Bicicletas compartilhas voltam à tribuna: entenda a evolução da denúncia

Em 2016, nos primeiros anos de atividades da Lócus Online, a matéria “Passo Fundo entra na onda das bicicletas ‘compartilhadas, públicas e gratuitas’” fez um levantamento de dados sobre o movimento que a atual gestão da Prefeitura Municipal de Passo Fundo estava criando com as bicicletas compartilhadas. O custo era elevado para uma cidade que até sofre com a falta de medicamentos, as bicicletas estavam sendo alvo de vandalismo e os dados sobre o número de usuários estavam sobrevalorizados.

Desde lá, por ser um tema delicado e que dá ares de “a Prefeitura está preocupada com a saúde da população”, foi difícil convencer as pessoas que o projeto era inconsistente, e as primeiras críticas nas Sessões Plenárias da Câmara de Vereadores só começaram a mostrar força a partir de 2018.

Na Sessão Plenária de 11/07/2018, os vereadores Rufa e Márcio Patussi criticaram a decisão da Prefeitura em gastar meio milhão de reais por ano com as bicicletas compartilhadas. Patussi disse que o mesmo valor foi negado para o videomonitoramento da cidade, proposta para melhorar a segurança, fruto do Projeto Guardião. Rufa destacou: “É muito dinheiro público jogado no lixo!”. Acompanhe a fala dos vereadores na ocasião: 

Na matéria “Prefeitura revela ódio e guerra contra carros, mas seu estacionamento está cheio de veículos“, Jesael Duarte, articulista da Lócus, mostrou o quanto as ciclofaixas estavam criando transtornos no trânsito da cidade:

As práticas “da moda” no planejamento urbano possuem nomes modernos como traffic calming ou road diet, mas quase todas compartilham o mesmo objetivo e narrativa: livrar as cidades dos maléficos carros e devolver as ruas para as pessoas, privilegiado o transporte coletivo ou os ciclistas.

Em nome destas vertentes, dinheiro público é gasto para a realização de intervenções no trânsito que são verdadeiras aberrações, de visual duvidoso e eficácia discutível.

Em 10/09/2018, em “Vereador Rufa denuncia gastos milionários da Prefeitura com as bicicletas compartilhadas“, foi mostrado que o parlamentar usou o Facebook para mostrar os dados da Transparência da Prefeitura, com os pagamentos para a empresa fornecedora, quando havia previsão de gasto de 1,8 milhão até o ano de 2020. Veja abaixo:

ISSO É INACREDITÁVEL!Os gastos relacionados com o Programa Passo Fundo Vai de Bici, são absurdos.Em pesquisa ao…

Posted by Vereador Rufa on Tuesday, September 4, 2018

Rufa, um dos parlamentares mais críticos com o destino do dinheiro público, também relatou, na Sessão Plenária de 10/12/2018, que é muito procurado para falar sobre o problema do gasto gerado com as bicicletas compartilhadas: R$ 418.000 por ano. No entanto, o serviço não está funcionando adequadamente. Desde o inicio do programa, já foram gastos cerca de R$ 900.000 e a previsão de gastos até o final de 2020 é de R$ 1,9 milhão”.

Em 07/01/2019, na matéria “Em meio a reclamações de usuários, gasto com bicicletas ultrapassa a marca de 1 milhão de reais“, foi destacado que: 

[…] a Prefeitura de Passo Fundo contratou a empresa Mobhis, de Cascavel (PR), para prestar o serviço de aluguel de bicicletas. No contrato original de 2016, constam 10 estações com 10 bicicletas cada (mais uma reserva técnica de outras 10 bicicletas) ao custo de R$ 418 mil por 12 meses. O contrato recebeu 5 aditivos, sendo o último em junho de 2018 com validade até novembro de 2018, segundo os documentos disponíveis no site da transparência.

Desde 2016, a Mobhis já recebeu R$ 1.000.194,66 (um milhão, cento e noventa e quatro reais e sessenta e seis centavos) dos cofres públicos e tem outros 30 mil para receber.

Como a denúncia apresentou números que não poderiam ser ignorados, ganhando até críticas entre os parlamentares, a RBS lançou reportagem com cara de “encomenda”, mostrando a importância do serviço e as vantagens para a população. No artigo “Coincidência? RBS defende prefeitura de Passo Fundo após denúncia da Lócus” foi destacado:

Segundo a reportagem publicada pelo Jornal do Almoço, são 28 mil usuários utilizando as bicicletas. Os dados são, no mínimo, duvidosos. Isso porque o fato de haver 28 mil inscritos não significa que os mesmos sejam usuários. Para uma população com pouco mais de 200 mil habitantes, o dado parece irreal, até mesmo porque, como já denunciado por vereadores como Rufa e Márcio Patussi, o serviço gera um gasto excessivo aos gastos públicos.

O prefeito Luciano Azevedo, alvo de inúmeras críticas, começou a responder nas suas redes sociais a acusações que também envolviam o sistema de bicicletas compartilhadas: “Prefeito Azevedo troca farpas com vereador e deputado por bicicletas e cargos. Uma baixaria!“. 

Na Sessão Plenária de 25/02/2019, por conta de recente reportagem informando que o Poder Executivo Municipal agora estava buscando patrocínio para bancar os altos custos das bicicletas compartilhas, Rufa apontou que a medida está atrasada em pelo menos dois anos, pois desde lá ele apontava as inconsistências do projeto, para o qual é custoso e desnecessário, sobretudo quando a cidade tem outras urgências para serem resolvidas. Veja o vídeo abaixo:

 

Por fim, é importante lembrar que, ao menos em Passo Fundo, pouco se falava dos problemas relacionados ao serviço de bicicletas compartilhadas que estava sendo oferecido pela Prefeitura. Até mesmo os vereadores demoraram para denunciar o excesso de gastos. Agora a população está começando a entender que há alternativas e que não é preciso que os cofres públicos arquem com essa conta. O ideal é que o contrato fosse encerrado até que uma empresa privada assumisse o projeto, mas o atual prefeito parece estar com receio de tomar essa decisão. 

 

 

 

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