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Dez ocasiões em que a grande mídia espalhou fake news

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Vários dos principais veículos de comunicação, em especial a Rede Globo, tem se empenhado em combater as tão faladas fake news, fenômeno jornalístico que se popularizou com as redes sociais. O objetivo, entretanto, foi instrumentalizado para criar reserva de mercado e desmoralizar todo e qualquer órgão informativo que não seja enquadrado na chamada “grande mídia”. O que poderia servir para depurar a qualidade média da informação difundida, virou instrumento para se derrubar concorrentes.

No fim de fevereiro, comentei uma matéria do “Fantástico” que tratava de notícias inverídicas que se popularizavam na internet. Além de apontar as fragilidades da reportagem, afirmei que a Globo tinha esquecido de incluir como exemplo de fake news a coluna de Lauro Jardim na qual o público era informado que Michel Temer havia autorizado pagamento de propina para Eduardo Cunha.

Desde aquela matéria, o “Fantástico” voltou ao tema em pelo menos duas oportunidades. No último final de semana, o site do jornal “O Globo” veio em sua capa com acusações contra o site “Ceticismo Político” e o Movimento Brasil Livre, acusando ambos de difundirem fake news sobre o caso Marielle Franco. O que o “Ceticismo Político” e o MBL fizeram foi repercutir a fala de uma desembargadora, que acusou a vereadora do PSOL de envolvimento com o tráfico de drogas. Tanto “O Globo” quanto outros órgãos de mídia noticiaram a mesma coisa.

Há uma tentativa de atribuir exclusivamente aos pequenos veículos e sites a disseminação de informação falsa. O objetivo é jogar sobre eles, independente do trabalho que realizem, a sombra da desconfiança. Ocorre que não há monopólio de fake news. No texto que escrevi sobre a matéria do “Fantástico”, argumentei: 

“Grandes organismos de comunicação não estão à margem da problemática das fake news. Muito pelo contrário. Em virtude de seu alcance e da credibilidade que ainda tem junto ao público, potencializam informações falsas que eventualmente divulgam.”

Para ilustrar meu ponto, elenquei dez vezes em que o mainstream divulgou fake news. Confiram:

Fake news 1 – Temer autorizou propina para silenciar Eduardo Cunha

O que foi noticiado: O jornalista Lauro Jardim, de “O Globo”, informava que Joesley e Wesley Batista haviam gravado Michel Temer dando aval para comprar o silêncio do deputado cassado e ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha.

O que de fato aconteceu: Temer foi gravado por Joesley, mas a fala do Presidente não incluía qualquer autorização para pagamento de propina. Na verdade, Temer aparece concordando com Joesley quando este afirma ter boas relações com Cunha.

Fake News 2 – Código Florestal prevê anistia para desmatadores

O que foi noticiado: A lei de 2012 que instituía o Código Florestal concedia anistia aos donos de terra que praticaram desmatamento além do permitido até 2008.

O que de fato prevê a lei: Para que as multas aplicadas fossem de fato perdoadas, os proprietários teriam de optar por uma das alternativas como forma de compensação: 1) recompor a reserva legal; 2) permitir a regeneração natural; 3) comprar área de vegetação nativa de mesmo tamanho e bioma do terreno desmatado. Fosse de fato anistia, haveria o perdão irrestrito e incondicional das ilegalidades cometidas. O que o Código Florestal estabelece são condições para a concessão do perdão.

Fake News 3 – Cura gay é aprovada em Comissão de Direitos Humanos da Câmara

O que foi noticiado: Texto aprovado na Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados possibilita que psicólogos prescrevam tratamento para homossexualidade.

O que de fato prevê a lei:  Um Projeto de Decreto Legislativo tornava sem efeito parte do Artigo 3º e o Artigo 4º da Resolução nº 1 do Conselho Federal de Psicologia. Os dois dispositivos invadiriam de forma indevida a relação psicólogo-paciente e violam o Artigo 5º da Constituição. O Decreto, entretanto, preservaria o caput do Artigo 3° da Resolução, que impede a patologização do comportamento homoerótico.

Fake News 4 – Bolsonaro vai metralhar a Rocinha

O que foi noticiado: Em sua coluna no jornal “O Globo”, Lauro Jardim informou que Jair Bolsonaro, em evento no banco BTG Pactual, havia afirmado que mandaria metralhar a favela da Rocinha se os criminosos escondidos lá não aparecessem. 

O que de fato aconteceu: Na rádio “Jovem Pan”, o jornalista Augusto Nunes, presente no evento do BTG Pactual, desmentiu Lauro Jardim. Nunes relatou que a fala de Bolsonaro era relativa a uma fuga de bandidos, e que o deputado jamais falou que iria metralhar a Rocinha.

Fake News 5 – Harvard convida Anitta para dar palestra sobre o Brasil

O que foi noticiado: A cantora Anitta foi convidada pela Universidade de Harvard para fazer uma palestra no evento “Brazil Conference’, que ocorre todos os anos em Massachusetts.

O que de fato aconteceu: Anitta não foi convidada por Harvard, mas pelo corpo de estudantes brasileiros na instituição. São eles os responsáveis pela organização do evento, que é realizado naquela universidade.

Fake News 6 – Anistia de Caixa 2

O que foi noticiado: Parlamentares se mobilizam para aprovar lei que anistiaria o crime de Caixa 2 nas campanhas eleitorais.

O que de fato está na lei: A ideia de se tipificar o Caixa 2 como crime se dá porque não há previsão legal para tanto no Código Penal. Nem o Código Eleitoral tem artigo específico. Quando enquadra algum candidato na prática, o Ministério Público costuma utilizar o Artigo 350 do Código Eleitoral, que trata de falsidade ideológica. Como lei alguma pode retroagir para prejudicar o réu, a eventual tipificação do delito de Caixa 2 não poderia abarcar casos anteriores, apenas futuros. O que a imprensa chamava de anistia ao Caixa 2 era o princípio da irretroatividade da lei.

Fake News 7 – Jovem que matou 17 em escola da Flórida era membro de grupo supremacista branco

O que foi noticiado:  Com base na declaração de um informante, a mídia noticiou que o jovem Nikolas Cruz, responsável pela morte de 17 pessoas em uma escola da Flórida, era integrante do grupo Republic of Florida, formado por supremacistas brancos. 

O que de fato aconteceu: Segundo o jornal Tallahassee Democrat, a polícia local informou que não identificou qualquer relação entre o atirador e o grupo supremacista.

Fake New 8 – Trump quer cria taxa de 20% sobre importações mexicanas

O que foi noticiado: Porta-voz da Casa Branca anuncia que o presidente americano Donald Trump quer cobrar 20% sobre todas as importações do México para pagar o muro que será construído na fronteira.

O que de fato aconteceu: Em coletiva no Air For One, Sean Spicer, o porta-voz da Casa Branca, apenas elencou as ferramentas comerciais que poderiam ser utilizadas para financiar a construção do muro. Não houve qualquer indicação de que a medida seria aplicada.

Fake News 9 – O número de tiroteios em escolas americanas em 2018

O que foi noticiado: Estudo realizado pela Everytown for Gun Safety, organização favorável ao controle de armas, aponta a ocorrência de inúmeros tiroteios em escolas americanas apenas em 2018.

Os verdadeiros números:Everytown for Gun Safety levou em conta casos que não podem ser enquadrados como tiroteios. Reportagem do Washington Post desmente os números da organização e expõe as incongruências nos números.

Fake News 10 – Proprietários da Escola Base são acusados de abuso sexual

O que foi noticiado: Duas mães denunciam proprietários de uma escola infantil, um motorista do transporte escolar e um casal de pais de um aluno por abuso sexual. A acusação é aceita pelo delegado e noticiada como um furo de reportagem pela TV Globo e repercutida por todos os principais veículos de comunicação do país.

O que foi apurado: Sem qualquer prova, o promotor Sérgio Peixoto Camargo arquivou o caso. Os acusados moveram processos milionários contra os veículos de comunicação que divulgaram a notícia na época.

Este último caso, o da Escola Base, se deu em 1992, quando internet era termo desconhecido da maioria da população. Ele prova que as fake news não são novidade, e fazem parte do cotidiano da mídia desde sempre, precedendo em muitos anos o jornalismo alternativo das mídias sociais.

Se há informação inverídica divulgada por sites obscuros da web, também há a informação inverídica divulgada pelo jornalismo tradicional. Esta última, muito mais perigosa, já que embalada pelo pedigree e pelo pretenso padrão de qualidade.

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Eva Lorenzato: “No Brasil e no mundo, as pessoas reconhecem o trabalho do PT”. Tchequinho não poupa

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Já se passou o tempo em que defender ex-presidiários era sinal de imoralidade. Eva Lorenzato é uma amostra destes tempos

Lula esteve na Europa recentemente. A agenda incluiu o presidente da França, Emmanuel Macron, o futuro chanceler alemão Olaf Schulz, a prefeita de Paris, Anne Hidalgo, que disputará as eleições presidenciais francesas, o ex-premiê da Espanha José Luís Zapatero e o prêmio Nobel de Economia em 2001, Joseph Stiglitz. Na Espanha,  com o atual premiê espanhol, Pedro Sánchez.

Em Madri, Lula participou na quinta, 18, da abertura de um seminário de cooperação multilateral e recuperação em um cenário pós-Covid-19. Na ocasião, defendeu a quebra de patentes de vacinas para ampliar a igualdade no acesso aos imunizantes.

Em Paris, o ex-presidente foi recebido no Palácio do Eliseu com honras de chefe de Estado por Macron, um desafeto de Bolsonaro. Ao francês, Lula defendeu uma nova governança global e discutiu ameaças à democracia e aos direitos humanos. E por aí vai…

Eva Lorenzato (PT) não perdeu a oportunidade de enaltecer a participação do ex-presidente no cenário europeu. Para ela, o mundo inteiro reconhece o trabalho do Partido dos Trabalhadores e do PT: “Muito orgulho nós temos do estadista que Lula está sendo”. Veja:

Tchequinho (PSC), que não poupa críticas para se referir ao ex-presidente: “Ficou 16 anos saqueando o Brasil, e agora fica dando palestra dizendo que vai resolver os problemas do país”. Veja:

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Candeia critica fala de Toffoli sobre Poder Moderador e semipresidencialismo no Brasil

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Durante o 9.º Fórum Jurídico de Lisboa, o ex-presidente do Supremo afirmou que hoje o Brasil vive um “semipresidencialismo com um controle de poder moderador que hoje é exercido pelo Supremo Tribunal Federal. Basta verificar todo esse período da pandemia”. O evento foi organizado pelo supremo magistrado Gilmar Mendes.

Para Candeia, essa afirmação é o mesmo que dizer que houve uma mudança constitucional sem a participação do Congresso Nacional. Veja:

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Covid-19

Seis meses depois, a CPI dos Horrores é encerrada com indiciamento até do Presidente da República

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Durante seis meses, os brasileiros acompanharam bestializados o espetáculo midiático liderado por “três patetas”: Renan Calheiros (MDB-AL), que já pagou pensão à amante com dinheiro público e até usou jatinho da FAB para fazer implante de cabelo, com processos que podem deixar uma banca de advogados trabalhando por anos; Omar Aziz (PSD-AM), talvez o mais desconhecido dos três, mas acusado de corrupção e desvio de dinheiro público até o  último fio de cabelo; e Randolfe Rodrigues (Rede-AP), um cão pinscher que late a ponto de espantar todas as pombas dum parque, mas incapaz de matar uma formiga, e não por seu um sujeito decente, mas fraco. Dá para fazer uma menção honrosa a Humberto Costa (PT-CE), um dos fiéis escudeiros de Lula, com o único papel de inviabilizar qualquer proposta que leve a assinatura de Bolsonaro.

Na véspera de completar seis meses de atividades, a CPI da Pandemia aprovou, nesta terça-feira (26), seu relatório final, em que prevaleceu o texto do senador Renan Calheiros (MDB-AL). O documento recebeu sete votos favoráveis e quatro contrários (os votos em separado apresentados por outros parlamentares não chegaram a ser analisados).

Votaram a favor do documento os senadores Omar Aziz (PSD-AM), Eduardo Braga (MDB-AM), Humberto Costa (PT-PE), Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Renan Calheiros (MDB-AL), Tasso Jereissati (PSDB-CE) e Otto Alencar (PSD-BA). Votaram contra os senadores Eduardo Girão (Podemos-CE), Marcos Rogério (DEM-RO), Jorginho Mello (PL-SC) e Luis Carlos Heinze (PP-RS).

O parecer da comissão parlamentar de inquérito agora será encaminhado a diferentes órgãos públicos, de acordo com a competência de cada um. Será enviado à Câmara dos Deputados, à Polícia Federal, ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), ao Ministério Público Federal (MPF), ao Tribunal de Contas da União (TCU), a ministérios públicos estaduais, à Procuradoria-Geral da República (PGR), à Defensoria Pública da União (DPU) e ao Tribunal Penal Internacional (TPI).

A versão final do parecer, que tem 1.279 páginas, recomenda o indiciamento do presidente Jair Bolsonaro pela prática de nove infrações. Os três filhos do presidente também não foram poupados pelo relator, que os acusou da prática de incitação ao crime: o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ).

Além deles, Renan Calheiros identificou infrações penais cometidas por duas empresas, a Precisa Medicamentos e a VTCLog, e por outras 74 pessoas. Entre elas, deputados, empresários, jornalistas, médicos, servidores públicos, ministros e ex-ministros de Estado.

O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) pediu ao relator Renan Calheiros a inclusão do nome de Heinze na lista com as propostas de indiciamento por disseminação de fake news, pedido que foi inicialmente aceito pelo relator. Nas palavras de Vieira:

Essa CPI teve a coragem de pedir o indiciamento do presidente da República, de outros parlamentares e do líder do governo na Câmara [deputado Ricardo Barros], e não pode fechar os olhos ao comportamento do senador [Heinze], que reiteradamente repete mentiras para desinformar o cidadão.

Parlamentares governistas saíram em defesa de Heinze e apelaram ao relator para que ele reavaliasse a decisão. O senador Jorginho Mello (PL-SC) disse que Renan, desde o início da CPI, trabalhou para tentar incriminar o presidente Bolsonaro e deveria também estar na lista. No início da noite, o próprio Alessandro Vieira (Cidadania-SE) pediu a retirada do nome de Heinze da lista. Ele alegou motivos formais e materiais para o recuo.

Ele manifestou os desvarios usando a tribuna da comissão. Formalmente, me rendo ao argumento de que a imunidade parlamentar teria percepção alargada, embora pessoalmente não concorde com isso. Pelo mérito, uso o dito popular: ‘”não se se gasta vela boa com defunto ruim”. Não posso colocar em risco o bom trabalho da CPI por conta de mais um parlamentar irresponsável.

O último grande debate realizado na CPI repetiu o que foi visto ao longo dos seis meses de comissão. Demonstrando apoio ao relatório de Renan Calheiros (MDB-AL), os oposicionistas não pouparam críticas à atuação do governo federal na pandemia e acusaram o presidente Jair Bolsonaro de ter contribuído para o elevado número de mortes no país.

O senador Humberto Costa (PT-PE) disse que a CPI conseguiu chamar a atenção da população, trouxe luzes sobre os fatos e conseguiu provar que a estratégia do governo federal foi a busca pela imunidade coletiva sem vacinação (a chamada imunidade de rebanho), o que representa um crime doloso.

Senadores destacaram que, mesmo com o término da CPI, não vão encerrar seus esforços. Para isso, defenderam a criação da Frente Parlamentar de Observatório da Pandemia e prometeram entrar em contato com o Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos e o Tribunal Penal Internacional de Haia. Os senadores governistas, por sua vez, continuaram criticando o que eles chamam de investigação seletiva da comissão, que, segundo eles, preocupou-se somente em desgastar o governo. Além disso, para eles, a CPI se omitiu ao não investigar o destino das verbas federais enviadas a estados e municípios.

Marcos Rogério disse que a CPI se revelou um estelionato político; e o relatório final, uma fake news processual. Segundo ele, a comissão protegeu acusados de corrupção. Para Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), a comissão é o maior atestado de idoneidade do governo federal, pois, de acordo com ele, o maior escândalo levantado foi o de uma vacina não adquirida e que não custou um real aos cofres públicos. O relatório, segundo Para ele, é um “relatório político e sem base jurídica”.

E os absurdos não param por aí. Antes da votação do relatório, a CPI da Pandemia aprovou seus últimos dois requerimentos. O primeiro, do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), pede a quebra de sigilo telemático das redes sociais do presidente Jair Bolsonaro e a suspensão de acesso aos seus perfis — o pedido foi feito após declarações que o presidente fez em uma live associando a vacina contra a covid-19 ao desenvolvimento do vírus da aids.

É certo que o encerramento da CPI não pode ser comemorado pelos governistas. Não haverá brecha para respirar. Calheiros, Aziz, Randolfe e demais queriam a cabeça de Bolsonaro numa bandeja. No entanto, poucos levaram esse trabalho a sério. Como num tribunal do crime, onde bandidos assumem o papel inquisitório, a CPI dos Horrores nada fez pelo Brasil a não ser expor ainda mais o nível da classe de políticos que a população é obrigada a sustentar.

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