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O Brasil de Dona Regina

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O programa “Encontros com Fátima Bernardes” tornou as manhãs da Rede Globo um verdadeiro território livre para o jornalismo pseudo-cultural que pretende dar voz e vez para os agentes da subversão moral. O público alvo mudou. Saíram as crianças e entraram os eleitores de classe média alta do PSOL. Se antigamente tínhamos a cachorra Priscila dançando na finada “TV Colosso”, agora temos discussões entre personalidades descoladas e funkeiros convocando as “cachorras” para dançar. Tudo naquele ar blasé pretensamente inclusivo, mas que na realidade é profundamente autoritário

Os artistas globais, a elite acadêmica e boa parte da mídia vivem em uma bolha. Não vivem a realidade das ruas, mas uma projeção imagética do que pretendem como mundo ideal. Os princípios firmemente consolidados entre os brasileiros médios não são compartilhados por esses intelectuais que desprezam e tem ojeriza pela população moralmente conservadora que o país possui. O sonho deles todos é reformar essa sociedade que julgam tacanha e reacionária.

                                                                     Sorridentes, emotivos e autoritários

É por isso que o surgimento de uma Dona Regina da vida tem ares revolucionários. Senhora de cabelos brancos, óculos com lentes profundas e voz delicada, ela possui a fisionomia clássica das vovós queridas que amam seus netinhos, sabem cozinhar como ninguém, vão à missa com alguma frequência e entendem que a moral herdada das gerações passadas precisa ser preservada para a boa saúde do futuro.

A Dona Regina que surgiu do anonimato da plateia do programa “Encontros” para confrontar os artistas que ali falavam sobre as exposições do Santander Cultural e do Museu de Arte Moderna é a encarnação de milhões de outras Donas Reginas que compõe a chamada “maioria silenciosa”. Como bem disse o meu amigo Leandro Sarubo no blog Teleguiado, ela representa o grande público que mantém a Rede Globo na liderança da audiência.

Afirmei em meu Facebook que Dona Regina merece o aplauso pelo vigor de sua personalidade. A TV é um ambiente intimidante. Atores sabem como lidar com microfones e câmeras, já cidadãos comuns não. Mas isso não foi problema para ela, que enfrentou a adversidade de debater com gente acostumada a posar para os holofotes televisivos. Bastaram palavras simples ditas com a doçura de quem conhece as coisas da vida para que se impusessem silêncios desconcertantes entre os convidados tagarelas. Todos eles mal disfarçando o desconforto de dar de cara com o que o público pensa de verdade.

https://www.youtube.com/watch?v=w_KCFF-xOOQ

Créditos da Foto: Artur Meninea/Gshow

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