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Com quantos taxistas se elege um vereador?

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A regulamentação de aplicativos para transporte individual como o Uber, Lyft, Garupa e tantos outros em Passo Fundo coloca alguns taxistas contra a maioria da população. No meio da discussão, vereadores que querem ir apenas de táxi para o próximo mandato – ou para casa.

Da Câmara de Vereadores de Passo Fundo já saíram mensagens com enorme repercussão na cidade, geradoras de engajamentos “civis” inéditos que lotaram o plenário com pessoas comuns, sem bandeiras, sindicatos ou ONGs por trás. Dois eventos são recentes: no primeiro, quando a cidade quis bloquear a vinda de grandes redes supermercadistas para Passo Fundo; o segundo, quando um vereador mandou que os munícipes adeptos do protesto contra os buracos das ruas enfiassem um adesivo no ânus (com outra denominação sem acento, diga-se de passagem). Tudo isso em 2011, quando a Câmara ainda contava com doze vereadores.

A discussão sobre a vinda do Uber e outros aplicativos que permitem a prestação de serviço de transporte, bastando um cadastro na empresa criadora do sistema, quebra paradigmas. Os taxistas daqui, seguindo o exemplo de outras cidades, protestam e procuram montar uma estratégia de defesa. Dos cerca de 120 motoristas de Passo Fundo, um número não contabilizado participa desta frente de batalha. E tomara que os exemplos de fora não sejam seguidos à risca, com ocorrências policiais e lutas corporais entre uberistas e motoristas de praça.

Com um divertido vídeo postado no Facebook em 19 de julho, o vereador Mateus Wesp (PSDB) abriu a discussão na cidade. Pilotando um fusquinha adesivado com a marca do Uber, revelou projeto para a regulamentação dos serviços na cidade. Ele abraçou a causa em Passo Fundo, contando com o apoio discreto de outros nomes e com uma emenda do vereador Roberto Toson (PSD) para incluir serviços com motos. Enquanto isso, vereadores contrários fazem reuniões com taxistas parceiros e fortalecem um lobby contrário, tentando barrar, por diversos motivos, o projeto ainda nas comissões da casa.

Nestes próximos dias, vamos divulgar informações sobre a “questão do Uber” na cidade, a lista dos vereadores com seus posicionamentos oficiais e como será o andamento deste processo na Câmara.

Estamos lidando com um conflito direto entre a liberdade e a sanha regulatória do Estado em nossa versão local. São vereadores e taxistas contra a população que quer (e muito) esta nova opção de transporte. Um arranjo corporativista contra novas opções no mercado de trabalho, sem dependência. Aliás, a campanha do Lyft (serviço concorrente do Uber) demonstra, através de uma magnífica animação, como a tecnologia – com liberdade – pode mudar a vida em sociedade.

Precisamos, mais uma vez, focar as atenções na Câmara, nos vereadores e nas comissões. Saber quem é quem em cada etapa do processo da regulamentação destes serviços em nossa cidade e reagir no ambiente virtual e no plenário. De táxi ou de Uber, que todos saibam onde querem chegar, sem demagogia.

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