Vereador Rufa: uniformes em Passo Fundo são fornecidos na modalidade “Perna de Anão”

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Falta de peças nos kits de uniformes distribuídos pela Prefeitura foi alvo de críticas do vereador Rufa

A maioria dos vereadores faz questão de dizer que é favorável ao fornecimento de uniformes escolares de forma gratuita para os alunos da rede municipal (ação que virou lei pelo vereador Ronaldo Rosa (SD)). Agora, problemas no fornecimento destas peças de vestuário são alvo de críticas na tribuna. Foi assim na sessão do último dia 8 de abril da Câmara de Vereadores de Passo Fundo.

O vereador Rufa levou um kit ainda lacrado para a tribuna – fornecido por um apoiador que tem filho na rede municipal – e abriu a embalagem durante o pronunciamento. O kit foi entregue sem as calças (de 9 peças, foram fornecidas 5). “Perna de Anão”, segundo o edil. O foi levado ao Ministério Público.

O vereador Ronaldo Rosa usou o seu tempo na tribuna para defender o programa e relatar pequenos problemas, como alunos que acabam deixando jaquetas em sala de aula, causando transtornos pela quantidade de peças mantidas nas dependências das escolas para posterior devolução. Citou ainda que a lei está funcionando e o programa é exemplo para outras cidades.

Na sequência, o vereador Gleison Consalter (Palhaço Uhu – PSB) arrematou com denúncia sobre o descarte de peças de uniforme escolar em terrenos baldios da cidade, reportados pela imprensa local.

O uniforme escolar, um programa que gera milhões em gastos para o contribuinte passo-fundense, já foi tema de texto aqui na Lócus. Em Uniformes escolares e o assistencialismo obrigatório, de fevereiro de 2018, analisamos a ação.

A empresa fornecedora dos uniformes, a HL Confecções LTDA EPP, fechou em 2018 um contrato com o município de Passo Fundo no valor de 2,3 milhões de reais. Em 2019, o valor do contrato para “confecção e fornecimento de uniformes escolares para compor a coleção uniforme escolar 2019” baixou para 1,6 milhão. Os dados são da transparência.

De fato, a população de Passo Fundo está, neste tema, entre uma Câmara de Vereadores que tem receio de criticar de forma contundente um programa popular e altamente assistencialista e um Executivo que gasta demais, muitas vezes sem critério e com possíveis erros que custam centenas de milhares de reais aos cofres públicos. Existe ampla variação no gasto com uniformes entre um ano e outro e casos de descarte irregular ou interesse do uso. O sistema precisa ser revisto e auditado pelos órgãos competentes.

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