Em meio a reclamações de usuários, gasto com bicicletas ultrapassa a marca de 1 milhão de reais

A Prefeitura assumiu para si um gasto que poderia ser da iniciativa privada, resultando em um serviço ineficiente e duvidoso

O sistema de bicicletas compartilhadas da Prefeitura de Passo Fundo foi lançado em 2016 em meio a narrativas ambientais e, fazendo dupla com as “ciclovias”, fez parte da máquina de marketing da atual administração. Em pouco tempo, números absurdos foram criados para pavimentar a narrativa, como o do cálculo da quantidade de CO2 que seria retirada da atmosfera com o uso das bicicletinhas.

 

Os números sobre o CO2 e as bicicletas. Quem acredita?

 

Como já exploramos aqui na Lócus, a Prefeitura de Passo Fundo contratou a empresa Mobhis, de Cascavel (PR), para prestar o serviço de aluguel de bicicletas. No contrato original de 2016, constam 10 estações com 10 bicicletas cada (mais uma reserva técnica de outras 10 bicicletas) ao custo de R$ 418 mil por 12 meses. O contrato recebeu 5 aditivos, sendo o último em junho de 2018 com validade até novembro de 2018, segundo os documentos disponíveis no site da transparência.

Desde 2016, a Mobhis já recebeu R$ 1.000.194,66 (um milhão, cento e noventa e quatro reais e sessenta e seis centavos) dos cofres públicos e tem outros 30 mil para receber.

O serviço está longe do ideal, apesar do imenso gasto: vários usuários já mandaram mensagens para a Lócus relatando problemas com estações vazias, bicicletas com pneus murchos, desajustadas ou com a marcha trancando. Ainda segundo eles, quando o usuário só nota o problema após a retirada da bicicleta no dispositivo da estação, precisa esperar vários minutos para poder pegar outra. Se perder a senha, o processo também é lento para a retomada do acesso ao sistema.

Com 1 milhão de reais, dá para comprar 1666 bicicletas como esta, no Ponto Frio. Imaginem no atacado.

O vereador Rufa é outro crítico do sistema. Em pronunciamento na tribuna em setembro de 2018, denunciou os gastos com a Mobhis, a falta de cuidado e irregularidades, como a falta de bicicletas nas estações durante os finais de semana.

 

As Citi bikes em Nova Iorque. Serviço de qualidade, pago só por quem usa.

Enfim, o sistema das bicicletas é mais um exemplo da incapacidade do poder público em lidar com atividades onde empresas privadas já atuam com reconhecida qualidade. O país inteiro conhece o sistema das bicicletas laranjas do Itaú, outras prefeituras já instalaram o sistema sem custo, em troca de publicidade e algumas cidades no exterior até mesmo lucram com o bike sharing. A administração de Passo Fundo, socialista, prefere gastar o dinheiro dos outros e ainda prestar um serviço de qualidade duvidosa.

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