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Eleições 2018

O movimento #elenao e a delação de Antonio Palocci potencializam o antipetismo

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Desde que foi condenado no TRF-4, Lula sabia que não seria candidato. Mesmo assim, colocou-se como tal, buscando tornar-se o símbolo da resistência ao que a narrativa de seus acólitos chamaria de golpe jurídico. Para tanto, valeu-se da precariedade e do baguncismo da legislação eleitoral brasileira, que estabelece prazos de declaração de inelegibilidade após o inicio da campanha. Com os militantes nas ruas, no jornalismo e nas universidades, seria fácil incorporar a figura do injustiçado. Lula sempre nadou de braçada no vitimismo.

Mesmo assim, tendo em vista que sua pretensão política não se concretizaria, elaborou um plano B. Chamou Fernando Haddad como candidato a vice com o propósito de fazê-lo seu representante no pleito uma vez consumada a impossibilidade de concorrer. A estratégia passava por capitalizar a imagem de Lula durante o máximo de tempo possível para só depois tentar a transferência de votos ao candidato que o substituiria. Assim nasceu o “Haddad é Lula”, que catapultou o novo poste.

A escolha de Haddad foi lógica. O ex-prefeito de São Paulo jamais foi visto como um “radical”. Muito pelo contrário, era tomado como o mais tucano dos petistas. De origem acadêmica e fala mansa, representaria a nova versão do partido. A figura ideal para afetar equilíbrio e poder recompor as pontes do PT com setores moderados da sociedade.

É bom lembrar que Lula só chegou ao poder quando aposentou a imagem de líder de greve. Trocou o piso de fábrica pelos ternos Armani e pela publicidade de Duda Mendonça. Convenceu a classe média – até então refratária ao seu discurso revolucionários – de que ele era a mudança segura. O eleitor de centro, que faz voto não ideológico, é chave para qualquer vitória em eleição presidencial. E é desse segmento que o PT se afastou, principalmente após o Impeachment de Dilma.

Com um cenário plebiscitário no horizonte e o estreitamento das posições, já estava em curso a estratégia de segundo turno que a esquerda usaria para Haddad vencer. Mais do que petista, ele se assumiria como o candidato antifascista, que representaria a defesa da democracia contra as pretensas intenções autoritárias de Jair Bolsonaro.

Dois acontecimentos, entretanto, mudaram o jogo de forma inequívoca. O primeiro deles se deu no último dia 29, quando grupos e partidos políticos de esquerda se uniram para declarar sua rejeição ao candidato do PSL. O movimento #elenao reuniu milhares de militantes em cidades pelo país. A maciça participação mobilizou os apoiadores de Bolsonaro, que deram resposta contundente no dia seguinte. Outros milhares foram para as ruas defendê-lo. Os atos organizados pela esquerda parecem ter acendido o sinal amarelo em quem rejeita a volta do PT ao poder – muito embora ainda estivesse indeciso. Pela repercussão gerada, esse segmento poderia tender ao voto útil. 

O segundo fato, e talvez o mais determinante, foi a decisão de Sérgio Moro de publicizar parte da delação premiada de Antonio Palocci.  O ex-ministro foi peça central nos governos de Lula e de Dilma Rousseff, tendo exercido respectivamente os cargos de Ministro da Fazenda e Ministro da Casa Civil, sempre com amplos poderes e influência. Era o braço do PT junto ao mercado financeiro. O homem que garantia a estabilidade da economia e fazia conexão dos empresários com o partido sindical de origem socialista. Não se trata do testemunho de um qualquer.

É claro que os petistas e seus simpatizantes não mudarão de posição em virtude das novas denúncias. Muito pelo contrário: incorporarão à narrativa de que se trata de mais um ato político e persecutório protagonizado pela Justiça na véspera da eleição. Ocorre, entretanto, que as revelações de Palocci podem fazer mudar o voto de centro, que atualmente está pulverizado entre candidatos como Geraldo Alckmin, Henrique Meirelles, Alvaro Dias, João Amoedo e até Marina Silva.

A delação também serve para lembrar a população que foi durante o governos Lula e Dilma que se implementou uma industria criminal no país. Some-se a isso as declarações ameaçadoras de José Dirceu em veículos de comunicação, há razões consideráveis para que os eleitores neutros firmarem posição.

As eleições presidenciais pareciam caminhar para se resolver apenas no fim de outubro. O acirramento da polarização e os fatos novos trazidos por Palocci podem antecipar essa decisão para o próximo domingo, criando um cenário de 2° turno já no 1° turno. Tudo depende de quanto Bolsonaro capitalizará em cima desse conjunto de situações que potencializam o antipetismo.

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