Premiação do fracasso: José Maria Beltrame teria sido convidado por Eduardo Leite para ser Secretário de Segurança do RS

Em seu blog, o jornalista Políbio Braga informa que José Maria Beltrame foi convidado por Eduardo Leite para ocupar o posto de Secretário de Segurança Pública do Rio Grande do Sul. É a mesma função que ele já desempenhou no Rio de Janeiro durante a administração do hoje presidiário Sérgio Cabral.

Se confirmada a informação, terá sido uma escolha errada do governador eleito. O desempenho de Beltrame na área foi desastroso – apesar de, por muito tempo, ter sido exaltado na mídia. A criação das Unidades de Polícia Pacificadora não resolveu o problema da criminalidade no RJ. Pelo contrário, criou a falsa sensação de diligência e controle.

Como poderia funcionar uma política de segurança que não prendia ninguém? Ao invés de irem em cana, os bandidos se espalhavam. Matéria publicada na revista Veja mostrava como se dava o fluxo migratório dos bandidos:

“Em muitos desses locais, criminosos continuam no comando do tráfico e circulando livremente. Os que foram obrigados a fugir não precisaram se esconder muito longe. A preferência é pela Baixada Fluminense, aonde as UPPs ainda não chegaram – e onde a criminalidade cresceu consideravelmente nesse período. Com esses dados em mãos, os prefeitos de doze cidades da região pretendem se unir para exigir que Cabral volte a atenção para a migração desses bandidos.”

Na época, quando Sérgio Cabral era tratado como estrela nos noticiários, esse tipo de informação não repercutiu como deveria. A tal “pacificação” foi um embuste. O que havia – isso sim – era o deslocamento do crime organizado, isso quando não a convivência entre traficantes e policiais. Aos poucos, as UPPs foram sedimentaram o aprofundamento do caos.

Em virtude da crise econômica, o Rio Grande do Sul viu crescer seus indicadores de violência. Com o Estado sem dinheiro para equipar suas polícias e aumentar o efetivo, o crime organizado se mobilizou. Se na Capital já existem áreas controladas por facções criminais, o interior é assolado por inúmeras quadrilhas.

Uma situação como essa merece uma resposta firme das autoridades. José Ivo Sartori demorou demais até entender que se existia uma área que não poderia sofrer cortes em virtude do controle de gastos era a da segurança. Eduardo Leite não pode repetir o erro. A escolha de Beltrame será uma premiação do fracasso.

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