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Educação

Colunistas da Lócus publicam em revista científica artigo sobre a imposição da linguagem não-binária

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Cidney Surdi Junior e Cesar Augusto Cavazzola Junior publicam, em coautoria, texto que trata das consequências educacionais e jurídicas concernentes à imposição da linguagem não-binária como instrumento de ensino e comunicação

Nesta quinta-feira (19), na Ordem dos Advogados do Rio Grande do Sul, foi lançada a 9ª Edição da Revista Eletrônica da Escola Superior de Advocacia do Rio Grande do Sul (ESA/RS), desta vez com a temática “Gêneros, Feminismos, Mulheres, Direito e Interseccionalidades“.

Trata-se da primeira revista temática da ESA/RS, a qual representa uma quebra de paradigmas em várias perspectivas. Essa proposta inovadora, ampla e democrática veio através do Grupo de Estudos de Direito e Gênero da ESA/RS.

Com o título “A IMPOSIÇÃO DA LINGUAGEM NÃO-BINÁRIA É INSTRUMENTO LEGÍTIMO PARA IGUALDADE DE GÊNERO?”, os autores resgataram as origens ideológicas dessa linguagem, identificando-a diretamente a ideologia de gênero. Contrapondo a essa agenda ideológica considerações acerca da natureza da educação e a importância do domínio da linguagem, foi observada a própria natureza da língua portuguesa e sua gramática.

Além disso, considerando as estruturas e processos de diferentes tradições de ensino no país – no entorno da problemática do alfabetismo e analfabetismo funcional, foi constatado que as atuais defasagens da educação brasileira só seriam agravadas com a imposição de uma linguagem apartada da natureza gramatical da língua portuguesa.

Ainda, vislumbrando os possíveis imbróglios jurídicos advindos de projetos de leis proibitivas, questionou-se se a imposição da linguagem não-binária não trataria mais problemas e confusões ao direito e à educação.

Não só este trabalho, assim como os demais, podem ser conferidos AQUI.

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Educação

O que esperar de uma geração que passa de 7h a 12 horas diárias grudada na tela de seu celular?

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Os números são alarmantes e confirmam que, atualmente, jovens de 13 a 18 anos passam cerca de 7 horas diárias de uso recreativo em seus celulares

Em 2001, o educador americano Marc Prensky cunhou o termo nativos digitais para celebrar a geração vindoura, pessoas que cresceriam absolutamente familiarizadas com a tecnologia em rede. Essa geração se destacaria por ter cérebros superestimulados, estruturas neuronais mais complexas, capacidades avançadas para multitarefas e raciocínio rápido. Construía-se um mito.

Recentemente traduzido para o português, o livro A fábrica de cretinos digitais, do psiquiatra francês Michel Desmurget, impugna totalmente aquela celebração. Reunindo a vasta literatura a respeito dos impactos da tecnologia no desenvolvimento dos jovens, Desmurget mostra que a euforia em torno dos nativos digitais já não condiz com as evidências observadas. Os números são alarmantes e confirmam que, atualmente, jovens de 13 a 18 anos passam cerca de 7 horas diárias de uso recreativo em seus celulares.

Os impactos cognitivos, psicológicos e sociais já são inegáveis. Trata-se de uma geração para a qual praticamente todas as relações passam a ser mediadas pelos smartphones – desde jogos, divertimentos, busca por informação e comunicação, até a aprovação social e a formação de identidade pessoal. Jean Twenge, psicóloga e autora do livro iGen, chega a dizer que se trata de uma geração completamente diferente das anteriores pelo modo como os indivíduos passam o seu tempo. O celular já é uma verdadeira extensão do corpo humano, diria o pensador Marshall McLuhan.

Esses números sobre o uso diário do celular não são exagerados, posso confirmar. Como professor do ensino básico e superior, já realizei pesquisas in loco, em sala de aula, e pude verificar a média de utilização registrada nas próprias configurações dos aparelhos de alunos entre 14 a 17 anos: 6 a 14 horas diárias. Sim, é isso mesmo: um mínimo de 6 horas diárias de utilização do celular tem sido muito normal.

Considere o que pode ser alcançado por uma atividade realizada 6 horas por dia, todos os dias da semana. Imagine o que poderia ser feito empregando 6 horas diárias de seu tempo em um trabalho, um projeto, estudos, em treinos, em esportes, em processos criativos ou artísticos. Muitos jovens dessa geração de nativos digitais simplesmente passam esse tempo em seus celulares.

Bem, e o que eles fazem durante essas 6 horas em seus celulares? De acordo com a edição de 2021 do relatório The State of Mobile Report, da empresa de consultoria global App Annie, as atividades mais realizadas por jovens são trocas de mensagens (Whatsapp em sua maioria) e utilização recreativa das redes sociais (Facebook, Instagram, Tinder e TikTok).

A história da humanidade nos mostra que, muito dos grandes talentos, vocações e realizações sempre dependeu da intensidade e amplitude de nossa persistência, dos nossos esforços e dos conhecimentos que adquirimos. Em seu livro Direto ao Ponto – os segredos da nova ciência da Expertise, o psicólogo sueco Anders Ericsson mostrou que aquilo pelo qual chamamos de talento, na verdade, é o resultado da prática concentrada durante muito tempo, frequente e continuamente (mais precisamente, a excelência em qualquer atividade é alcançada depois de 10 mil horas de prática frequente).

Assim como uma árvore que cria raízes antes de se expandir, o florescimento do talento e das vocações humanas sempre foi o resultado do cultivo diário e cuidadoso de habilidades. E no que os nossos jovens estão empregando a maior parte de seu tempo diário? A resposta deveria esclarecer por que ficamos espantados ao ver uma geração tão vulnerável psicologicamente, tão ansiosa pelas novidades imediatas e tão dependente da aprovação social. Como já disse Allan Bloom, o que cada geração é pode ver-se melhor na relação que tem com as preocupações permanentes da humanidade – ou com a tela do celular.

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Educação

Para Palhaço Uhu, educação domiciliar é um retrocesso

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Para não ficar mal entre professores e sindicatos, o vereador, que também é professor, decide atacar o direito de a família decidir os rumos da educação dos próprios filhos

Na Sessão Plenária da última quarta-feira (25), o vereador Gleison Consalter (PDT), mais conhecido como Palhaço Uhu, usou a tribuna para comemorar a manutenção do veto, na Assembleia Legislativa gaúcha, da proposta de regulamentação do homeschooling (educação domiciliar), que havia sido aprovada em junho. Por 24 votos a 22, a proposta foi arquivada.

Nas justificativas para não sancionar a medida, o Palácio Piratini considerou que havia dúvidas sobre a legalidade da matéria. Segundo a Procuradoria-Geral do Estado (PGE), um entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) atribui ao Congresso Nacional a regulamentação da prática. O projeto que visava autorizar o “homeschooling” no Rio Grande do Sul foi apresentado pelo deputado estadual Fábio Ostermann (Novo). Em junho, a matéria foi aprovada por 28 votos favoráveis e 21 contrários.

Leia mais em: Lei que regulamenta ensino domiciliar avança no Rio Grande do Sul

Gleison disse que costuma ouvir os dois lados antes de se posicionar. Será mesmo que o vereador se deu ao trabalho de ouvir os argumentos dos pais que querem garantir o direito de educar os seus filhos em casa? É bem possível que não. Se não os ouviu, usou a tribuna com esse posicionamento apenas para parecer imparcial, fazendo um teatro.

“Para mim, honestamente, é um retrocesso”, pontuou. Dá a entender, pela defesa que fez aos professores, que a educação domiciliar não passa de um ataque à categoria. Veja:

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Educação

Mente de gafanhoto

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Apesar de termos acesso a uma quantidade imensa de informações, o hábito de ler em varredura e pinceladas vai diminuindo nossa capacidade de leitura aprofundada.

Provavelmente você não irá terminar de ler este artigo. Pelo menos, esta é a conclusão de pesquisas sobre os impactos das mídias digitais na qualidade e no tempo da leitura online. Em 2015, uma pesquisa organizada pela Microsoft no Canadá concluiu que o tempo médio de permanência do usuário diante de um texto online era de 29 segundos – tempo suficiente para realizar aquilo que o pesquisador dinamarquês Jakob Nielsen chamou de padrão de leitura em F: os olhos do usuário da web seguem as três primeiras frases e logo se dispersam verticalmente até o final da página – um padrão verificável em quase todo tipo de página ou website. Portanto, se você chegou até aqui, já é uma conquista. Avante.

O estilo da leitura atualmente não é o mesmo de 15 anos atrás. Não apenas porque muitos dos recursos e dispositivos mudaram, mas porque nos habituamos a diferentes processos de atenção, que acabam por permear todas as nossas atividades diárias. Em 2003, mesmo antes do advento dos smartphones, o pesquisador Ziming Liu, da Universidade San Jose, na Califórnia, já havia observado que o ambiente digital tende a encorajar as pessoas a explorarem tópicos de modo extensivo, mas em um nível muito superficial. A consequência disso seria que, apesar de termos acesso a uma quantidade imensa de informações, o hábito de ler em varredura e pinceladas vai diminuindo nossa capacidade de leitura aprofundada.

Em outra pesquisa, de 2016, Liu verificou que esse padrão de leitura superficial tem se intensificado ainda mais com o uso dos smartphones. Comparando com a leitura em computadores e laptops, a leitura em celulares é substancialmente diferente: nos habituamos a acessar e pincelar informações onde quer que estivermos, em curtas verificadas, aumentando a seletividade de frases e palavras, diminuindo o tempo de atenção prolongada e foco. A concentração passa a ser “espasmódica e saltitante, como um gafanhoto”, diria o pesquisador Howard Gardner. Basta examinar a si mesmo e perceber se você ainda é capaz de ler textos longos em suas redes sociais.

A pesquisadora e diretora do centro de dislexia da Universidade da Califórnia, Maryanne Wolf, também verificou que há uma lenta e invisível mudança acontecendo: os circuitos neuronais que sustentam a nossa capacidade de ler estão mudando sutil e rapidamente em função dos hábitos diários adquiridos em nossos smartphones. Como a autora explica em seu livro “O Cérebro no Mundo Digital”, de, 2019, sabemos que os circuitos cerebrais responsáveis pela leitura são desenvolvidos de acordo com o ambiente, a cultura e o sistema de escrita em que o indivíduo se encontra. Se esse ambiente dominante for carregado de processos rápidos, orientado para grandes volumes de informação em curtos períodos de tempo, os circuitos neuronais da leitura também acompanharão esse traço.

Agora, considere que a média brasileira no uso do celular é a 2ª mais alta do mundo, com cerca de 5 horas diárias, e que nossos jovens de 13 a 16 anos chegam a ficar 12 horas diárias conectados (tempo dividido entre acesso a informações e troca de mensagens), de acordo com o relatório Global Overview Report – Digital 2021. Num cenário em que, há anos, apresentamos uma média de leitura anual muito baixa (cerca de 2 livros inteiros), além de graves problemas de leitura e interpretação entre os jovens estudantes, é possível vislumbrar que o cenário de incentivo à leitura não é tão simples como imaginamos.

Como incentivar hábitos de leitura concentrada quando as pessoas não conseguem se afastar por mais de 30 minutos de seus celulares, seja em casa, seja na rua, seja no carro? Como manter o hábito de leitura concentrada se as pessoas já não têm paciência para encarar várias páginas e vários parágrafos sem imagens ou vídeos? Como incentivar o hábito de ler pacientemente se estamos nos acostumando a um grande volume de informações em nível superficial?

Não se trata de jogar fora nossos celulares, mas de percebermos o que estamos perdendo. Como disse Sherry Turkle, pesquisadora que analisa os impactos da tecnologia, não erramos quando inovamos, mas quando ignoramos o que interrompemos ou diminuímos ao inovar.

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