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Cultura

Parque da Gare – O futuro que se solidifica através do passado

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Passo Fundo anda agitada. Tantos espaços sendo entregues para a comunidade, ideias inovadoras que despertam a curiosidade da população. A atual gestão tem se esmerado na sua preocupação com as pessoas, no quesito entretenimento, cultura e bem estar público.  Banhado da Vergueiro, Espaço Roseli Doleski Pretto,  Parque Linear do Sétimo Céu, Parque da Gare, entre outros. Todo esforço do Prefeito, junto a suas Secretarias e equipes de apoio, tem dado resultado – e a prova disso são as obras entregues.

Circulando pelos espaços da cidade e conhecendo os novos equipamentos urbanos, nota-se que há muitos elogios por parte da população. Mas nenhum se compara a maior obra urbana realizada em 30 anos na cidade: Parque da Gare.

A ACXT, marca de arquitetura e urbanismo do Grupo IDOM (empresa espanhola especializada nesse tipo de proposta), foi escolhida para projetar as obras de revitalização do Parque. A proposta tratou principalmente da recuperação do programa paisagístico já existente, além do edifício principal, e na introdução de novas instalações esportivas e de lazer, como uma biblioteca, espaço para a nova feira de produtores, lanchonete com ponto de informação e zona de banheiros.

Os recursos para o Projeto são oriundos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), emenda parlamentar do deputado Beto Albuquerque e da contrapartida da Prefeitura. O valor total do investimento ultrapassou 11 milhões de reais.

Mas pouco se fala do porquê desse espaço ser tão importante e como era utilizado desde o início da construção ou como surgiu.

Passo Fundo foi caminho dos tropeiros há muito tempo atrás, quando ainda haviam guerras e revoluções travadas no nosso território¹. E antes ainda, propriedade dos índios, que viveram aqui por muitos séculos, provavelmente desde o século V, segundo datações de carbono. Há notícias que entre 1827 e 1828 o Cabo Neves se deslocou para cá com sua família e escravos, iniciando o que hoje conhecemos como nossa cidade.

O espaço da Gare (Estação Ferroviária) se deu com a construção da via férrea vinda a partir de Santa Maria, pois era um local estratégico para passagem às Missões na Revolução Federalista. Houve atrasos em decorrência da Guerra, chegando ao município somente em 1898, quando modernizou e transformou o conceito de tempo. Assim ficaria mais rápido e prático transportar mercadorias e viajar, o que antes levava semanas ou até um mês, dependendo do meio de transporte e sua carga.

Em 1910, foram implantados os trilhos que ligariam o estado do Rio Grande do Sul via Passo Fundo para o resto do país, e principalmente São Paulo. A ferrovia também transformou a paisagem urbana, pois além da mudança do cemitério para o bairro Vera Cruz,(antes localizado próximo à Catedral, na época, ainda criado por Cabo Neves), várias ruas foram rebatizadas e os bairros mais afastados começaram a se formar. Essa modernização aumentou então a exportação da madeira, chegando até a ultrapassar as antigas produções, como a erva mate e o gado. Também já era significativa a produção agrícola (milho e trigo) e a produção industrial ganhava cada vez mais força viajando pela ferrovia.

Com o passar do tempo, a linha férrea foi desativada e outras modernizações vieram, deixando o espaço em desuso, a mercê de vândalos, negligenciado por décadas, deixando nossa história quase perder-se em meio a tanto crescimento ao seu redor. Em 1986, foi criada a Gare, transformando o complexo ferroviário em Parque. A população não utilizou mais o espaço no decorrer dos anos, com medo do que se escondia em meio a vegetação que cresceu sem controle, e o espaço ficou restrito a atividades esporádicas como o Festival do Folclore (a cada dois anos), desfiles de carnaval (mais recentemente), dia da Pátria e a feira do produtor.

Eis que, agora, a população se apropria novamente do espaço revitalizado, dando vida e movimento à cidade. E quem nunca, quando criança, visitou o Parque e brincou de descer com um papelão pelos desníveis? Que andou de bicicleta por ali? Ou com os antigos pedalinhos? Agora o Parque conta com vias de pedestres, escadas e locais de contemplação, espaços previstos conforme regras de acessibilidade universal para que todos aproveitem o espaço da melhor maneira possível. Aliás, que bela proposta de um imenso escorregador para relembrar os velhos tempos do papelão! E a pista de skate, dando espaço os jovens esportistas ou o espaço da feira do produtor que todos andam comentando do quanto agradável e organizado ficou? Tantos detalhes que é até difícil escolher apenas um dos tantos locais criados para passar uma tarde e tomar um chimarrão com a família!

A arquitetura do local, como monumentos e arcos, foram preservados, incorporando novas ideias, fazendo a junção do novo e do antigo harmoniosamente e funcionalmente. Também houve preocupação em manter algumas partes paisagísticas, como espécies arbóreas da área e desníveis naturais do terreno.

Preservação da Arquitetura Existente

Preservação da Arquitetura Existente

Restauração de Espaços e Criação de Anfiteatro Aberto

Revitalização de área existente, Criação de espaço de Contemplação, Acessibilidade Universal

Preservação das Árvores nativas da área

Restauração de Espaço Existente

A conclusão da avaliação realizada pela ArquiHouse – Arquitetura e Design – é de que as mudanças realizadas resultaram num trabalho completo por parte da Arquiteta Urbanista e Secretária do Planejamento, Ana Paula Wickert, que se preocupou, juntamente com sua equipe, em valorizar esse espaço histórico do município.

Há apenas uma ressalva a fazer: ao andar pelo Parque, sentimos falta da distribuição de mais lixeiras, e infelizmente isso acabará repercutindo em problemas de conservação dos espaços e a necessidade de maior manutenção. A esperança que fica é que a população saiba desfrutar deste espaço incrível, colaborando para mantê-lo, afinal, a dívida do Parque se estenderá por muitos anos. Através de atitudes simples como juntar seu lixo após o passeio, não degradar a margem do lago, utilizar os espaços com respeito, entre outras coisas simples, permitirá que várias gerações possam participar desse pedaço tão significativo da nossa história que está ganhando mais um capítulo nos dias de hoje.

 

¹Miranda, Fernando. Passo Fundo: presentes da memória / Fernando Miranda, Ironita P. Machado –  Rio de Janeiro: MM Comunicação, 2005.

Paula Polese, Arquiteta Urbanista, CAU A96020-6, formada pela Universidade de Passo Fundo. Atua há 2 anos no mercado de Passo Fundo na empresa arquiHouse.

 http://www.arquihouse.com/

https://www.facebook.com/arquihouse.arquitetura/

Cultura

Por que a esquerda odeia tanto a beleza?

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Jennifer Lopez

Foto recente da cantora americana Jennifer Lopez repercutiu em texto passivo-agressivo de colunista brasileira da Vogue. Até quando?

A cantora e atriz americana Jennifer Lopez postou uma foto nua em um ensaio para comemorar seus 53 anos de idade. Até aí, tudo bem. Ela fez o mesmo (com um pouco mais de roupa – um biquini) no ano passado. É do jogo.

As implicações do fato cruzaram as fronteiras e foram parar nas páginas digitais da edição brasileira da revista Vogue. A colunista Cláudia Lima publicou um texto que podemos chamar amadoristicamente de passivo-agressivo, tamanha a quantidade de afirmações que variam da raiva até a suposta admiração pela atriz, distantes poucas linhas umas das outras.

O escrito gerou uma curiosidade jornalística. Na primeira publicação, saiu com o título “Jennifer Lopez e o desserviço às mulheres de 50, 60, 70…”. Horas depois, foi trocado para “Jennifer Lopez: precisamos ter o corpo perfeito sempre?”, mas o endereço da postagem no site permaneceu o mesmo, passado também entregue pela transcrição em áudio (um recurso extra presente no site da Vogue) que ainda tem o conteúdo antigo. A parte retirada era assim:

Jennifer Lopez e o desserviço às mulheres de 50, 60, 70… – Ensaio de sua marca de beleza é retrocesso na luta das mulheres pela aceitação de seus corpos, de sua imagem e contra os preconceitos em relação a idade. [sic]

Depois, o primeiro parágrafo começa com “eu amo a Jennifer Lopez” e o texto desfia um rosário de olhares típicos do feminismo sobre o caso de uma mulher que ousou mostrar as curvas perfeitas. Poderia ser a sua vizinha, mas é a Jennifer Lopez. Release the Kraken do lacre! Pra já! A ordem é oprimir a atriz que ousa trabalhar para a indústria que insiste em oprimir… as mulheres!

A peça acaba (depois de definir fronteiras para a liberdade e criticar indiretamente até a ética da atriz) com “Sejamos nós, sempre! Livres!”.

Irreal.

O mesmo sentimento foi replicado em outra coluna, desta vez para o UOL, por Nina Lemos. Entre outras linhas, dispara a colunista:

“Mas essa semana JLo pisou na bola. Ela publicou uma foto nua fazendo campanha para sua marca de cosméticos (a JLo Beauty). Se fosse só isso, maravilhoso. Precisamos mesmo ver mulheres de mais de 50 mostrando seus corpos. Só que tem um detalhe: o corpo exibido por JLo nas redes sociais é completamente fora da realidade de qualquer mulher de 50 anos”.

Sim, ela meteu essa: qualquer mulher de 50 anos. Se você é mulher e tem 5o ou mais, com curvas lopezianas, você nasceu em outro planeta.

Cláudia e Nina compartilham gostos e apoios políticos muito semelhantes e bem expostos em seus perfis do Instagram, deixando confortável o título do nosso texto. Feminismo, Lula, #ForaBolsonaro, a cartela inteira está lá nas imagens.

O motivo de tanto ódio pelo belo por parte da esquerda e suas ramificações pode ser explicado por diversos autores, de Roger Scruton a Jordan Peterson. Este último teve a ousadia de dizer recentemente que a modelo na capa de uma revista esportiva não era bonita. E a turma do lacre foi ao desespero. Transportando estes pensamentos sobre beleza no geral para o efeito causado especificamente por curvas de uma atriz e cantora americana de 53 anos em um ensaio, há que se imaginar que o ódio pode ter muitas razões: da inveja ordinária sustentada por embasamento de ciência social de botequim, pela irritante proximidade da natureza e seu criador ou pelo simples uso da celeuma como ferramenta de luta de classes.

 

 

Jennifer Lopez cometendo o mesmo crime no ano passado, ao postar o corpo dos 52 anos.

 

Para o lado de cá da história, resta reafirmar aos seus que ainda caem nestes discursos que o caminho para aqueles que apresentam problemas com a beleza alheia não é xingar a sociedade e sim procurar ajuda especializada, o quanto antes.

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Cultura

Das lições de Olavo de Carvalho: A importância da Literatura

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Por que a literatura é uma maneira de amadurecer a visão e compreensão da realidade? Em seu Curso Online de Filosofia, o professor Olavo não se cansava de lembrar que “a base da formação cultural é a extensa leitura atenta de literatura, pois esta é uma maneira de amadurecer a visão da realidade”

Os ensinamentos e as obras do professor Olavo de Carvalho, falecido em 24 janeiro desse ano, certamente ainda serão muito estudados. Seu legado deixa lições valiosas sobre a unidade do conhecimento humano e o autoconhecimento individual. Uma dessas lições que urge ser propagada diz respeito à importância de ampliar nosso imaginário, através da extensa absorção dos clássicos da literatura.

Tendo assumido a missão de restaurar o cultivo da alta cultura em nosso país (esfacelada por décadas de obscurantismo acadêmico), em seu Curso Online de Filosofia, o professor Olavo não se cansava de lembrar que “a base da formação cultural é a extensa leitura atenta de literatura, pois esta é uma maneira de amadurecer a visão da realidade”. Mas o que isso quer dizer?

É preciso entender que ler muitos livros não significa que o indivíduo incorporou o essencial à sua alma. A leitura atenta é aquela que leva o indivíduo a incorporar, no centro da sua existência, as sutilezas e as possibilidades de experiência humana, narradas exemplarmente nas obras literárias.

 

Qualquer pessoa que já tenha lido um bom romance teve a experiência de sair, por um momento, das formas convencionais de expressar a vida humana. Considere, por exemplo, sentimentos como o amor e o sofrimento. Se você ler O Albatroz, de José Geraldo Vieira, ou Moll Flanders, de Daniel Defoe, ou Sofrimentos do Jovem Werther, de Goethe, ou Romeu e Julieta, de Shakespeare, inevitavelmente perceberá diferentes graus e maneiras de expressar aqueles sentimentos, com todas as suas contradições, nuances e sutilezas. Você irá absorver modos diferentes de atenuar experiências, de realçar detalhes, de descrever sensações e situações de formas tão sutis, complexas e profundas que, inevitavelmente, irão expandir o seu horizonte de consciência sobre a vida humana. Considere por um momento o que o hábito de ler  boa literatura pode fazer a um indivíduo ao longo dos anos.

Nós jamais conseguimos ver além do nosso horizonte de consciência. Se esse horizonte for limitado, é muito provável que, em algum momento, o indivíduo se sinta mal por não compreender a si mesmo, o que acontece ao seu redor, ou não compreender as pessoas para além do que elas lhe aparentam. Por isso, alertava o professor Olavo, buscar ampliar a nossa imaginação através da absorção da boa literatura é aumentar a nossa capacidade de perceber, expressar e comunicar a experiência humana.

Esta era uma lição insistentemente lembrada por Olavo como um dos passos básicos para a restauração da alta cultura no país. Atualmente, a julgar pelas várias iniciativas e projetos sobre literatura encabeçados por ex-alunos do professor e afins, é preciso admitir que mais passos estão sendo dados e muitas pessoas estão tendo essa experiência de absorção literária. Os cursos e grupos de estudos do canal Formação do Imaginário; as análises e mentorias literárias do Matheus Araújo; os ciclos de leitura sobre literatura brasileira do historiador Thomas Giulliano; as análises literárias de Gabriel Santana; os encontros do Clube do Livro de Paulo Briguet e Silvio Grimaldo; os cursos de leitura e escrita do crítico Rodrigo Gurgel; as análises e leituras do canal Os Naufrágos, de Curitiba; a Sociedade do Livro, do grupo Brasil Paralelo; as análises e cursos do escritor João Filho; as análises e leituras no canal da tradutora Juliana Amato. Isso é uma breve lista de exemplos de iniciativas e trabalhos sérios que levam adiante o estudo e a leitura atenta da literatura como forma de ampliação do imaginário.

Todos esses projetos e trabalhos acabam atraindo muitas pessoas a seguir um caminho que não visa apenas certificados ou diplomas, mas um caminho que desperta algo mais valoroso e permanente: o verdadeiro apreço por expandir o conhecimento e buscar a verdade, por mais desafiador que isso seja. Para quem, felizmente, pode presenciar, essa foi uma lição que o professor Olavo não ensinou apenas com palavras e aulas gravadas, mas com a força da sua própria pessoa.

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Cultura

Por que está cada vez mais difícil e desinteressante estudar latim?

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Com a adoção do método de Paulo Freire nas escolas, nossa inteligência não caiu em constante e sutil queda, mas despencou ladeira abaixo, como um corpo arremessado de um penhasco

Eu estava conversando recentemente com o Cidney Surdi Jr., que além de ser meu colega na Lócus, é um amigo de longa data, sobre o estudo do latim. Tanto ele quanto eu nos arriscamos a estudar a língua do Lácio, embora certamente ele tenha o feito com maior empenho aos longos destes anos, sobretudo por ter cursado a disciplina no Departamento de Letras da UFPR, instituição onde ele se formou e fez mestrado em Filosofia.

Eu me interessei pelo latim quando comecei a acompanhar as aulas do Curso Online de Filosofia do professor Olavo de Carvalho, que lamentavelmente nos deixou no dia de ontem (25). Ele foi o responsável por resgatar um método que há anos estava esquecido nas estantes dos sebos, porque há muitos anos não era republicado. Trata-se da Gramática Latina, de Napoleão Mendes de Almeida.

Já vi muitas pessoas tentarem por conta própria estudar latim utilizando este trabalho. No entanto, poucos acabam avançando as páginas, na sua maioria desistindo já nas primeiras lições. Uns dizem que o estudo é chato, outros que não estavam entendendo nada, outros que acusaram o método de estar lhes fritando o cérebro. Eu mesmo, lá no início, abandonei o estudo em duas oportunidades. Por que isso acontece com a maioria das pessoas?

Bem, talvez a coisa mais importante do método do professor Napoleão não seja ensinar o latim propriamente dito. Mas deixar às claras, como um olhar sincero ao espelho, o que se tornou o sistema de ensino brasileiro. Bem, sobre este ponto, fica muito difícil resumir o cenário. Com o Cidney mesmo eu realizei alguns estudos sobre o tema. No entanto, o resumo da ópera é o seguinte: o ensino brasileiro já vinha decaindo a partir da década de 60; com a adoção do método de Paulo Freire nas escolas, nossa inteligência não caiu em constante e sutil queda, mas despencou ladeira abaixo, como um corpo arremessado de um penhasco.

Vou tentar explicar um pouco melhor por que a Gramática Latina nos dá esse tapa na cara. Na primeira lição da obra, assim está escrito: “Numa oração nós podemos encontrar seis elementos: o sujeito, o vocativo, o adjunto adnominal restritivo, o objeto indireto, o adjunto adverbial e o objeto direto”. A partir daí, embora gradualmente, o estudo só avança. Enfim, por que nós encontramos dificuldades já nas primeiras lições?

Quando o professor Napoleão concebeu essa obra, muito certamente a população que havia frequentado a escola tinha uma sólida base gramatical. Dizer isso, no entanto, não basta. Vou além…

Essencialmente, as gramáticas de língua portuguesa são divididas em três partes: (1ª) a fonologia, que é o estudo dos fonemas, letras e pontos de articulação, isto é, é o ramo da linguística que estuda o sistema sonoro de um idioma; (2ª) a morfologia, que é estudo da composição dos vocábulos, das classes de palavras e das classes gramaticais; por fim, (3ª) a sintaxe, que estuda da relação entre palavras de uma oração e relação entre as orações de um período.

Essa terminologia utilizada pela Gramática Latina, logo no início, parte do que seria o estudo final de uma gramática de língua portuguesa, que é a análise sintática. Como a maioria de nós jamais se debruçou com seriedade sobre o estudo da língua portuguesa, é tarefa impossível o estudo do latim.

Vejamos um exemplo. Leia a frase a seguir: “O deputado recebeu dois homens. O primeiro estava de terno”. Pergunto: a palavra “primeiro”, enquanto classe de palavras, o que é? É um numeral. Mas ela está se comportando como um numeral da frase? Não, pois ela está exercendo a função de “sujeito”, de acordo com a análise sintática.

O que eu quero dizer é que não basta saber classificar as palavras. Cada palavra, quando inserida num contexto, pode estar exercendo uma função diferente daquela que usualmente ocorre.

É possível, nesta sintética abordagem, ter uma noção do problema que um brasileiro qualquer enfrenta ao tentar estudar latim? Ele precisa conhecer muita coisa anteriormente para poder avançar nas lições, por isso a tarefa acaba sendo demasiadamente desgastante.

Uma sugestão: é preciso que todos voltemos muitos passos para trás e nos debrucemos alguns anos sobre a língua portuguesa. Isto, todavia, não se faz com a leitura de gramáticas, mas com muitas obras de literatura. Sabe o velho Machado de Assis que está abandonado nas estantes da sua sala? Pois comece por ele. Quando surgir dúvidas, consulte dicionários e, pouco a pouco, vá se interessando por um estudo mais aprofundado de gramática. Depois de muitos anos, com sorte, você estará apto para vencer as primeiras lições do fabuloso método do professor Napoleão Mendes de Almeida.

Mas se dizem por aí que o latim é língua morta, por que é que eu devo perder todo esse tempo estudando isto? Bem, este tema merece um artigo específico para melhor explicá-lo; contudo, darei uma palinha: “Latim não serve para você falar, mas para aumentar a sua inteligência”. É para isto? Sim, apenas para isto!

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