra em que o filósofo condenava o antissemitismo existente na Hungria apontando que, entre outras coisas, dificultou a reunificação nacional, a frase “muitos dos intelectuais de Budapeste são judeus e fazem parte das extensas redes em torno do Império Soros” foi tomada como exemplo de que Scruton é antissemita.

A primeira tentativa de derrubar Scruton. Naquela oportunidade, o filósofo resistiu.

Na época, jornais de grande circulação deram eco às acusações. E num momento em que o Governo de Theresa May já se encontrava cambaleando ante tropeços por causa do Brexit, foi bonito de ver o Secretário da Habitação defender o filósofo e desmerecer as calúnias levantadas. Roger respondeu com bom humor prometendo lançar no seu site uma seção especial com o melhor de suas frases controversas e ‘ofensivas’ para poupar seus detratores do trabalho de ter que vasculhar a sua obra. Mas a generosa oferta não foi o suficiente para conter os canalhas.

DESSA VEZ, A VERDADE E A CORAGEM ÀS FAVAS

Em março Roger concedeu uma entrevista para a revista esquerdista New Stateman – por alguns anos, Roger foi o colunista especial de vinhos da revista. A entrevista foi requerida e conduzida pelo jornalista marxista George Eaton. “[Concedi a entrevista] pressupondo que, como ex-crítico de vinhos da revista, eu seria tratado com respeito e que o jornalista George Eaton estava sendo sincero em querer falar comigo sobre minha vida intelectual. Não pela primeira vez sou forçado a reconhecer que é um erro conversar com jovens esquerdistas como se fossem seres humanos responsáveis” escreveu Roger Scruton após sua demissão para a The Spectator num artigo intitulado ‘Um Pedido de Desculpas por Pensar’.

No dia anterior a publicação da entrevista, George Eaton escreveu em sua conta do Twitter que ‘o conselheiro do governo e filósofo Roger Scruton fez uma série de declarações ultrajantes’ durante entrevista que seria publicada no dia seguinte pela New Stateman. Em quatro tuítes, George pinçou citações do filósofo para pintá-lo como racista, islamofóbico e antissemita:

(1) “Cada chinês é uma espécie de réplica do outro e isso é algo muito assustador”.

(2) “Os húngaros estavam extremamente chocados com a repentina invasão de enormes tribos de muçulmanos do Oriente Médio”.

 (3) “[Islamofobia é] uma palavra de propaganda inventada pela Irmandade Muçulmana com objetivo de impedir a discussão sobre o problema”.

 (4) “Qualquer um que não saiba da existência de um império de Soros na Hungria não observou os fatos”.

Pouco importou que a publicação da entrevista no dia seguinte – e, há poucos dias, a publicação integral do áudio da entrevista – pôs as frases dentro de contexto. É incontestável que as frases (3) e (4), mesmo lidas fora de contexto, são simples verdades factuais e não podem – ao menos não sem afetação histérica – ser consideradas discriminatórias. A frase (2) seria no máximo uma inverdade já que na história recente a Hungria não recebeu imigrantes do Oriente Médio. Mas como o áudio depois revelou, Scruton se referia a invasão do Império Otomano nos séculos anteriores. De qualquer forma, o uso da palavra ‘tribo’ é demais para os ouvidos sensíveis da geração floco-de-neve. Em relação à frase (1), Eaton convenientemente exclui as frases precedentes: “Há algo bastante assustador no tipo de política de massa chinesa e na arregimentação do cidadão comum. Nós inventamos robôs e eles são eles. De certo modo, eles [o Partido Comunista] estão criando robôs a partir de suas próprias pessoas, restringindo o que pode ser feito. Cada chinês é uma espécie de réplica do outro e isso é algo muito assustador”. Ou seja, Scruton estava criticando a óbvia e inegável política de massificação do Partido Comunista Chinês. Que horror! No dia seguinte, quando confrontado com a verdade da frase no seu contexto, Eaton escreveu no seu Twitter que teve que editar as citações por ‘motivo de espaço’. Foi um prato cheio para o brilhante perfil satírico do Twitter da ‘feminista, ativista e poeta interseccionalista’ Titania McGrath, que ironizou fazendo troça: “Meu Deus! Se eu deletar 85 letras e rearranjar as restantes dessa citação, Roger Scruton está dizendo ‘Eu amo Hitler”.

Titania McGrath satirizou: “Nessa citação de Scruton, se eu deletar 85 letras e rearranjar as restantes, ele está dizendo ‘Eu amo Hitler’”.

A simples publicação destes tuítes, com as frases tal como supracitadas, foi o suficiente para, apenas cinco horas depois, o Secretário da Habitação anunciar a demissão de Scruton – o governo sequer esperou a publicação integral da entrevista. Sem uma ligação, sem uma comunicação oficial, sem possibilidade de defesa, Roger Scruton foi demitido por quatro tuítes escritos por George Eaton, um jornalista assumidamente marxista, que ainda no mesmo dia possuído por um orgulho infantil, publicou foto no Instagram bebendo champanhe, comemorando a demissão do filósofo. A incrível rapidez com que todo o episódio se desenvolveu leva a crer que o que houve foi um golpe orquestrado, mancomunado entre governo, parlamentares conservadores e o jornalista.

George Eaton comemora a demissão de Scruton: “Aquele sentimento quando você consegue demitir um racista e homofóbico direitista do governo”. Foto foi apagada em poucas horas.

Roger estava em Paris para promover a tradução francesa de Tolos, Fraudes e Militantes: Pensadores da Nova Esquerda, quando ficou sabendo da demissão. “Telefonei para casa, para descobrir que fui demitido de minha posição como presidente da comissão Building Better, Building Beautiful. Isso iria acontecer uma hora ou outra, mas fico surpreso em saber que é porque as histórias caluniosas sobre mim estão sendo recicladas. Como isso veio à tona? Eu devo ter dado uma entrevista em algum lugar! E então me lembro de um molequinho pretensioso do New Statesman que veio visitá-lo, dizendo que a revista queria escrever sobre meus livros” – escreveu Roger em outro artigo para a The Spectator.

A REPERCUSSÃO COVARDE DO PARTIDO CONSERVADOR

“Às vezes, um escândalo não é apenas um escândalo, mas uma biópsia da sociedade. E assim foi com o ataque a Roger Scruton”, escreveu Douglas Murray em matéria de capa da Spectator dessa semana: “vivemos na era do assassinato de caráter. O que agora desesperadamente precisamos é de uma contra-revolução baseada na importância dos indivíduos sobre as multidões, a primazia da verdade sobre a ofensa e a necessidade do pensamento livre sobre essa uniformidade insípida, estúpida e mal concebida”. Murray teve acesso à integra do áudio da entrevista – pode ser escutado aqui – e constatou outras armadilhas que George Eaton tentou armar. Entre elas, o fato de responder positivamente às afirmativas, como quem estivesse concordando com as proposições.

Se a demissão e a forma como foi feita causa repulsa, o episódio teve ao menos um efeito positivo: mostrou que diversos parlamentares conservadores, alguns aspirantes à posição de líder do partido, não tem a coragem que se exige de uma criança, quanto menos de um representante público. George Osborne, por exemplo, imediatamente após os tuítes de George Eaton, escreveu no seu Twitter: “Ontem, lideranças conservadoras com razão perguntavam o que eles podem fazer para se reconectar com a Bretanha moderna. Hoje, estas citações intolerantes deste homem bizarramente apontado como conselheiro. Como o governo pode manter Roger Scruton como conselheiro?”. Curvar-se às mentiras esquerdistas em prol do politicamente moderno é o que Osborne deseja para o ‘moderno’ Partido Conservador. Faltou combinar com o eleitorado: no último mês a intenção de voto no Partido Conservador caiu 10% enquanto os novos partidos pró-Brexit (UKIP e Brexit Party) já tem, somados, 13% da intenção de votos.

Outro que teve atuação vexaminosa foi James Brokenshire, o Secretário da Habitação que nomeou Scruton para o cargo. Em novembro, Brokenshire defendeu Scruton dizendo que ‘a má representação de suas ideias havia machado o seu caráter’. Desta vez, entretanto, não hesitou nem um segundo sequer em jogar Scruton aos leões sem oferecer razões. Quando pressionado, emitiu um pequeno comunicado institucional dizendo que Scruton havia dito ‘palavras inaceitáveis’. Quais? Nunca disse, nunca mais foi visto.

O candidato à liderança do Partido Conservador, George Osborne: “observações intolerantes do homem bizarramente nomeado como conselheiro”

 

Em uma entrevista de rádio dessa semana, Roger Scruton – que, aliás, nunca pediu para ser nomeado conselheiro do governo, mas sim aceitou a um convite que lhe foi feito – falou sobre a reação do Partido Conservador aos ataques que ele sofreu: “Eu sou um pensador conservador, conhecido como tal, franco e direto mas razoável nas minhas opiniões. E tem havido por todo o país e por toda a Europa uma tentativa de silenciar as vozes conservadoras. Somos identificados, caricaturados e, em seguida, demonizados, de forma que parecemos que somos um tipo de gente sinistra, fascista e racista. E assim que o Partido Conservador vê um de nós sendo demonizado dessa maneira, eles correm para se dissociar. Isso aconteceu. Nas mídias sociais apareceram todos os tipos de parlamentares dizendo: ‘Oh, ele não é um de nós’. E lá estou eu, na chuva. Minha única falha foi tentar defendê-los. E esse tipo de caça às bruxas das pessoas à direita é algo que está piorando. Acabamos de ver acontecer com Jordan Peterson em Cambridge. Pensadores absolutamente de primeira linha e que deveriam estar lá no debate, para que tenhamos um pouco de sua sabedoria… Mas estamos sendo excluídos”.

O ANTISSEMITISMO DA ESQUERDA

É importante compreender o contexto em que a demissão de Roger Scruton ocorre. Há algum tempo, o Partido Trabalhista tem sofrido com as denúncias de antissemitismo que aos poucos tem chegado a membros da alta cúpula e ao chefe maior do partido, o marxista adorador de tipos como Chávez, Maduro e líderes do Hamas, Jeremy Corbyn.

No início de março, parlamentares abandonaram por conta do antissemitismo (tratei sobre isso em vídeo). Recentemente, uma fita de áudio confirmou que um conselheiro próximo de Corbyn fez comentários amplamente antissemita em uma palestra pública – acusações que ele havia negado veementemente. Agora, já se sabe que Jeremy Corbyn agiu pessoalmente para encobrir denúncias e impedir que antissemitas fossem expulsos do partido. Nesse contexto, é quase inacreditável que parlamentares trabalhistas como Dawn Butler, que é conselheira próxima de Corbyn, comparem Scruton com ‘supremacistas brancos’.

É envolto nesse mar de desfaçatez e cretinice que Roger é alvo de acusações ridículas de antissemitismo, islamofobia e preconceito racial contra chineses. Mais vergonhoso se torna a covardia do Partido Conservador de sacrificar o filósofo que, como ele mesmo escreveu em artigo no The Telegraph, dedicou uma vida inteira de suporte e apoio intelectual, na tentativa de se livrar de acusações da horda do politicamente correto.

ROGER SCRUTON NO BRASIL

Roger Scruton, que recentemente completou 75 anos de idade, ganhou de presente do partido ao qual sempre ajudou uma demissão acompanhada da humilhação pública – justamente em um momento em que buscava novas formas de se comunicar com seus leitores. Recentemente, lançou o seu canal oficial no Youtube no qual promete publicar material exclusivo. Roger também tem ampliado os cursos de verão que promove em sua fazenda em Wiltshire – que ele carinhosamente chama de Scrutopia. Seus livros estão sendo reeditados e relançados não só no Reino Unido, mas também em outras partes da Europa.

Na última vez que estive com ele, em agosto do ano passado, conversamos sobre o Brasil e as eleições que se aproximavam. Contei a ele que havia uma grande possibilidade de o Brasil eleger o primeiro presidente conservador da sua história: “Então, talvez seja a hora de ir ao Brasil”, ele retrucou. No início do ano, fui informado de que ele de fato está indo ao Brasil. Entre o final de junho e início de julho, Scruton participará de palestras em Porto Alegre e São Paulo. Será uma oportunidade única de absorver um pouco do conhecimento desse genial filósofo. Se o conservadorismo britânico já não faz bom uso das suas cabeças pensantes, nós brasileiros precisamos urgentemente delas. Ainda mais quando se trata de alguém do calibre de Roger Scruton.

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