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Havan Alagada Havan Alagada

Passo Fundo

Chuva revela incompetência da Prefeitura na obra da Avenida Brasil

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Projeto executivo da obra mostra bocas de lobo com cesto para filtragem de resíduos que não existem na obra entregue. A Prefeitura culpou o lixo pelos recentes alagamentos na área da Havan.

Os vídeos e fotos mostrando a área do supermercado Stock Center e da nova loja da Havan alagados durante as chuvas das últimas semanas correram as redes sociais, resultando em indignação, piadas e até mesmo acusações de crimes ambientais, com diversas pessoas lembrando que a área da obra “nunca alagou” e fica no entorno de banhado ou nascente.

Havan Alagada

Uma das imagens compartilhadas nas redes sociais por diversos perfis e páginas na segunda, 17 de dezembro.

Depois de todo o alvoroço provocado pela divulgação das imagens, a prefeitura de Passo Fundo deu sua versão oficial dos fatos: a culpa foi do lixo e do acúmulo de terra que juntos causaram a obstrução das grelhas no sistema de drenagem da Avenida. Este trecho da Avenida foi recentemente entregue e, até então, as únicas polêmicas envolviam a qualidade do asfalto entregue pela construtora vencedora da licitação, a Bolognesi Infra-Estrutura Ltda.

A obra

A Concorrência Pública 12/2017 para a “contratação de empresa especializada para a execução de obras na Avenida Brasil, com o fornecimento dos materiais e da mão de obra necessários” entregou a reforma para a Bolognesi por quase R$ 17 milhões. O andamento do processo de contratação e parte dos documentos podem ser vistos e baixados no site da Transparência da Prefeitura.


Telas do site da transparência da Prefeitura de Passo Fundo mostrando informações sobre a licitação das obras na Avenida Brasil.

O projeto da grande obra de restauro da Avenida foi de outra empresa. Contratada em 2014, a Miguel Angelo Gonçalves Engenharia, de Carazinho, entregou para o Município a receita do bolo toda pronta ao custo de R$ 232 mil. São parte do projeto, segundo o contrato, “elaboração de estudos geotécnicos e hidrológicos, estudos topográficos, projeto executivo geométrico, projeto executivo de pavimentação, projeto executivo de drenagem, projeto executivo de acessibilidade, projeto executivo de sinalização, planilha de quantitativos e orçamento, cronograma físico-financeiro, memorial descritivo com especificações técnicas dos serviços e materiais, entre outros”.

E é no projeto da MA Engenharia que foi encontrado dentro dos documentos cadastrados a relação entre Prefeitura e Bolognesi. O Volume III do “Projeto executivo de pavimentação, ciclovia, drenagem, acessibilidade e sinalização de vias urbanas do município de Passo Fundo/RS” é um arquivo em formato pdf com 203 páginas que detalha ricamente a obra como deveria ser feita. Nas páginas 23 e 24, são fornecidas as especificações dos equipamentos de drenagem como Poço de Visita, Corpo de Bueiro, Ala de Bueiro e a Boca de Lobo Sifonada. Este último permite a limpeza rápida da drenagem, pois mantém um cesto que pode ser removido, tal qual tampa de um ralo de pia. O sistema é chamado de “bueiro inteligente” por algumas empresas. As especificações são rígidas na construção, qualidade dos materiais e até mesmo na distância entre os fundos das caixas que fazem a drenagem e os tubos de concreto.

Boca de Lobo Sifonada: solução da engenharia para o problema do lixo na drenagem urbana.

Já a planta do projeto de drenagem determina onde devem ser instalados os equipamentos, bitola dos canos, ligações e até mesmo o fluxo das águas tento por base o aclive ou declive da via. A principal porta de entrada da Havan fica em frente ao encontro das águas que descem de dois sentidos: da Avenida Rui Barbosa e, do outro lado, Avenida Cesar Santos. Esta “pororoca” deveria ser captada por potentes bocas de lobo e conduzida por tubos até o outro lado da Avenida, escoando por uma Ala de 1500 mm. Na planta, uma beleza até mesmo aos olhos dos leigos; na prática, a inspeção superficial feita pela equipe da Lócus no local revelou algumas falhas curiosas.

Vista superior e corte da área onde estão Havan e Stock Center. Em azul, o fluxo da água da chuva, coletada pela drenagem.

Distante da realidade perfeita das pranchetas (ou das telas dos computadores) dos engenheiros da Miguel Angelo, o que se vê na parcial da obra que foi entregue pela Bolognesi para os cidadãos de Passo Fundo, são caixas de alvenaria com pequenas grades de ferro no topo, acabamento irregular e canos “entupidos de fábrica”. Nenhuma das bocas de lobo segue o modelo apresentado no projeto, não existe cesto coletor algum e nem sifão.

Bocas de lobo: bem diferentes do projeto original. O acabamento também é sofrível: canos entupidos e paredes quebradas. Notem o acúmulo de folhas e galhos.

Outro dado que assusta: não é só no projeto que as bocas de lobo sifonadas aparecem. No orçamento global, outro documento que consta no projeto da Avenida Brasil, foram listadas no item 3 – Microdrenagem Urbana, subitem 3.2 – Construção de Boca de Lobo a escavação (serviço) e 219 unidades de “boca de lobo simples com sifão e cesto para coleta de resíduos sólidos” ao preço de R$ 219 mil, juntamente com 219 cestos por R$ 58 mil. Os valores incluem mão de obra.

Planilha de orçamento da obra. Pagamos pelas bocas de lobo?

Com toda esta disparidade entre projeto e execução, é urgente a verificação por parte da Câmara de Vereadores e demais autoridades competentes sobre o que de fato foi contratado e se a execução (além dos sinais visíveis de qualidade duvidosa em obra tão nova) está de acordo. Existe algum adendo perdido em todo este fluxo de negociação que altera sem prejuízos estes componentes da drenagem? As bocas de lobo variam de acordo com o trecho? Se o visível já é estranho, imaginem o que está enterrado abaixo do leito da Avenida. A comunidade merece esta resposta o quanto antes, para que a pororoca resultante do encontro das novas edificações com a Avenida Brasil reformada não se espalhe para o resto da cidade que ainda vai receber as alterações desta obra milionária.

Covid-19

Lei pra inglês ver: Na Câmara, norma de visitação é violada no mesmo dia

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Conforme noticiado por vias oficiais, o vereador Evandro Meireles (PTB) reassumiu a presidência da Câmara de Vereadores nesta segunda-feira (24), coordenando mais uma reunião da Comissão Representativa, que atua no período de recesso parlamentar. Na oportunidade, foi editado e assinado um novo Projeto de Resolução, nº 10/2022, intensificando as medidas de prevenção a Covid-19, especialmente através do controle de circulação do público nas dependências do Legislativo. A principal mudança é a limitação de um visitante por vez, em cada gabinete.

Conforme Meireles, a medida se faz necessária para que a Câmara siga com suas portas abertas, mantendo o atendimento à população, porém com todos os cuidados necessários frente a Covid-19:

“Desde o início da pandemia, a Câmara vem mantendo todos os cuidados, todas as pessoas que chegam precisam fazer a higienização e usar a máscara e, agora, diante do recente aumento nos casos de contaminação, juntamente com a Mesa, decidimos editar essa nova resolução, limitando a quantidade de pessoas visitando os gabinetes, garantindo que não haja aglomeração nas dependências da Casa”.

No entanto, parece que a norma foi violada em seguida. Também noticiado pela Comunicação da Casa, Meireles recebeu, na tarde da mesma segunda-feira (24), a visita do Rotary Club de Passo Fundo Planalto Médio, através do seu presidente, Zilmar Bastos Junior e da coordenadora do banco de cadeira de rodas do clube, Reialda Almeida. Na oportunidade, Zilmar e Reialda apresentaram os trabalhos realizados pela instituição, todos projetos sociais, sem fins lucrativos.

E a regra de “um visitante por vez”?

Evandro Meireles (PTB) recebendo a visita do Rotary Club de Passo Fundo Planalto Médio, através do seu presidente, Zilmar Bastos Junior e da coordenadora do banco de cadeira de rodas do clube, Reialda Almeida. E a regra de “uma pessoa por gabinete”? (Foto: Comunicação Digital/CMPF)

 

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Covid-19

Posicionamento da FENEP sobre a vacinação em crianças gera iniciativa de apoio em Passo Fundo

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Centenas de assinaturas já foram coletadas, tanto de médicos quanto de membros da sociedade civil, em respeito às liberdades individuais em relação à exigência de vacinação de crianças de 5 a 11 anos

Recentemente, a Federação Nacional das Escolas Particulares (FENEP), presente em 15 estados e no Distrito Federal, emitiu uma nota de respeito à decisão das famílias que optarem por não vacinar as crianças na faixa etária dos 5 a 11 anos.

Mesmo se posicionando em favor da imunização da população, pontuou que “mesmo não concordando com a posição daquelas famílias que não desejam imunizar seus filhos – apesar da recomendação da Anvisa e do Ministério da Saúde – respeitamos a decisão, pois vivemos em uma democracia”. A nota completa pode ser conferida no link a seguir: https://www.fenep.org.br/single-de-noticia/nid/posicionamento-da-fenep-sobre-a-vacinacao-em-criancas/

Em Passo Fundo, o médico Guilherme Krahl lidera coleta de assinaturas da população em apoio à nota emitida pela FENEP, que respondeu a perguntas feitas pela equipe da Lócus. Veja a seguir:

1- Como surgiu esta iniciativa de apoio à FENEP?

Nós temos visto muitas iniciativas de profissionais, órgãos, entidades de classe coagindo as pessoas a se vacinar. Eu, como médico, vejo isso com muito perigo, isso porque é um direito individual de cada pessoa a opção de se submeter ou não a um tratamento; além disso, é vedado aos médicos querer decidir por elas, obrigando-as direta ou indiretamente.

A postura da FENEP foi de respeito à opção de cada um, sobretudo aos pais, do poder de decisão sobre a saúde dos seus filhos. Isso vai ao encontro daquilo que pensamos sobre a manutenção dos direitos fundamentais, principalmente das liberdades.

Quando a Federação se manifestou em apoio à decisão de cada um poder pensar diferente, isso foi muito bem-vindo. Nós não precisamos que todo mundo concorde com aquilo que pensamos, mas que as pessoas respeitem a nossa opinião.

2 – Como a classe médica tem encarado esta questão?

A classe médica, assim como a sociedade, está muito dividida em relação ao assunto. Há uma sobrecarga de informações, de dramas, isso na tentativa de sensibilizar as pessoas a terem receio ou não daquilo que essa pandemia pode trazer. Muitos médicos reagiram com pânico, achando que se pode ou que se deve fazer qualquer coisa. No entanto, muitos médicos receberam com preocupação as iniciativas de passar por cima dos direitos e liberdades individuais dos pacientes, sobretudo passar por cima do Código de Ética, que nos proíbe de tomar uma decisão pelo paciente.

Não há unanimidade. Há o que sempre houve na Medicina, que é a discussão. A ciência nunca vai ter dono, pois é mutável, aprendendo sempre: ela se testa e ela se recompõe, de forma que, muitas coisas que acreditávamos ser uma verdade inabalável, hoje o pensamento mudou.

3 – É seguro a vacinação de crianças contra covid ou os estudos são inconclusivos?

A questão da segurança da vacina não pode ser discutida neste momento. Nós não temos dados de médio ou longo prazo, nem de eficiência, nem de segurança. Está sendo utilizada uma tecnologia nova, de RNA mensageiro, que nunca foi testada e outras doenças para se fazer vacina. Não foi testada nem em animais ainda. Em vez de se testar em doenças que atingem uma pequena parte da humanidade,  eles estão utilizando na primeira pandemia que tiveram oportunidade. Nós não sabemos quais são ou quais serão as consequências, não temos como prever. O que sabemos apenas é que crianças e jovens são mais suscetíveis a reações adversas do que adultos. Tanto que a maioria das medicações, quando são desenvolvidas para adultos, vocês vão encontrar escrito nas caixas: “não recomendado para menores de 12 anos”. E por que isso é assim? Simples: porque não foram feitos testes em pessoas abaixo de 12 anos. Não vai ser com uma amostragem de mil ou duas mil é que vamos ter segurança de dizer que, numa população de 1 a 2 bilhões de crianças e jovens, vai ser a mesma coisa. Por isso, não há segurança. Não houve pesquisa prévia nesse período.

4 – Quem quer participar da iniciativa, como pode colaborar?

Muitas pessoas estão participando, tanto no grupo dos médicos, quanto no dos demais cidadãos. Nós separamos nestes dois grupos justamente para mostrar que dois aspectos fundamentais baseiam essa iniciativa: o ponto técnico, no qual médicos não estão confortáveis com a obrigatoriedade da vacina, isso por conta da falta de estudos de segurança relacionados aos efeitos da vacina; o outro ponto, que é o do cidadão, que quer continuar mantendo o seu direito de decisão, o seu direito como paciente e como responsável por sua saúde, como um ser livre para responder por si mesmo e por aqueles da sua família. O poder sobre a própria família é fundamental; além disso, nós não podemos abalar as liberdades civis das pessoas.

Há um grupo de WhatsApp no qual as assinaturas estão sendo coletadas. É possível acessar através do link a seguir: https://chat.whatsapp.com/FvdkdXQ1IKuEmBCyGO1fnz 

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Passo Fundo

Pagamento de diárias em Passo Fundo subiu 100% em 2021. Veja quem gastou mais

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pagamento de diárias

Entre Prefeitura e Câmara de Vereadores, foram pagos R$ 246 mil em diárias no ano de 2021, o dobro de 2020

Parece que um setor da economia apresentou uma retomada forte em 2021, apesar da pandemia. Trata-se do uso de diárias, aquele dinheiro que políticos, Cargos de Confiança e funcionários em geral recebem para viajar (além da passagem e estadia, quando usada).

Segundo dados da transparência da Prefeitura de Passo Fundo, foram gastos em diárias o valor de R$ 246.622,23 no ano de 2021, contra R$ 123.263,15 em 2020. Os dados foram compilados e somados pela Lócus, já que a Prefeitura fornece apenas a lista de pagamentos em um local e a especificação (justificativa da viagem) em outro, quando fornece.

valores de diárias

Decreto municipal – valores dos diferentes tipos de diárias em vigor. O documento completo, aqui.

Quem mais gastou

Os motoristas, via de regra, sempre estão nas primeiras posições do ranking, já que recebem diárias sempre que levam alguém (especialmente na área da saúde) para outra cidade, mas não podemos desconsiderar os gastos computados por secretários e vereadores. Abaixo, o TOP 30 dos anos de 2021 e 2020:

diárias passo fundo 2021

Em 2021, lideram o ranking das pessoas que mais receberam diárias os motoristas Alaer Miranda e Renan de Bortoli (R$ 21 e R$ 17 mil), seguidos pelo primeiro político da lista, o vereador Rafael Colussi, com R$ 13 mil. Em quarto lugar, o prefeito de Passo Fundo, Pedro Almeida, com R$ 11 mil. A lista completa tem 128 nomes, os quais receberam no total R$ 246.622,23.

 

pagamento de diárias 2020

No ano de 2020, os 8 primeiros são motoristas. Em nono lugar, Dorval de Barros (enfermeiro).

As tabelas de diárias ano a ano podem ser geradas neste link da transparência municipal. O cargo de cada beneficiário você acessa aqui, através de busca por nome.

Resumo: melhorou e depois piorou

No levantamento da Lócus realizado em setembro de 2019, até aquela data, o gasto com diárias era de R$ 201 mil; o ano encerrou com R$ 298 mil. Então o montante teve uma queda significativa em 2020, indo para R$ 123 mil e piorando em 2021, com R$ 246 mil, o dobro do ano anterior.

Resta saber o que 2022 representará aos pagadores de impostos no quesito “Diárias” no município de Passo Fundo.

PS. Há um pouco de antídoto para os discursos de quem defende o recebimento de diárias no texto de 2019, já citado aqui. Aplique em seus debates, sem dó.

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