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Eleições 2022

Dinheiro público pagou o churrasco eleitoral de Eduardo Leite no Piratini

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Leite aglomerou e a Secretaria da Casa Civil pagou o custo da reunião com tucanos de diversas partes do país para falar sobre as eleições de 2022

Eduardo Leite recebeu seus colegas de partido para um churrasco nas dependências do Galpão Crioulo do Palácio Piratini no dia 11 de fevereiro. A reunião ficou conhecida nacionalmente como um evento para “convidar” o governador para participe das eleições presidenciais de 2022. Assim a imprensa interpretou o evento:

gzh

Gaúcha ZH, do Grupo RBS: bem informada 2 dias antes do churrasco, dando os motivos para a reunião eleitoral. Não há dúvidas. Dizem ainda: “No almoço, marcado para o meio-dia, no Palácio Piratini, os tucanos querem perguntar a Leite quais seus planos para a próxima eleição e se podem contar com ele como alternativa à candidatura de Doria. Leite já manifestou publicamente que estará à disposição do partido em 2022 e assegurou que não pretende concorrer à reeleição. Eles devem também pedir que o governador se exponha mais no cenário nacional, ocupando espaços na mídia e construindo pontes no partido que assegurem maior competitividade interna. Antes mesmo do almoço, a confusão tucana já interferiu na agenda do governador, que tem entrevistas marcadas para veículos nacionais como a CNN e o jornal O Globo.”.

correio do povo

Correio do Povo, repercutindo o acontecimento. “Leite aceita ser alternativa”.

 

correio braziliense

Correio Braziliense, muito mais claro.

 

Dinheiro público pagou este evento eleitoral

Nós registramos este evento aqui na Lócus, com uma pergunta. Em “Eduardo Leite levou tucanos de todo o Brasil para evento partidário no Palácio Piratini. Você pagou esta conta?” reunimos detalhes sobre o almoço e uma coletânea de depoimentos dos companheiros de partido de Eduardo Leite. O óbvio já estava posto. Mesmo assim, solicitamos via Lei de Acesso as informações oficiais sobre o churrasco. A resposta veio agora, 30 dias depois, diretamente do Serviço de Informação ao cidadão / Gabinete do Governador. Confira:

Relativo ao seu pedido de informação ao Governo do Estado do Rio Grande do Sul, informamos que a Reunião Almoço ocorreu das 12h às 14h, sendo que o preparo foi feito por funcionários do estado, que teve a participação de 20 convidados, onde foi servido carne, salada, suco e água e o responsável pelo custeio foi a Secretaria da Casa Civil. A limpeza após o evento foi realizada pela SV Serviços Terceirizados, através de contrato contínuo, que pode ser acessado no endereço http://www.celic.rs.gov.br/. A aquisição dos itens foi realizada por empenho e compra direta.

Apesar de não responder tudo o que foi perguntado, o enviado foi de bom tamanho para confirmar oficialmente que o cidadão gaúcho pagador de impostos financiou este ato eleitoral. Um gasto de pouca monta, mas de enorme falta de ética por parte do governador (e de todos que lá estavam, conscientes da finalidade do evento). Leite é livre para fazer o que quiser com sua carreira política, mas “depois das 18h”, em local privado e custeado pelo seu bolso ou pelo financeiro do PSDB.

Em um mundo mais civilizado, envergonhado de seu ato e pela constatação dos erros, Leite ressarciria os cofres públicos, centavo por centavo. Pelo jeito, aqui as façanhas são outras.

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Eduardo Leite corta Aécio Neves em foto de visita ao deputado Paulinho da Força

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Paulinho da Força

Leite foi “construir convergências” com deputado sindicalista, mas divergiu do colega tucano na imagem

Eduardo Leite está fazendo suas visitas partidárias (ou pré-eleitorais) pelo Brasil, vendendo seu nome como alternativa viável na dita “terceira via” brasileira.

Nesta segunda, 18 de abril, o ex-governador gaúcho visitou o deputado federal Paulinho da Força (Solidariedade) para ter – palavras dele – “uma boa conversa sobre o Brasil e a necessária construção de convergências na agenda política do país”. Ao divulgar o ato no Twitter, Leite posou para a foto ao lado de Paulinho da Força, cortando o companheiro de partido Aécio Neves, seu acompanhante na reunião.

Leite e Paulinho

O tweet de Eduardo Leite.

Curiosamente, o Twitter do deputado Paulinho contou a história completa, colocando-se entre Leite e Aécio, sem pudores.

 

O tweet de Paulinho da Força.

O corte seletivo por parte de Eduardo Leite não pegou muito bem nas redes. Há quem diga que o ato não foi honesto. Na linguagem política, quem é da área sabe que isso tem nome.

O Twitter de Aécio não postou qualquer referência ao encontro. Nem sobre qualquer coisa: a conta verificada (com 619 mil seguidores) do homem que foi candidato a presidência em 2014 não posta nada desde setembro de 2018. No Facebook (e no Instagram), o hoje deputado federal Aécio Neves ainda é ativo. E não é que o deputado não postou o encontro com Paulinho, mas reforçou seu apoio ao Leite enquanto contava que esteve reunido com Fernando Henrique Cardoso e Michel Temer? Incrível.

Eduardo Leite Aécio

O post de Aécio Neves no Facebook. 

 

Realmente, os tucanos possuem maneiras peculiares de demonstrar ou esconder apoios…

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House of Milk: primeira temporada, episódio 1: destruindo João Doria

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house of milk

As táticas de Eduardo Leite para chegar ao Planalto, falando manso e passando por cima dos adversários tucanos, é coisa de cinema.

O ex-governador de São Paulo, João Doria, ganhou as prévias do PSDB para disputar a Presidência da República pelo partido ainda em novembro do ano passado, obtendo 53,99% dos votos e derrotando o colega Eduardo Leite (44,66%) e Arthur Virgílio (1,35%).

O resultado (na época) foi reconhecido por todos, ratificado pelos dirigentes e até mesmo pelo derrotado Leite. Bastaria uma convenção futura para formalizar a candidatura. Quatro meses depois, o então governador gaúcho decidiu sair do governo para tentar fazer alguma coisa: leia-se “tirar Doria da jogada e ser ele o candidato ou participante de algum arranjo que dispute as eleições contra Bolsonaro e Lula”. Faltou combinar com os russos.

Faz muito tempo que Leite começou a “nacionalizar” a sua narrativa. Seja para lutar por um “Brasil melhor” ou só para ficar mais conhecido fora dos pampas gaúchos, participou de diversas entrevistas (incluindo a célebre revelação de cunho pessoal no Bial), pitacos em problemas artísticos de Santa Catarina e palestras. Em fevereiro de 2021, pagou um churrasco para lideranças tucanas no Palácio Piratini, onde ele advogou ser uma possibilidade diferente de Doria foi a pauta.

A renúncia

coletiva leite

Leite marcou uma coletiva de imprensa para o último dia 28 de março. Em um Palácio Piratini cheio de jornalistas à frente e parceiros políticos aos lados e na retaguarda, o governador “renunciou ao poder para não renunciar à política”. Palavras dele – ou quase -, já que a renúncia foi feita em vídeo no telão, com tons de material de campanha eleitoral e com o “corpo presente” do próprio. O discurso que seguiu apenas complementou o conteúdo, agradeceu Kassab do PSD, elogiou o vice Ranolfo e justificou com longuíssimas sentenças a decisão.

O discurso da renúncia se agarra fortemente a uma declaração recente de João Doria para justificar a movimentação. Em uma das respostas da coletiva (para Bruna Ostermann, da CNN), Leite disse:

Eu respeito as prévias, as prévias são respeitadas. Elas aconteceram, são legítimas, mas como eu disse, não é sobre as prévias, sobre o partido, sobre projeto pessoal, é sobre o Brasil. E a mesma posição que nós temos aliás é aquela que eu salientei desde as prévias, e que eu vou pegar as próprias palavras do governador João Doria num evento no último dia 22 de fevereiro, mencionou como está constando na própria imprensa, abre aspas: “eu amo o Brasil e em nome deste amor que tenho pelo Brasil não vou colocar o meu projeto pessoal à frente daquilo que sempre foi a índole que me fez ter orgulho de ser brasileiro. O meu país, o povo do meu país é mais importante do que eu mesmo. Então, se chegar lá adiante e lá adiante tiver que oferecer o meu apoio para que o Brasil não tenha mais esta triste dicotomia, de ter Lula ou Bolsonaro, eu estarei ao lado daquele e de quantos forem os que serão capacitados pra oferecer uma condição melhor ao Brasil”. Fecha aspas. Esta foi a declaração pública do governador de São Paulo João Doria no último dia 22 de fevereiro em um evento. É a mesma posição que eu tenho.

O evento em questão trata-se de um painel com pré-candidatos realizado pelo BTG Pactual, a CEO Conference 2022, no dia 22 de fevereiro. Muito firme na candidatura, Doria realmente disse isso, mas há um contexto estrategicamente ignorado por Leite.

 

 

Doria é indagado pela consultora Cila Schulman,  aos 36:31 do vídeo:

CS: O ex-ministro Sérgio Moro falou aqui agora há pouco, reconheceu né que uma terceira via viável é uma terceira via mais enxuta, e da disposição dele de conversar sobre isso. Eu queria ouvir do senhor, se o senhor não pontuar ali nos dois dígitos até a convenção partidária, quais são os movimentos possíveis que você imagina?

Depois de um longuíssimo discurso sobre as dificuldades da vida e como chegou até aqui, emendou (aqui começa o real talk):

Então, eu sou um brasileiro, eu amo o meu país, eu quero o bem do Brasil. Ao longo da minha vida trabalhei, enriqueci, fiz família, amo meus filhos, amo a Bia minha esposa, tenho um bom patrimônio poderia estar vivendo fora do Brasil, aliás muitos de vocês aqui poderiam estar também. Se vocês estão aqui é porque gostam do Brasil e amam o Brasil.

E eu resolvi entrar no jogo, difícil. Sair da arquibancada, fui pro campo. Não é fácil também você tomar essa decisão. Mas eu tomei essa decisão porque eu amo o Brasil. E em nome desse amor pelo Brasil, eu não vou colocar o meu projeto pessoal à frente daquilo que sempre foi a índole que me fez ter orgulho de ser brasileiro. O meu país, o povo do meu país é mais importante do que eu mesmo.
Portanto, se chegar lá adiante, e lá adiante eu tiver que oferecer o meu apoio para que o Brasil não tenha mais essa dicotomia, triste dicotomia, do pesadelo de ter Lula ou Bolsonaro, eu estarei ao lado daquele, e de quantos forem, os que serão capacitados para oferecer uma condição melhor para o Brasil.

Então o questionamento segue:

Mas isso significa que o senhor vai manter a sua candidatura ou pensa em aderir a outra candidatura, caso as condições de uma outra candidatura de terceira via seja mais viável?

Doria: Todos os que estão participando tem que manter a sua candidatura. Todos! Hoje eu falei com a senadora Simone Tebet, por quem tenho também muita admiração, aliás, feliz aniversário dela hoje. Tenho muita admiração. Aliás, outra senadora brilhante como a Eliziane Gama. E nós aproveitamos para conversar um pouco. Ela tem que manter a candidatura dela, o Sérgio tem que manter a candidatura dele, a nossa candidatura também. Aquelas que compõem este centro democrático liberal e aqui no nosso caso eu acrescento o social, nós temos que manter, até o esgotamento do diálogo pelos líderes partidários. O PSDB tem um presidente, o União Brasil tem um presidente, os demais partidos, o Cidadania tem um presidente que eu acabei de me referir a ele, o nosso deputado Roberto Freire, esses partidos, o PMDB tem o Baleia Rossi, jovem, competente e operoso pra lá adiante, diante das circunstâncias, verificarmos quem pode, quem precisa abrir mão. Eu percebo o mesmo sentimento, André, tô sendo sincero. Isso que falou o Sérgio aqui, não é mentira, não foi uma desfaçatez dele querendo disfarçar a posição. Ele tem grandeza. Simone Tebet tem grandeza também. Outros que nós temos, não são muitos porque isso foi estreitando, estreitando. Hoje basicamente você tem três nomes: a Simone, o Sérgio e o nosso, com disposição e vontade de seguir trabalhando e de seguir avançando.

Seguramente, estes três nomes, mais adiante, junto com os líderes partidários que comandam estes partidos, vão encontrar um tema e vão encontrar um ponto em comum pra que haja um único nome e esse nome que seja um nome que possa enfrentar o populismo dos extremistas da esquerda e da direita.

house of milk eduardo leite

Já dizia Frank Underwood, de House of Cards (série muito parecida com a House of Milk): “Se você não gosta de como a mesa foi posta, vire a mesa”. Eduardo Leite quer virar a mesa e disputar a presidência. O resto, como diria FHC, é trololó.

Doria dá a entender que é o candidato do PSDB, líder do projeto tucano para a presidência e que, lá na frente, poderia compor com outra força ou abrir mão de seu nome para apoiar outra sigla com mais condições. Leite, neste contexto, é passado, é alternativa que morreu nas prévias. O gaúcho pegou este pedacinho da resposta e criou toda uma narrativa, pouco mais de trinta dias depois.

Ainda sobre a coletiva

O discurso de Leite na coletiva de imprensa é cansativo, repetitivo e, algumas vezes, até arrogante, como alguém que é detentor de uma verdade partidária não revelada (esquecendo que deve satisfações a todos que estão ali e muito mais aos seus eleitores) e dá pistas vazias sobre o seu destino político. Para bom entendedor, basta. O agora ex-governador gaúcho tem amigos dentro dos tucanos que não querem Doria, acha que pode virar a mesa na convenção, sem ratificar a escolha das prévias que ele mesmo repete várias vezes que respeita. E se tudo der errado, compor de alguma forma com outra sigla. Simplesmente o mesmo que Doria também fala no evento de fevereiro.

Sejamos francos

Os líderes nas pesquisas são Bolsonaro e Lula, ponto. O PSDB hoje figura como traço em um grupo que teimam em chamar de terceira via. Melhor seria chamar de “todo o resto exceto a extrema-esquerda radical boa bala para conservadores”. O partido mira no Planalto com Leite ou Doria, mas terá muito mais trabalho para cuidar da própria sobrevivência após 2022, com tanta roupa suja lavada delicadamente em público.

House of Milk, a série

Não sabemos se a série que mostrará as desventuras dos tucanos que querem Brasília será renovada ou se passará do primeiro episódio aqui na Lócus. De qualquer maneira, fiquem ligados. Amanhã, Leite e Doria podem aparecer abraçados, dizendo que tudo é passado e o melhor para o Brasil é o gaúcho estampado na Urna.

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Eleições 2022

Eduardo Leite cita abortista ferrenha como exemplo de liderança mundial a ser seguido

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abortista

“É este novo olhar que quero ajudar o meu partido a levar pro meu país”, diz o ex-governador gaúcho.

O vídeo eleitoral exibido na abertura da coletiva onde Eduardo Leite revelou sua renúncia ao governo gaúcho e a futura tentativa de ser presidente do Brasil trouxe junto algumas pérolas, mas uma delas merece destaque.

 

Ao citar líderes mundiais que são exemplo, elencou a primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern:

“O mundo vive hoje, com Macron na França, Trudeau no Canadá, com Jacinda Ardern na Nova Zelândia, com Zelenskyy na Ucrânia e tantos outros líderes, uma mudança geracional na política. E eles estão mudando o mundo. Com uma nova agenda ambiental, inovadora, pacífica e social, enfrentando os imensos desafios desse novo tempo com uma nova cabeça e um novo olhar. E é este novo olhar que eu quero ajudar o meu partido a levar para o meu país”.

Jacinda Ardern é do Partido Trabalhista da Nova Zelândia, está no cargo de primeira-ministra desde 2017. Entre suas principais plataformas, estão a defesa da liberação do aborto e casamento homoafetivo. Em seu currículo ainda consta, no passado, um emprego como assessora de Tony Blair, no Reino Unido, e a presidência da União Internacional da Juventude Socialista.

Leite esquece que a agenda é pacífica para quem não é um feto. Jacinda teve sucesso em seu país e a Lei que descriminaliza o aborto por lá está em vigor desde 2020 – marco histórico, segundo os progressistas. Desde então, uma mulher pode abortar com até 20 semanas de gestação, com aconselhamento médico. Com mais de 20 semanas, dois médicos e um teste são necessários.

A descriminalização do aborto foi promessa de campanha de Jacinda Ardern em 2017, seu último pleito vitorioso.

Leite nem sabe se conseguirá colocar o nome na urna eletrônica em outubro, mas já mostra a que veio. Continue, Eduardo. Queremos saber mais.

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