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Tentando obter uma vaga na Câmara dos Deputados, Marcel Van Hattem tira das costas o peso do PP

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O deputado estadual Marcel Van Hattem sairá do PP gaúcho. É uma baixa e tanto entre o quadro de filiados do partido. Nos últimos anos, Marcel foi enfático defensor da desestatização do Rio Grande do Sul. É crítico esmerado da esquerda e dos setores sindicalizados da sociedade. Muitas vezes atuando sozinho, conseguiu criar discussões que afetaram o Estado inteiro. Com isso, e tendo ampliado seu alcance nas rede sociais, era visto como estrela em ascensão entre os progressistas e nome já eleito para a Câmara dos Deputados. O peso de sua atual legenda fez o parlamentar optar por um caminho mais difícil. No entanto, se bem trilhado, pode ser ainda mais brilhante.

Na próxima terça-feira, Marcel anunciará, na tribuna da Assembleia Legislativa, a sua decisão de se filiar no “Novo”. Sua nova casa será menor, mas mais arejada. Por mais que o diretório estadual do PP mantenha postura diferente da observada no comando nacional, o partido leva consigo o peso da corrupção e do fisiologismo. Peso esse que desmotiva e afasta qualquer liderança renovadora. Por mais que se destaque, por mais que seja honesto, Marcel sempre acabaria cobrado por ser correligionário de Paulo Maluf.

Nascido do processo de organização de muitos liberais e empresários que não se viam representados no quadro partidário brasileiro, o “Novo” ainda é um campo aberto para atuação política. Tem linhas de atuação definidas e está próximo aos posicionamentos defendidos por Marcel. Nesse caso, a troca de partido não é em razão de conveniências ou de conchavos, mas de afinidade ideológica.

Se há algo de negativo no “Novo” é sua falta de estrutura. Não há muitas lideranças consolidadas, o que dificulta em um pleito regido pelo sistema proporcional, modelo no qual o desempenho de todos os candidatos de uma nominata conta para que alguém consiga se eleger. O PP tem inúmeros puxadores de voto, já o “Novo” terá apenas Marcel, que precisará buscar uma votação consagradora para atingir o quociente eleitoral.

Marcel não pensou pragmaticamente, muito menos fez a escolha mais fácil para obter um cargo. Em um país onde a busca pelas facilidades ganhou dinâmica industrial, é alvissareiro alguém colocar em risco seus objetivos pessoais em nome da coerência. Que os eleitores saibam prestigiar quem dignifica a arte política.

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