Eduardo Leite: um político refém das próprias mentiras contadas na campanha eleitoral

Além das dificuldades naturais do estado do Rio Grande do Sul, o Governador enfrenta um eterno esqueleto no armário, com descrédito por parte da população

O Rio Grande do Sul hoje vive uma das maiores crises de sua história e não consegue pagar o funcionalismo em dia. Por outro lado, o candidato Eduardo Leite deu a entender na campanha eleitoral que teria como resolver, bastaria “tirar a bunda da cadeira”.

O “tirar a bunda da cadeira” chegou a virar frase motivacional  de parte da equipe de campanha do candidato, que estampou camisetas com a frase, dita em um dos debates na TV Bandeirantes.

A arte da velha política também consiste em falar sem dizer, para depois dizer que não falou. O candidato tucano foi agressivo, irônico e até grosseiro em debates com o concorrente Sartori, vendendo para o eleitor a ideia de facilidade para a resolução dos problemas e a incapacidade e anacronismo do concorrente. As pessoas acreditaram e o candidato da promessa de “colocar em dia os salários no primeiro ano de governo”, venceu.

Sim. Eduardo leite prometeu diversas vezes em campanha que resolveria o problema dos salários no primeiro ano de governo. Não apenas declarou diversas vezes no programa eleitoral mas também nos debates televisivos, como no realizado pela RBS TV quase no final da campanha.

Nós compilamos algumas dessas falas no vídeo abaixo. Leite promete claramente para senhoras que resolveria o problema. Não há dúvida: Leite mentiu.

 

Eduardo Leite e os salários

Durante a campanha eleitoral, Eduardo Leite prometeu pagar em dia o funcionalismo no primeiro ano de governo, em diversas situações. Neste vídeo, recortes da propaganda eleitoral do candidato e debate na RBS.

Posted by Locus on Wednesday, November 27, 2019

 

Uma cópia deste vídeo foi postada na página de Mateus Bandeira, que disputou com Leite as eleições no primeiro turno em 2018 pelo Partido Novo e fez 200.888 votos, ficando em quinto lugar. Até a elaboração deste texto, o post contava com 2.400 reações, 370 comentários, 3.000 compartilhamentos e 76 mil visualizações.

Leite também fala sem dizer que tem uma visão pessoal favorável a vários assuntos polêmicos em nossa sociedade, como liberação das drogas. Não consegue dizer nem sim nem não, mas que a sociedade “precisa discutir”. No processo, tem em alta conta seu grande nome do partido – Fernando Henrique Cardoso – ex-presidente que há muito quebra o tabu sobre o tema.

Adotando um quase vitimismo, queixou-de muito de fakenews durante a campanha eleitoral e de acusações infundadas. De fato, Leite foi atacado em sua vida pessoal e honra com fotos de baixo nível nas redes. Mas a percepção popular sobre a sua ideologia era em certos círculos negativa, tanto que ele chegou a se reunir com pastores em um restaurante para “repor a verdade” sobre assuntos como (ideologia de) gênero e drogas.

Acima: Leite e os pastores. Seria de bom tom para os religiosos uma revisão das políticas deste governo em diversos setores, fica a dica.

 

Salários de outubro: pagamento até 13 de dezembro.

Sendo praticamente impossível honrar a promessa, infelizmente podemos dizer que sim, que Eduardo Leite mentiu na campanha eleitoral sobre pagar os salários em dia no primeiro ano de governo. Só um milagre colocará o dinheiro no bolso dos professores e policiais a tempo para que o governo entre em 2020 com a situação em dia.

Veja também: Cartilha da Reforma: leitura obrigatória para todos os cidadãos gaúchos e O Rio Grande do sul, mais uma vez, será governado pela esquerda.

O eleitorado é vítima de um sistema político que protege demais os candidatos nas eleições, não permite o debate livre “cara a cara” entre adversários e engessa debates de TV com perguntinhas enlatadas e regras pré-combinadas com os partidos. Sem falar na imprensa, que passou décadas sem conseguir falar abertamente sobre candidatos. Este cenário, somado ao fator “malandragem” dos nossos representantes, favorece o estelionato eleitoral branco, sem punições imediatas e erros que um bom banho de marketing quase sempre resolve, quatro anos depois.

O governo do Estado precisa sair da crise moral para enfrentar a financeira, com transparência e isolamento das questões eleitorais de 2020. Do contrário, nosso destino será a falência total.

 

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