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600 dias para o resto de nossas vidas

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Os primeiros minutos de 2019 também vão marcar o início de governos que carregam o potencial de alterar profundamente a vida dos brasileiros. Até lá, a mistura de nossos erros e acertos em diversos setores será determinante nesta transição. E o tempo está passando.

Grandes planejamentos são realizados para décadas. No setor público, a riqueza de dados gerada pelos departamentos encarregados das mais diversas tarefas deveria fornecer um norte  para os gestores eleitos. Um ambiente governamental firme e sem surpresas, por sua vez, ajuda no desenvolvimento das empresas. E esta máquina precisa funcionar perfeitamente para que a vida do cidadão comum seja facilitada de alguma forma.

A missão de manter um emprego, filhos, casa e  um pouco de lazer é atordoante para grande parte da população. E uma parcela deste sofrimento existe pois a política passa ao largo do pensamento da maioria das pessoas, sendo apenas aquela questão eleitoral incômoda que aparece para atormentar a programação da TV e oferecer um domingo diferente dos demais, de dois em dois anos. Passada a emoção do pleito, as coisas voltam ao normal. Movido por um pessimismo enraizado e um descrédito com as instituições, o eleitor toma a decisão para se livrar do problema do voto, ter alguma vantagem ou participar de algo vitorioso, ainda que não seja dada a mínima atenção para as coerências entre as crenças pessoais e o significado das siglas e promessas das pessoas que aparecem nas urnas ou nos santinhos.

No âmbito municipal, a eleição para prefeito parece que “ainda está quente”. São apenas 5 meses de mandato e a realidade das finanças públicas não é das mais positivas, sugerindo um aperto nos gastos frente a uma crise nacional com causa bem conhecida de todos nós. Na Câmara de Vereadores, os gabinetes começam a amadurecer as posições políticas e seguir novos rumos, com as particularidades de um executivo que não terá sequência.

Vivemos um dos momentos mais confusos da história brasileira pós-redemocratização. A entrega para os civis em 1985, aos trancos e barrancos, jogou o país para um sistema de alternância entre dois tipos de esquerda, com um arremedo de direita sempre comendo os restos de um socialismo limpinho (no poder ou tentando estar lá). A classe política “sem S na sigla partidária” não foi capaz de formar líderes e uma nova leva de eleitores bem informados cresceu, se virou sozinha e hoje sofre para encontrar representações do lado de lá da porteira para tudo o que aprendeu nos livros. Qualquer sinalização de livre mercado, governo enxuto e defesas morais já nutre amores efêmeros, logo desfeitos por alguma falha irreparável para algum dogma recém descoberto como virtude. A nova leva é visível, mas ainda não é grande o suficiente para eleger seus próprios candidatos. Mesmo assim, ainda quer encontrar pessoas 100% comprometidas com regras liberais na economia e conservadoras em todo o resto, por vezes andando duas casas para trás por conta de debates calorosos sobre tamanho de decotes em meninas definidas conservadoras por conta própria, ou a integridade moral de quem fez uma foto ao lado do inimigo de esquerda. A direita é uma criança birrenta quando o assunto é guerra cultural, uma batalha conhecida pela esquerda desde os tempos mais remotos.

Passo Fundo é o nosso “mini Brasil”, uma amostragem do nosso país dividido por 1000. Nossas idiossincrasias e estatísticas são bem proporcionais ao todo da nação em muitos setores, até mesmo na forma de consumir televisão e internet. Nossa direita Planalto Médio é moribunda e seus dois representantes mais destacados, os vereadores Mateus Wesp e Roberto Toson, estão justamente em partidos com o famigerado social na sigla. Durante o último período eleitoral, foram companheiros de socialistas e comunistas, todos lutando entre quase duas dezenas de partidos para que o PSB chegasse na prefeitura. A concorrência na eleição para prefeito foi vergonhosa, com um candidato representando todo o resto das possibilidades exceto PT e nanicos de extrema-esquerda, levando menos votos que a quantidade de pessoas que caminharam pelas ruas da cidade pedindo o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Sim, as pessoas foram para a rua pedir o fim do governo do PT e votaram na esquerda para prefeito, meses depois.

Flagrantes da campanha de 2014: “dobradinha” entre Onyx Lorenzoni (DEM) e Juliano Roso (PCdoB), pelas ruas de Passo Fundo.

Delineadas estas características passo-fundenses e brasileiras, vamos procurar os caminhos da esperança para quem tem um pé na liberdade. Além dos vereadores citados, existe uma turma nova, sem experiência política, mas com muita vontade de mudar no Partido Novo. “Novo” pode confundir quem não conhece, mas o nome do partido é realmente este. O “30” disputou as primeiras eleições em 2016 e conseguiu fazer alguns vereadores em importantes cidades do país. No momento, é uma força importante para a questão cultural, mas sem reais condições em uma disputa local para a Assembléia Legislativa em 2018.

Estes 600 dias para a posse dos políticos que vão mudar nossas vidas passarão bem rápido. Ainda em 2017, teremos convenções partidárias para escolhas de nomes em muitos partidos e são cerca de 11 meses para que os  políticos definam em qual partido disputarão seus cargos. Geralmente, após este limite começam as amarrações de parcerias, planejamento financeiro, estratégias de campanha e todo o processo eleitoral que conhecemos bem. Claro que existe o fantasma de novas regras sendo votadas a cada momento, mas estes prazos são bem possíveis.

E a mudança será grande. Com tantas variáveis incontroláveis, um ex-presidente que aparece durante a tarde em um interrogatório de processo criminal e durante a noite faz um discurso pré-eleitoral, um resto de esquerda pronta para dar o bote nos potenciais restos petistas e uma polarização “popular” entre os nomes de João Dória e Jair Bolsonaro (dois grandes outsiders em seus próprios partidos), estamos andando no fio da navalha entre o afundamento total em desgraça socialista ou um movimento reformador de “vetor à direita”, praticamente um salto no abismo versus uma tendência de melhora com extrema dependência de fatores incontroláveis. Adicione evidentemente uma terceira possibilidade pois isto aqui é o Brasil.

O último dia 11 de maio foi o marco de “600 dias para primeiro de janeiro de 2019”. Este texto foi enfeitado com este número redondo já no título, com a esperança de instigar a vontade de mudança, ou a lembrança de cair lutando. Só o planejamento e a união de forças para a criação de um discurso atraente para ideais autênticos pode colocar Passo Fundo ou este país nos trilhos.

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Nicolau agora ataca Procuradoria Geral do Município: “É um atraso”

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Críticas à PMG de Passo Fundo acaba em discussão na Câmara. Petismo ataca novamente

Na Sessão Plenária do dia 18 de maio de 2022, Regina dos Santos (PDT) discutir recente projeto de autoria do Poder Executivo Municipal sobre a alteração do plano de carreira dos professores municipais.

Aproveitando a deixa, o petista Nicolau Neri Grando (PT) tira o foco do tema para tecer críticas à Procuradoria Geral do Município. De acordo com o parlamentar, os processos que passam pelas mãos da Procuradoria acabam atrasando o andamento: É um atraso em todos os processos que passam pela PGM”.

Wilson Lill (PSB), em seguida, manifestou o equívoco na fala de Gomes, pois apontou que em todos os processos a Procuradoria avalia o melhor caminho e busca encontrar soluções. Para ele, não é um debate de minutos, mas uma construção de diálogo que muitas vezes demandam meses de debates e alterações.

Nharam (União Brasil) pontuou: “A PGM não é um time invasor de terras lá do MST”. Janaína Portella (MDB), que em outra oportunidade já fez parte da PGM, disse que a análise segura dos pareceres jurídicos emitidos pela Procuradoria são imprescindíveis para a tomada de decisão dos gestores públicos. Nharam segue: “O senhor me envergonha com essas colocações. Acha que está falando do STF?!?”

Permitindo aparte, Gomes manifestou a intenção da sua fala referente à PGM:

 

 

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Mateus Wesp e outros casos de Fake News em Passo Fundo

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Fake News se tornou um verbete comum no cenário político desde que Donald Trump o proferiu em alto em bom som, bem na cara da imprensa norte-americana. De lá para cá, como tudo que o ex-presidente americano faz ganha repercussão, esse ponto não ficaria para trás. Fake News são informações falsas com a intenção de enganar. Não é um engano culposo, mas doloso. Há intenção de enganar o público, apenas para marcar a narrativa.

Quando nos deparamos com as redes sociais de muitos políticos pelo Brasil afora, podemos ter a falsa impressão de que eles estão, de fato, resolvendo uma série de problemas da nossa sociedade, fazendo pautas importantes avançarem. Não é bem por aí…

“Encaminhamos um pedido de providência”

Vamos dar um exemplo do que ocorre em Passo Fundo. Ao ler “Encaminhamos um pedido de providências a respeito de…”, é comum ao leitor pensar que o problema está (ou num curto espaço de tempo estará) resolvido.

Um pedido de providência não passa de um encaminhamento, na maioria das vezes realizado pelos gabinetes dos vereadores, solicitando que o Poder Executivo Municipal realize determinada obra ou demanda de uma comunidade.

Se procurar, os pedidos de providência vão de trocas de lâmpadas até paz mundial (ok, estamos exagerando). Asfalto, pintura, limpeza de praças… por aí vai. Um vereador, neste ponto, acaba refém das próprias limitações que a lei lhe impõe. A execução de obras, enfim, é atividade do Executivo. Vereador legisla e fiscaliza (ou deveria fiscalizar).

Pedido de providência é um tipo de publicidade enganosa

Sobre pedidos de providência, muitos vereadores fazem a festa. Não queremos citar ninguém em especial. Infelizmente, poucos escapam dessa publicidade (enganosa) nas redes sociais.

Não estamos querendo dizer que o público está sendo dolosamente enganado: na verdade, o vereador faz o que a lei permite. Os pedidos, portanto, são realmente encaminhados.

O que dá a entender, por outro lado, é que o assunto está resolvido. Na maioria das vezes não está.

“Aprovamos um projeto”

Quando um político afirma “Aprovamos um projeto de minha autoria”, todo cuidado também é pouco. É difícil estimar precisamente, mas a falta de eficácia das leis no Brasil não é assunto para amadores. Talvez a vocação nacional seja descumprir leis. Não é de todo culpa do nosso povo: o nosso universo legislativo é um oceano inabarcável de normas.

Nesse sentido, uma parte considerável das leis aprovadas são “leis pra inglês ver”: elas existem no papel, mas não mudam a vida da população em nada (ou muito pouco). Lei aprovada, entendam, é papel; sua execução, é outra coisa.

Ao longo dos anos de trabalho na Lócus, foram inúmeras as referências que fizemos nesse sentido. Quase toda semana um vereador sobe na tribuna e reclama da falta de cumprimento de leis aprovadas. Para citar um único exemplo, da legislatura passada:

Toson abriu seu Grande Expediente fazendo uma críticas às cobranças recebidas pelos parlamentares sobre o número de leis propostas. Para o vereador, trata-se de uma distorção realizada sobre o trabalho legislativo.

No Brasil, conforme dados apresentados, há mais de 5 milhões de leis em vigor, segundo um estudo da Fiesp. Para Toson, há uma ideia de que, ao se criar uma lei, magicamente o problema estará resolvido no dia seguinte. Isto prova que, para a resolução de um problema da sociedade, a lei é apenas uma etapa, não o processo completo.

Para o parlamentar, a lei acaba sendo uma espécie de abstração para se criar uma ilusão que o problema está sendo solucionado, o que é muito distante da realidade. De acordo com um dos exemplos citados, há a lei que proíbe o consumo de bebidas alcoólicas nas ruas de Passo Fundo. O projeto havia sido proposto como forma de coibir as constantes denúncias de algazarras nas ruas do Município. O problema, no entanto, permanece. 

Projetos em andamento: o marketing político desnecessário

Projetos em andamento também podem causar uma série de enganos no público. Veja, a seguir, recente postagem do deputado estadual Mateus Wesp (PSDB):

O que significa dizer que “um projeto foi aprovado numa comissão”? Nada além de que a pauta está tramitando, mas o caminho pode ser ainda longo (isso se for aprovado, é claro).

Nessa postagem de Wesp, o público percebe a notícia de outra forma, como se parte do problema já estivesse resolvido, mas não está.

Provavelmente esse projeto nem seja aprovado nesta legislatura. Pode ser que Wesp nem se reeleja deputado estadual. Pode ser que esse projeto reste engavetado. Pode ser que esse projeto seja esquecido. Pode ser que seja submetido à votação: pode ser aprovado ou não. Se for aprovado, pode ser que o Governador vete. Se vetar, os deputados poderão ou não derrubar o veto. Conseguem perceber parte do problema?

Por isso, não sejam enganados por postagens de políticos nas redes sociais. A palavra “lei”, no Brasil, está banalizada desde que éramos uma monarquia. Faça um favor a si mesmo e pare de ser enganado por esse tipo de postagem. E sobretudo pare de ser enganado por alguém com cara de bom moço, que fala bonito e que não tira o terço do pulso.

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Duas emendas impositivas de Eva Lorenzato são para compra de absorventes

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A petista segue a cartilha que ganhou coro nos últimos meses Brasil afora, falando em “pobreza menstrual”

A vereadora Eva Lorenzato (PT) protocolou duas emendas impositivas ao orçamento municipal para compra de absorventes para distribuição à população mais carente da cidade, além da promoção de uma campanha de conscientização quanto ao problema da pobreza menstrual. De acordo com a parlamentar:

“Com a renda per capita do povo pobre sendo de até R$ 87 por mês, se você é mãe, vai optar entre comprar um pacote de absorvente por R$ 15 ou comprar leite para seus filhos?”

Em matéria divulgada pela equipe de comunicação da Câmara de Vereadores de Passo Fundo, relata-se a trajetória da vereadora na abordagem deste tema. Veja mais em: VEREADORA DEFENDE A DESTINAÇÃO DE VERBA PARA COMPRA DE ABSORVENTES

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