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Troca de farpas: o duelo entre Onyx Lorenzoni e Eduardo Leite que viralizou na Internet

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O bate e rebate entre o ministro e o governador foi indireto, através de entrevistas e vídeos na internet. O motivo da briga é a distribuição das vacinas no Estado

Até o momento da edição deste artigo, um vídeo do ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República Onyx Lorenzoni publicado no Facebook e direcionado ao governador gaúcho Eduardo Leite contava com mais de 20 mil reações, 2,3 mil comentários e 16 mil compartilhamentos.

A declaração feita na quinta, 8 de abril, é uma resposta ao governador por conta de uma entrevista dada no mesmo dia para a Rádio Gaúcha, falando sobre abertura do comércio, aulas presenciais e fakenews das vacinas.

Eduardo Leite, no final do programa, pede para tratar de “ataques mentirosos”, prontamente atendido pela co-apresentadora Rosane Oliveira:

RO. Eu queria ouvir do senhor o óbvio, porque a gente sabe que o governo não está estocando vacina mas estes ataques se repetem. Para onde vão as vacinas, como elas são distribuídas e por que é boato a história de que o governo estoca vacina?

EL. Olha Rosane, eu ontem ao assistir até a entrevista da minha querida secretária Arita Bergmann, na… em um canal de televisão, na Pampa, dando uma entrevista por que um dos comentaristas que atacou esta questão do estoque de vacinas foi daquela emissora, eu assisti e mandei uma mensagem a ela porque é uma guerreira a nossa secretária de saúde. Ela foi minha secretária em Pelotas, é minha secretária de estado da saúde, faz um belíssimo trabalho com muita dedicação, na idade em que está a nossa secretária, disposição e energia que muito jovem não tem.

E ao lado dela, outros profissionais capacitados, que vocês entrevistam a todo momento, a Cíntia que é a nossa diretora do centro de vigilância, a Tani, que também é a nossa responsável na área da vigilância e distribuição das vacinas, técnicos respeitados e servidores dedicados que quando chega a vacina no estado, assim que chega a pauta como é chamado pelo Ministério da Saúde, do que que virá de vacinas, saem trabalhando enlouquecidamente, rapidamente, pra poder garantir que em menos de 24 horas toda a vacina que chega no estado esteja em cada uma das regiões a disposição de cada um dos municípios e com transparência, a gente disponibiliza lá no site tudo, no vacina.rs, a gente tem vacina.saúde.rs.gov.br, pode conferir tudo. Tudo que o estado recebeu de doses, dois milhões, oitocentos e sessenta e uma mil doses, dois milhões, oitocentos e quarenta e quatro mil, novecentos e noventa e nove doses distribuídas aos municípios.

E aí, o que acontece? O Ministério da Saúde, ele disponibiliza, agora foi a décima-primeira pauta de distribuição, a gente fica sabendo dois dias antes afinal porque ainda está este problema de produção, vai produzir, vai entregar, a Fiocruz, o Butantan, então não tem um cronograma certo de entregas. Tem uma expectativa, mas não tem uma certeza. Então a gente fica sabendo 24 horas antes de receber. Recebemos a pauta com o aviso oficial do Ministério e partimos pra trabalhar sobre ela. E nesta última pauta, a décima-primeira pauta, o Ministério alerta lá: da Astrazeneca Oxford D2, que é segunda dose né? Ele mesmo diz lá: estas doses que estamos encaminhando é para segunda dose dos profissionais que foram vacinados há doze semanas atrás, então reservem parte destas doses para esta imunização. Por que? Porque vai vencer agora no próximo dia 25 de abril, o dia que eles têm que receber a segunda dose.

E a gente não tem segurança de que virá, até o dia 25 de abril, doses suficientes para assegurar a imunização da segunda dose de todos estes profissionais de saúde que receberam há dozes semanas, quase três meses portanto, a primeira dose. Então a gente faz uma pequena reserva. De 0,5% do total de vacinas que a gente recebeu, são cerca de 10 mil doses que essa sim é feita uma reserva por que quando chegar o dia da segunda dose, tem que ter segunda dose. E só pra lembrar, em março a Fiocruz disse que ia entregar cerca de 15 milhões de doses e entregou menos de 3 milhões de doses. Tem tido uma constante frustração no cronograma de entregas por parte do Ministério da Saúde. Do que se esperava ter em março, 50 milhões de doses, vieram menos de 25 milhões de doses. Vieram menos da metade.

Então é responsabilidade na gestão, a gente distribui rapidamente, com técnicos que estão trabalhando sobre isso… olha, o bolsonarismo, infelizmente aqui representado pelo ministro Onyx Lorenzoni, fazem ataques com fakenews. E o filho do presidente, deputado Eduardo Bolsonaro também com fakenews, com mentiras pra tentar confundir a população e criar esta cortina de fumaça para que as pessoas não enxerguem a única verdade existente: o presidente combateu a vacinação. O presidente da república Jair Bolsonaro disse ele, de viva voz que ele não se vacinaria. Foi inúmeras vezes, estão lá as frases, pode procurar no Youtube ele dizendo “eu não entendo a pressa com a vacina”. Foi o presidente, falando isso. Não entendo essa pressa com a vacina. Não comprou vacinas quando foram ofertadas no ano passado pela Moderna, pela Pfizer, o Brasil poderia estar vacinando muito mais e agora querem dizer que os governadores e que eu esteja retendo vacinas? Bom, pra quem não quer acreditar em tudo isso que eu tô falando aqui, basta ver o seguinte: tá lá, público, nos veículos de comunicação. O Rio Grande do Sul foi sempre um dos 5 estados que mais vacinou no Brasil. Tá sempre entre os top 5, top 3, ontem tava talvez na segunda posição entre os estados que mais vacinou.

Que mágica é essa que o Rio Grande do Sul faz, que esconde vacina, que estoca vacina, que retém vacina, segundo estes mentirosos, e mesmo assim é um dos que mais vacina? Eu vi um comentário de um bolsonarista nas redes dizendo “não, é que vocês estão em um complô, uma gangue, os 27 governadores pra derrubar o presidente, estão juntos nessa de não vacinar.”. Uma maluquice geral, não seriam só os 27 governadores, seriam 27 governadores, 5000 prefeitos, todo mundo num complô, numa gangue pra derrubar o presidente? Que que é isso? Isso não é justo, não é comigo, como governador. Não é justo com os profissionais da área da saúde que estão suando sangue pra poder rapidamente disponibilizar essa vacina no braço de cada gaúcho e de cada gaúcha, um desrespeito com estes profissionais e com todos que estão virando noites pra poder garantir que as vacinas cheguem rapidamente a todos que precisem. Presidente e a sua tropa devem colocar energia não em atacar quem está trabalhando mas sim em buscar internacionalmente que o Brasil seja priorizado nos cronogramas de entregas, para que a gente receba as vacinas mais rápido e leve esta vacina à população.

A origem da raiva (de Eduardo Leite)

onyx lorenzoni

De fato, Onyx Lorenzoni postou nas redes sociais no dia 7 de abril que o governo gaúcho estaria desobedecendo instrução do Ministério da Saúde sobre o uso das vacinas. No twitter, colocou lado a lado um um print do site Valor Econômico e outro de um documento do governo gaúcho emitido em 1/4/2021 e assinado pela secretária Arita Bergmann, orientando a retenção de 10% das doses para uso futuro como segunda aplicação. Outras postagens sugerem a retenção de vacinas por estados, mostrando uma grande diferença entre vacinas enviadas e realmente administradas em todo o Brasil. Há compartilhamentos destas postagens nos perfis de diversos representantes ou apoiadores do governo. Entre eles, Eduardo Bolsonaro e o próprio presidente.

Onyx não gostou

No vídeo, Onyx dispara:

Na manhã desta quinta-feira, o governador do Rio Grande do Sul foi a uma rádio, que é uma incondicional apoiadora do governador, pra fazer ataques generalizados e fazer agrassões a mim e a outras pessoas. Eu venho aqui, governador, lhe dizer e ao povo gaúcho, que eu sempre lhe tratei com respeito. E exijo respeito. Aliás, ao longo da minha já longa vida pública, eu sempre tratei as pessoas com muito respeito independente da sua condição. Agora, governador, o que que foi o post? O posto foi um questionamento sobre um documento do seu governo. Eu respeito escolhas políticas. E eu vou exemplificar aqui para os gaúchos entenderem: o ano passado o governo federal lhe mandou, exclusivamente para o estado do Rio Grande do Sul, assim como para os demais estados, 2 bilhões de reais, para que de maneira discricionária, o senhor poderia escolher, se aplicar na saúde ou aplicar em outras coisas. O senhor escolheu aplicar em outras coisas. Eu discordo disso. Por que que o senhor não fez como o governador do Pará, que conseguiu ter 5 vezes menos mortes que o Amazonas, na mesma condição, atacado pela mesma variante, a tal da P1? Ele cuidou da estrutura de assistência básica. Ele cuidou dos hospitais. Ele deu condições a que os médicos do estado do Pará tivessem todos os medicamentos possíveis para livremente o médico escolher o que tratar e o que não tratar. Não ficou usando parte da imprensa ou trabalhando em comunhão com parte da imprensa para dizer que isso não serve, aquilo não serve. Quem entende de remédio não é jornalista, não é juiz, não é político. Quem entende é médico. E é ele que tem que fazer a escolha.

Governador, o senhor vem a mais de um ano abrindo e fechando, abrindo e fechando. Governador, a Angela Merkel acabou de pedir desculpas aos alemães por que ela estava fazendo um lockdown que não era racional, era um equívoco e ela reconheceu o seu erro. Governador, reconhecer erros não é uma coisa ruim. Demonstra grandeza. Eu posso entender que o senhor está mais sensível. Tá olhando para o Brasil todo e não resolveu o problema do Rio Grande do Sul. Governador, questionar faz parte da democracia. Ofender e agredir mostra desequilíbrio e despreparo. Esta sua secretária da saúde, foi ela que mandou reter vacinas. Foi isto que eu questionei, governador. Bastava uma explicação. Ou o senhor não pode dar explicação, ou o senhor não concorda com o que ela fez ou o senhor não teve coragem para defender a sua subordinada. Agora, de tudo o que o senhor falou hoje de manhã, tirando as agressões totalmente desnecessárias, tem uma coisa que eu concordo: o senhor falou que é preciso cuidar das pessoas que estão passando dificuldade. Governador, nós aqui, o presidente Jair Bolsonaro, a quem o senhor agrediu, a quem o senhor ofendeu hoje de manhã, o presidente Jair Bolsonaro foi o primeiro líder mundial a falar em equilíbrio, proteger a vida e proteger os empregos. Proteger a saúde das famílias. E para que as famílias tenham saúde, elas precisam de emprego e renda, governador. Elas precisam botar comida na mesa para os seus filhos. Não é fechando lojas, não é fechando cidades, não é pintando de colorido o estado que isso vai ser resolvido, governador. Quantos milhares de gaúchos perderam o seu emprego por decisões tomadas em gabinete, governador? De gente que tem o salário pago no final do mês? A nossa luta é para todos, governador. Já distribuímos 43 milhões de vacinas ao Brasil e só 23 milhões de brasileiros foram vacinados até hoje, governador. Dinheiro a rodo para estados e municípios, todo mundo pagou décimo-terceiro em dia, governador. E as pessoas, governador? Elas precisam trabalhar. Então, governador, não se preocupe comigo. Eu tenho couro duro, eu sei me defender, eu tô nessa luta política há muito tempo. E junto com o presidente Bolsonaro, nós temos uma única missão: em nome do Deus que nós acreditamos, que é servir o povo brasileiro. Governador, um pouco mais de humildade. Um pouco mais de respeito. Vá servir o Rio Grande.

Leite foi atrás

Ainda na quinta, Eduardo Leite publicou um vídeo onde está reunido com o próprio ministro da saúde, dizendo estar esclarecendo a mentira de que o RS estaria estocando vacinas.

 

Do episódio, fica a máxima: a política é a arte de falar sem dizer, para depois dizer que não falou. Além de ser um teste de resistência para quem consegue esticar a corda por mais tempo. Neste caso, Onyx ganha de lavada. Quando Eduardo era só um piá brincando no playground da Praça Coronel Pedro Osório, Lorenzoni já tomava café em Brasília.

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Eduardo Leite vem aglomerar em Passo Fundo e dizer que investiu no aeroporto

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Acompanhando de uma enorme equipe, o governador Eduardo Leite veio visitar as obras do Aeroporto de Passo Fundo

 

O governador Eduardo Leite esteve em Passo Fundo nesta quarta, 28 de julho. Entre as visitas agendadas na cidade, um passeio pelas obras do aeroporto e uma declaração no Facebook no mínimo curiosa:

“Em Passo Fundo, com a equipe de governo, acompanhei a evolução das obras do Aeroporto Lauro Kortz. São investidos R$ 49 milhões na ampliação e modernização da pista, novo terminal de passageiros e novo pátio para aeronaves. Toda a economia e o turismo dessa próspera região serão beneficiados.”.

eduardo leite

O post com a declaração, disponível neste link.

Sem revelar a fonte dos recursos deste investimento em declaração na própria página, Leite dá a entender que está bancando a obra, que é recurso federal, com pequena contrapartida do Governo do Estado.

A Lócus tem vasta coletânea de informações sobre o assunto “aeroporto“, e gostaria de criar novo material apenas com novidades de fato. Mas esta jogada de marketing político não poderia ficar sem uma nota.

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Wesp tentou garantir “mesada” para Eduardo Leite e sucessores, mas foi derrotado na Assembleia Legislativa

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Os deputados gaúchos acabaram com a Lei que garantia pensão vitalícia para ex-governadores, derrubando também uma manobra que daria um extra temporário após o término do mandato

A Assembleia Legislativa derrubou a Lei nº 7.285/1979, garantidora de uma pensão vitalícia de R$ 30.471,11 para todos os ex-governadores gaúchos, bem como para as suas viúvas. O benefício custa atualmente cerca de R$ 5 milhões. O valor é uma gota no oceano orçamentário do Estado, mas a economia tem um enorme significado moral.

Não foi tão simples assim acabar com este privilégio de poucos. O PL 482 de autoria do Deputado Pedro Pereira (PSDB), que revogaria a Lei que dava o benefício, tramitava desde 2015 – e sempre batia na trave. Apesar do avanço obtido no mesmo ano, quando outro Projeto de Lei limitou em 4 anos a “aposentadoria” para os futuros governadores, os antigos continuavam recebendo.

votação aposentadorias governadores rs

Resultado final da votação: 49 a 1. Foto: reprodução do Facebook do Deputado Fábio Ostermann.

Na última terça, finalmente o PL foi levado ao plenário e aprovado por 49 a 1, derrubando a pensão vitalícia para ex-governadores e viúvas. O resultado é fruto do esforço da Frente Parlamentar de Combate aos Privilégios, o grupo de deputados atualmente liderado por Fábio Ostermann (NOVO), que busca, como o próprio nome diz, acabar com certos mimos reservados a políticos gaúchos.

Algumas manobras tentaram modificar esta decisão.

Dois substitutivos ao Projeto de Lei foram elaborados. O primeiro – retirado posteriormente –  de autoria do Deputado Mateus Wesp (PSDB), o próprio Pedro Pereira (PSDB) e Sérgio Turra (PP), tinha a intenção de mudar o projeto para incluir um subsídio mensal, igual ao vencimento de Governador do Estado e de forma proporcional ao tempo de mandato, por 1 ano.

autoria mateus wesp

O substituitivo, proposto e retirado. Autoria de Mateus Wesp e outros.

O segundo, de autoria de Gilberto Capoani (MDB) e outros 10 deputados, também tentava  conceder a mesada para os ex-governadores, mas por apenas 6 meses, nos mesmos moldes. Na justificativa, evitar confrontos entre o público e o privado, uma espécie de confortável quarentena sustentada pelos cofres públicos. O substitutivo foi derrotado por 26 a 23. Votaram sim os deputados petistas, os emedebistas, Mateus Wesp (sozinho entre os tucanos) e outros.

wesp sozinho

 

wesp votou

Acima: segundo substitutivo que tentou pagar 6 meses de benefícios para ex-governadores, derrotado no Plenário. Wesp foi o único tucano a votar Sim. Confira a votação neste link.

 

Venceu a prudência

O povo gaúcho tirou das costas mais essa mamata (ainda que alguns não considerem ruim a prática), por conta do bom trabalho dos deputados da Frente Parlamentar, formada para acabar com privilégios como esse. No final das contas, vencido no substitutivo, Wesp tentou emplacar a “versão 6 meses” antes, mas votou pelo fim do benefício quando o PL em si foi votado. Nada mais restava a fazer. De qualquer forma, fica o registro.

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É preciso parar de perguntar para Eduardo Leite “onde estão os 2 bilhões”

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2 bilhões

A retórica que insinua uso inadequado do dinheiro público – apenas jogada ao vento – só dá munição ao suposto gestor ruim. Além do mais, não são 2, e sim 3 bilhões!

Muita gente nas redes sociais reclama da falta de transparência do Governo do Estado – personificado na imagem de Eduardo Leite – com a prestação de contas do “dinheiro do Covid”, nome popular dos valores enviados pelo Governo Federal para aliviar a crise financeira dos Estados. Até mesmo políticos largam essa pergunta no ar em meio a discursos apaixonados nas tribunas.

A coisa não é tão simples. Primeiro, o montante dos repasses federais neste contexto é de cerca de R$ 3 bilhões, divididos em reposição de perdas econômicas (2,1 bi), dinheiro “carimbado” para a saúde (826 milhões) e apoio para o setor cultural / Lei Aldir Blanc (75 milhões).

Estas operações estão demonstradas em pelo menos dois importantes documentos elaborados pelo Governo RS: o RTF – Relatório de Transparência Fiscal – Quarta Edição (52 páginas) e Prestação de Contas – Repasses Federais e Combate à Pandemia ( 252 páginas).

eduardo leite

RTF – Relatório de Transparência Fiscal 2020 e Prestação de Contas – Repasses Federais e Combate à Pandemia, documentos que explicam os gastos com os recursos “do Covid”. O segundo foi distribuido pelo governador em pessoa para diversos órgãos e entidades, com cobertura da imprensa oficial.

 

É preciso também entender a Lei Complementar 173/2020, que destinou R$ 60 bilhões para os Estados e Municípios. Desta possibilidade legal saíram os cerca de 2 bilhões mencionados acima. A Lei, sancionada pelo Presidente Jair Bolsonaro, veio do PLP 39/2020, de autoria do Senador Antonio Anastasia (PSD).

Resumão dos recursos

eduardo leite

Quadro com resumo dos repasses para o Estado. Fonte: Reprodução da “Prestação de Contas – Repasses Federais…”, página 9.

Os recursos para uso exclusivo na saúde somam pouco mais de R$ 800 milhões. A maior parte (R$ 2,1 bi) é de uso livre, ou seja, o governador poderia fazer o que bem entendesse com o dinheiro. A única possibilidade aqui é  criticar a capacidade de gestão de Eduardo Leite e se seria mais producente para a economia investir mais em saúde, além do carimbado, para beneficiar a economia com a abertura de mais setores. É um assunto que precisa de inúmeras fontes de dados para a formulação de teorias. Muitas destas fontes são de criação e uso exclusivo do próprio governo, algumas acessíveis apenas via solicitação legal (Lei do Acesso).

Acusação infundada, alegria da vítima

O debate político desqualificado até pode gerar curtidas e compartilhamentos imediatos nas redes sociais, mas a parte atacada acaba virando o jogo de forma lenta, ganhando simpatia de uma maioria silenciosa que não frequenta ativamente as redes. São pessoas que estão na internet apenas para ler o que passa nos feeds e não para ter voz. Os xingamentos “cadê o dinheiro do Covid” levaram o Eduardo vítima para as páginas do Estadão, e muitos outros canais.

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Eduardo Leite ganhando mídia “de graça” no Estadão, por conta de diversas postagens sobre os 2 bilhões do Covid. Confira aqui. Curiosamente, um fato verdadeiro – o aumento do gasto com publicidade no Governo RS – foi ofuscado pelo problema maior.

É preciso qualificar a crítica

Eduardo Leite defende sua atuação como gestor e cita, entre outras coisas, a Reforma da Previdência e a modernização da máquina como geradores de melhoria nas contas. Os documentos que dão satisfações ao público também geram diversos pontos para discussão e ataque, sempre acompanhados da alternativa. O Deputado Ostermann (NOVO), por exemplo, foi feliz quando assumiu em sua crítica que nada estava incorreto no uso das verbas, mas o governador deveria gastar mais em testagem e não usar boa parte do dinheiro para pagar o funcionalismo.

A qualificação da crítica passa pela maior atenção do público nas redes sociais e também pela melhora dos gabinetes de vereadores e deputados. Se antigamente era preciso alguém “capaz de usar um computador”, hoje em dia é adequado um assessor que saiba pesquisar, comparar números e criar formas de comunicação com o eleitorado, explicando os pontos de vista, sem gritos ou exageros.

Bônus

Não é só a economia. O Governo do Rio Grande do Sul tem muito mais esqueletos no armário para a observação e análise do público. Uma dica, comece pelos textos da Lócus, na tag #EduardoLeite. Boa leitura!

 

 

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